OS ENSINAMENTOS ORIENTAIS E A GEOLOGIA (Os três continentes HIPERBÓREO, LEMURIANO E ATLANTE) de Mario Roso de Luna

OS ENSINAMENTOS ORIENTAIS E A GEOLOGIA 1

Os três continentes HIPERBÓREO, LEMURIANO E ATLANTE de Mario Roso de Luna

 

 

Assim como a cultura greco-latina foi uma verdadeira revelação na Renascença, após a noite medieval, do mesmo modo a cultura do povo ário, trazida à luz pelos sancritistas, é uma revelação ainda maior para a nossa cultura contemporânea.

 

As traduções dos Vedas, Puranas e Brâmanes; as expedições ao Tibete; as religiões e línguas comparadas; a filologia, etc., nos vão pondo em contato com as idades mais remotas do planeta, idades que, se aqui na Europa se caracterizaram pela barbaria troglodita como nos ensina a Paleontologia; em troca na Ásia deram civilizações colossais, verdadeiramente pré-históricas e ao lado das quais a nossa está longe de se comparar, pese a nossa vaidade de povo adolescente.

 

Dia chegará em que consagraremos a esta empresa um trabalho mais avançado. Tamanhas revelações, com efeito, nos foram antecipadas por intermédio de uma mulher sábia e generosa, Helena Petrovna Blavatsky, a quem a Humanidade contemporânea não começou ainda a fazer justiça.

 

 

 

Esta heroína, que realizou viagens perigosíssimas que eclipsam as de Marco Polo, Humboldt, Stanley e Livingston, nos deu nos volumes da sua Doutrina Secreta uma série de orientações, onde vão sempre entrelaçadas a religião primitiva da Humanidade e a ciência mais excelsa. Seu estilo, em aparência, confuso e desordenado; seus métodos de exposição, verdadeiramente orientais ou intuitivos; a magnitude do edifício erguido; os prejuízos de todo o gênero que nos avassalam; tudo, enfim, se conjura para nos impedir hoje de extrair de tal obra os devidos frutos.

Vamos fazer um paralelo entre os ensinamentos que nos transmite a dita escritora sobre os continentes e as conclusões da Geologia.

 

 

De cinco grandes formações continentais, consideradas como sendo troncos de povos ou Raças-Raízes da atual evolução terrestre, ela nos diz ao começar o segundo volume da Doutrina Secreta:

 

1. De uma Ilha Sagrada ou imperecível, do Polo Norte, verdadeira Terra dos deuses e laboratório de raças futuras, devendo perdurar durante toda a evolução terrestre, que se denomina de Quarto Ciclo ou Ronda.

2. Um continente boreal, do qual são restos todo o Norte de Europa, Ásia e América.

3. Um continente austral ou lemuriano, que deixou como restos principais a Austrália e Madagascar.

4. O continente da Atlântida, ocupando toda a zona do Oceano deste nome e mais ainda a Europa ocidental, parte da América e talvez, não pouca do Pacífico.

5. O continente atual ou Ário, que abarca em realidade, dois: o de Ásia, Europa e África reunidas e as terras americanas.”

 

Nossa ciência positiva atual tem que prescindir da Ilha ou primeiro continente, porque não o puderam alcançar nossas expedições polares mais atrevidas (2) e temos que nos contentar com o muito que dele têm falado, mais ou menos veladamente, os mitos e simbolismos religiosos de todos os tempos, com seus Monte Meru, Montserrat, Santo Graal, Terra Divina, Ilha dos Devas, etc. G. W. Surya publica sobre o “Polo Ártico e os ocultistas” um precioso artigo no Zentralblatt für Okkultismus, de Leipzig, onde comentando os últimos fracassos de Andrée e de Wellmann, pergunta: “Não é certo, pois, que o Polo Ártico parece guardar um segredo ante a Humanidade inteira? De onde procederá esta singular e insaciável ânsia por alcançar o Polo Norte e qual será o motivo da curiosidade científica, assinalado na glória de por o pé por vez primeira em um pedaço de terra coberta de neves eternas? Será o móvel de tão temerários esforços um algo desconhecido, que talvez atraia com força mágica a alguns investigadores? Quem é o senhor dessa ‘fortaleza polar’, que ordena aos ventos deter à distância os exploradores importunos, ou que os obriga a arribar, sem poder dar-nos sinal algum de suas vidas, de seus êxitos ou de seus fracassos?… Uns quantos viajantes entreviram, após as mais altas latitudes, algo assim como um mar livre de gelo e até troncos flutuantes de árvores. Além daquele mar livre, espécime de longínqua miragem está o país eterno e inacessível, a mansão dos deuses de que nos fala o Vishnu Purana e o próprio Pitágoras.”

 

 

 

Deixando à Mitologia comparada a árdua tarefa de esclarecer quanto tem acreditado a Humanidade a respeito desse mistério terrestre, entendo que há muita cousa na face do globo, segundo conhecemos, que concorda com os ensinamentos da citada obra de Blavatsky, como vamos ver, a respeito dos outros quatro continentes, apoiandonos na Geologia. Para aproveitar melhor a leitura, convém que o leitor tenha um bom mapa diante dos olhos.

Desde logo ressalta um fato singular a respeito do segundo continente de que fala a dita obra.

 

A orientação das grandes linhas de cordilheiras na parte setentrional dos nossos atuais continentes, é sensivelmente de Sul a Norte, como se elas houvessem constituído em remotíssimos tempos uma irradiação a partir de um cume ou uma verdadeira linha de irradiação situada nas vizinhanças do Polo Ártico, e que até onde pode apreciar a exploração geográfica, sepultou-se abaixo do nível das águas posteriormente, formando o Oceano glacial do Norte.

 

 

 

Orientados desse modo, vemos com efeito, os Montes Urais, entre as Rússias européia e asiática, continuando debaixo das águas, para entrelaçar-se com os arquipélagos de Nova Zembla e Francisco José, até os 84 graus de latitude; os Dofrines escandinavos, prolongados de igual modo pelo arquipélago de Spitzberg até os 80 graus; os montes do País de Gales e os Grampians escoceses, mais ou menos relacionados orograficamente com a Islândia aos 69 graus. Vemos, do mesmo modo, esta ilha e a Groenlândia com montanhas de vários milhares de metros de altura, que se perdem entre os 75 e os 83 graus de latitude; as complicadas terras do mar de Baffin e do Arquipélago de Parry, desde a margem direita do rio Mackenzie às terras de Alaska, e a cordilheira que na Ásia bordeja a margem direita do rio Lena e península de Zeimour, até latitudes semelhantes. Em resumo, seis ou oito linhas montanhosas, formando, por assim dizer, as espinhas de outras tantas massas continentais, despedaçadas e deslocadas de Sul a Norte pelo aparecimento posterior do Atlântico e o Pacífico, e de Este a Oeste, talvez, ou seja em sentido circular, pelo oceano Ártico.

 

Tamanho continente, hoje coberto pelas neves perpétuas próprias de sua geológica velhice – velhice admiravelmente concordante com a atual posição do eixo da terra em relação à eclíptica – afeta a uma zona que, com o leito dos mares que em parte a ocultam hoje, talvez fosse mais extensa do que chamamos agora antigo continente, aparecido muitos milhares de séculos depois. Na atualidade, abarca a metade superior da América do Norte e mais da quarta parte da Europa e Ásia. Seus limites meridionais, que talvez tivessem cortado o atual Equador em mais de um ponto, se acham já apagados ou sepultados debaixo da formação diluviana russo-siberiana e dos infinitos acidentes orográficos que preparam em baixo o surto ulterior dos nossos continentes, como hoje os conhecemos.

 

Semelhante formação antiquíssima, por mui pouco esboçada que nos pareça agora, não deixa de ter no planeta outra formação similar ulterior a que se devem, de igual modo, os atuais continentes, ou seja, o continente Ário, típico da Quinta Raça-Raiz, depois das catástrofes lemuriana e atlante.

 

Nada mais fácil do que nos convencermos de tal cousa. Com efeito, suponhamos situados na Meseta de Pamir, esse ponto estratégico da velha Ásia, que parece ter servido de centro de dispersão mundial, tanto das montanhas como dos povos históricos. Semelhante meseta é o centro de uma imensa cruz de alinhamentos montanhosos, tal como talvez o fosse muito antes o legendário Monte Merú, centro polar para todo continente hiperbóreo.

 

O braço do Nordeste é constituído pelas cordilheiras de Thianchan, de Altay, de Jablokoy e de Stanovol, que separam geograficamente o povo tártaro do povo chinês. Chegado ao vértice constituído pelo estreito de Bhering, continua entretanto em linha reta, ou melhor dito, em círculo máximo, pois que se trata de uma esfera e não de um plano, em toda a largura da América, até o cabo de Hornes.

O braço Sudeste da cruz ou aresta da pirâmide orográfica de Pamir, é constituído pelos Himalaias e todos os alinhamentos paralelos da Indochina, enlaçados com o oriente da Austrália e Nova Zelândia, onde podemos considerar localizado o segundo vértice.

O braço Noroeste, apenas com solução de continuidade além das alturas bactrianas, clarissimamente constituído pelo Norte do Irã, Armênia, Cáucaso, Carpatos e Balcãs, Alpes e Pireneus até o cabo de Finisterra na Espanha, onde podemos considerar o terceiro vértice ou extremo da grande cruz orográfica de Pamir.

O braço Sudoeste, formado pelas alturas meridionais do Afeganistão e da Arábia, pelos montes da Abissínia e do oriente da África, até o cabo da Boa Esperança, que consideraremos como o quarto extremo da referida cruz.

 

A considerações muito interessantes se presta esta nova maneira de ver nossa terra atual. Talvez os quatro fusos esféricos em que fica assim dividido o planeta – fusos que se cortam em Pamir e em seu antípoda das alturas peruanas – encerrem o segredo das quatro últimas Raças-Raízes daquela obra: o 2o ou do continente hiperbóreo no fuso do Norte, com o centro da superfície para o Polo Ártico; o 8o ou lemuriano em todo fuso do Sul, hoje quase todo sepultado e cujo centro se acha no maciço antártico; o 4o ou atlante em dois fusos: o de Este e do Oeste, com os centros respectivamente para a Espanha e para a Polinésia; o 5o ou ário, novamente, no fuso do Norte, sendo nossa História Universal, até os dias da descoberta da América ou da época contemporânea (época tão fecunda em revelações de todo gênero), um mero preparo ário-atlante dessa raça admirável, que hoje ostenta as suas civilizações principalmente na Inglaterra, França, Alemanha e Estados Unidos.

 

Seja como for, imaginai que uma mudança de posição da Terra no espaço, faça coincidir com linha Pamir-Perú seu eixo de rotação e que um cataclismo sepulte a toda Ásia Central, deixando no centro e acima do mar o Tibete. Tereis assim a explicação, com bastante fidelidade, de todas as aparências atuais do continente hiperbóreo, que passaria deste modo, como passou este último, de um clima cálido e paradisíaco, como o da Índia, ao clima ártico com as suas neves perpétuas.

Comprovada pela descrição geográfica anterior, a existência do segundo continente de que nos fala A Doutrina Secreta, falta provar que, efetivamente, é o mais antigo que se conhece em toda a Terra. Com a Geologia na mão, é fácil fazê-lo.

É clássico, com efeito, dentro da ciência de Lyell, o dito de que as formações graníticas da Europa, país cujos caracteres petrográficos e paleontológicos nos são mais conhecidos, são tanto mais antigas quanto mais se aproximam do polo. Assim se compreende que o granito dos Dofrines escandinavos se encontre mesmo na fronteira do terreno primitivo ou azoico – terreno primordial, sem vida ou sem fósseis – não obstante o qual se tem achado nos granitos de Grangesberg (Suécia) e em geral em todos, vestígios de uma matéria orgânica amorfa e de nenhum modo identificável com a dos seres vivos que conhecemos.

 

Nenhum geólogo duvida de que entre tais granitos e os dos Pirineus, Alpes e outros que estão relacionados com a linha de cordilheiras, desde Pamir até Finisterra, mediam idades sem conta, dado que estes últimos reapareceram desde as camadas mais fundas do planeta, períodos depois dos que se têm como primários.

Quem tenha contemplado de perto os fiordes noruegueses, escoceses e irlandeses, jamais esquecerá essa profunda impressão de velhice que os caracteriza, sobre tudo quanto exista de mais arcaico neste velho planeta. A eterna ação dos elementos vai desagregando, grão a grão, aquelas alturas, em outros tempos orgulhosas e cobertas pela luxuriante vegetação do trópico, alturas que, tal como tudo que se acerca do túmulo, se curvam, se deprimem buscando submergir-se em um mar acima do qual se ergueram orgulhosas outrora, vários milhares de metros.

Tal é a fisionomia geral de todas as costas relacionadas com os mares árticos, sepulcro do mais velho de nossos continentes, selado para a Humanidade pelo augusto mistério da neve.

Sempre que observamos a imersão lenta de uma faixa de terreno em lagos ou rios, a vemos apresentar esse aspecto de encharcamento que multiplica até o infinito os golfos, os canais e as baías, tal como se vê em todo Norte-América, desde o território dos Lagos de São Lourenço até os mais remotos limites das Ilhas de Parry, Alaska e Baffin. Com fartura o revela a inspeção dos mapas da dita zona.

Por isso, sem dúvida, para o limite meridional de tão vasta comarca de granito primitivo, este se vê como que ornado por outra zona muito extensa de terreno primário, assim chamado por ser o primeiro dos terrenos de sedimentação ou netúnicos formados no fundo dos mares primordiais pelo depósito ou sedimentação das matérias arrastadas pelos rios e mares daquela idade, sendo extraordinariamente curioso o fenômeno de que tais formações antiquíssimas, que chegam a onze quilômetros de espessura, ocupem mais da terceira parte da Europa, principalmente, de São Petersburgo à Finlândia, a maior parte da Escócia e Gales, Finisterra e a Vendéa franceses, uma extensa zona no Oeste de Espanha, desde a Serra Morena até a Galiza e toda a Boêmia.

No resto do continente europeu vêem-se por toda parte afloramentos cambrianos e silurianos, trazidos desde os estratos mais baixos de sedimentação pelas elevações ulteriores, pelo peso da grande zona montanhosa do Meio-dia da Europa. Enquanto na América do Norte, toda a região vizinha de São Lourenço, deu nome às formações principais que nos ocupam, tais como “terreno huttoniano”, “terreno laurentino”, etc., pelo qual os limites do grande continente ártico estabelecem a continuidade histórico-geológica com os nossos atuais continentes, através das longas épocas em que estiveram submersos.

Neste fato adivinha-se logo um fenômeno muito importante.

A Geologia fazendo considerações a respeito das costas escandinavas e escocesas, que nos são melhor conhecidas, teve que admitir que tais comarcas sofreram através das idades, um movimento primitivo de descida, outro de subida e um terceiro de descida, no fim do qual talvez hoje se encontrem.

 

Há, certamente, costas como as de Valdewalla, Istadt e Karlsberg na Suécia e a de Cedarslund na Christiania, que mostram grandes depósitos de fósseis marinhos de mais de 200 metros de altura. Não podemos deixar de relacionar a primeira elevação que construiu as ditas formações montanhosas, com o segundo continente da Doutrina Secreta; e a imersão subsequente que colocou as supraditas formações debaixo d’água, pondo-as em condições de serem o leito marítimo daqueles seres pelágicos hoje fossilizados, com a elevação contrária que, além em latitudes meridionais, devia ocasionar, como veremos adiante, o terceiro continente ou da Lemúria. Quanto ao fato que concorreu para a elevação ao nível do mar ártico das ditas montanhas escandinavas, já sobrecarregadas com os citados fósseis, pode relacionar-se com a formação do quarto continente ou atlântico, que segundo é ensinado naquela obra, tinha seu limite Nordeste para aquela parte, sendo a lenta descida atual um movimento relacionado já com os futuros destinos geológicos do continente que habitamos.

 

Platão, como Iniciado que era, soube cantar, ainda que veladamente, as excelências perdidas daquele paraíso hiperbóreo, como uma terra feliz, vizinha à dos Deuses, em que o Sol não se ocultava durante a metade do ano. Suas descrições, lidas com as chaves esotéricas, estão mui acima de quanto souberam os gregos a respeito do passado de um clima, já tão inóspito em seus dias como nos presentes.

O extremo limite meridional do dito continente não constitui, em verdade, o terreno siluriano, mas sim o último, ou menos antigo, dos terrenos primários; o terreno permiano que, por singular coincidência, falta em todo o Oeste da Europa, como região cujos afloramentos atuais se devem, mais à imersão hiperbórea, à ulterior da Atlântida.

 

 

Mesclados de estratos maiores ou menores de terreno silurico, vemos espalhados por toda Europa, os vestígios dos terrenos devonico e carbonífero, entre o silurico e o permico. O devonico do Sul dos Grampians e Galles; o do Oeste da França (Morbillan); o espanhol de León, Asturias e Serra Morena; o da direita do Rheno e aquele que na Bélgica e Norte da França enquadra as grandes bacias carboníferas conhecidas, e por isso mesmo, desnecessárias de enumerar.

É verdadeiramente singular o terreno permiano. Batizado assim, mercê à cidade russa de Perm que nele se assenta, próximo da bifurcação mais típica dos Montes Urais, parece separar, por uma imensa faixa que chega até o Cáspio, o terreno granítico e silúrico russo escandinavo da grande depressão geográfica que se constata desde o Mar Cáspio até a desembocadura do Obi, depressão formada por todos os afluentes deste imenso rio, que serve de fronteira entre os restos do grande continente hiperbóreo e a ulterior emersão ária ou da Ásia Central.

Ao abandonar definitivamente os terrenos primários, devemos consagrar uma lembrança aos vestígios que deixaram os mesmos, por Nubia e Abissínia, na África e – em uma terra geologicamente tão jovem como é a zona andina da América do Sul – no típico terreno de Minas Gerais (Brasil), com orientação parecida com a dos Alleghanys nos Estados Unidos, ou seja, a de Sudoeste a Nordeste, tal como se essas montanhas concorressem de mui longe para o continente ártico, a guisa de alinhamentos, ligadas com as de Groenlândia e Islândia, a menos que a interposição da vastíssima bacia do Atlântico, em consequência da emersão e imersão ulteriores de seu respectivo continente, não permitem, à primeira vista, ao menos, identificá-las como partes extremas do velho continente hiperbóreo.

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Antes de falar do terceiro continente ou lemuriano, convém consignar de passagem, algumas idéias que em nossos dias começam a ser aceitas entre os geólogos. Por importante que seja a água nos proteismos evolutivos do planeta; por mais extensa que seja a zona terrestre coberta de mares e a grande profundidade de alguns destes, é um fato que a partir de um nível geral, pouco ou nada superior a oito ou dez quilômetros sob a superfície marítima, a terra é um esferóide completamente coberto por uma capa solidificada, análoga à película de toda massa esferoidal fundida, quando chegou a certo grau de esfriamento, enquanto que o mar é um mero acidente da dita crosta.

Isso quer dizer que, o mar mais extenso e profundo, por exemplo, o Pacífico, não passa de ser, geologicamente, uma espécie de lago, enquadrado pelos Andes, o maciço antártico e as cordilheiras fronteiras de nosso velho continente e, isso é tão certo, que desde os mais elevados lagos de montanha, como o Titicaca e os dos Alpes, se passa até ao tipo do lago pelágico, valha a frase, ou seja, o Oceano, por uma gradação insensível, de que servem de exemplo, o Aral, o Cáspio e ainda o próprio Mediterrâneo, lago também em alguma época, de acordo com a lenda de Hércules.

A aplicação das hipóteses astronômicas às geológicas a respeito da formação da Terra, supõe para esta uma origem ígnea seguida de um progressivo e secular esfriamento produtor da película sólida de nosso esferóide, tanto nas partes que afloram ao nível do mar, quanto naquelas outras, quatro vezes mais extensas, que constituem os leitos marítimos.

Por conseguinte, devemos admitir, de acordo com as mais antigas e também com as mais recentes teorias geogênicas, que possua a Terra um núcleo metálico ou careça dele, existe debaixo de nossos pés, como debaixo das bacias marítimas, um verdadeiro oceano de fogo, sujeito a leis que são pouco conhecidas, porque a colossais temperaturas se juntarão pressões enormes, realizando o ideal químico de uma matéria sujeita, ao mesmo tempo, às leis dos gases e as dos sólidos. Deixando de parte as confirmações dessa teoria, deduzidas dos últimos fenômenos sísmicos, por não ser essa a nossa incumbência de hoje, encontramos, pois, que a crosta terrestre está apoiada, não em um oceano de água, mas de fogo e sobre este fato fundamental se há de apoiar todo o mecanismo das formações continentais.

Supondo-se sobre o dito mar ígneo uma primeira capa sólida, tal como parece ser o granito, todos os aparatosos fenômenos de elevações e desaparecimentos de continentes podem reduzir-se a leis mui simples, a meras oscilações ou balanços análogos aos de um navio no mar, salvo as naturais diferenças de espaço e tempo. De acordo com as leis volumétricas bem conhecidas, é natural que uma vez formada a primeira capa sólida do esferóide terrestre, as contrações de volume, devidas a esfriamentos sucessivos, propendessem a imprimir-lhe uma forma tetraedica, porque entre os sólidos de igual superfície, a esfera é a forma de maior, e o tetraedro a de menor volume. Hoje mesmo, em um globo de relevo, podemos apreciar esta última forma com os quatro vértices correspondentes, um no maciço asiático, outro no europeu, um terceiro na América do Norte, e o quarto no continente antártico. Nossos mares representam as faces correspondentes do tetraedro.

Prescindindo das erosões produzidas na superfície terráquea pelos agentes exteriores, as ações desconhecidas devido à diferente condutibilidade dos sólidos e líquidos para o calor, devem imprimir na superfície interior da crosta sólida que toca com a massa ígnea imediata, fenômenos seculares de variação de volume que transformando as leis de equilíbrio, façam oscilar as massas continentais, como os braços de uma balança quando se mudam os pesos de suas conchas. Que algo semelhante deve ocorrer nos continentes, parece indicar a própria orografia, pois em lugar de estarem colocadas suas cordilheiras principais para a metade da superfície continental, acontece que se apresentam muito mais perto de uma costa que de outra, tal como o barco que rara vez se afunda guardando a posição horizontal e inclinando-se sempre sobre uma ou outra borda. Assim o barco asiático aparece afundado do lado Sudeste, o europeu do lado Sul e o americano do lado do Oeste.

Supondo-se a continuidade da crosta sólida terrestre sobre e sob o mar, e a tendência deste a cobrir as partes mais baixas, um mero balanço, insensível para o centro e apenas de uns milhares de metros para os extremos, foi suficiente para estabelecer a solução de continuidade ou o enlace do continente hiperbóreo com o seu sucessor, o lemuriano ou antártico. O mesmo movimento que sepultou a parte central do primeiro, ora de Groenlândia, ora de Spitzberg, ergueu o segundo com o centro para Austrália e Nova Zelândia ou Madagascar. Grande parte das comarcas intermediárias, tais como as vizinhas ao Mediterrâneo e aos Estados Unidos, puderam ficar incólumes ou pouco sofrer com um e outro fenômeno. A grande abundância de terrenos secundários (triássico, jurássico e cretáceo), na Espanha, França e algum outra região, talvez esteja mais relacionada do que se crê, com a sua própria posição geográfica para a metade do caminho entre ambos os centros continentais.

Chegados aqui, sai-nos a caminho, uma grande dificuldade geológica e paleontológica, porque excluídos os seres primordiais, cuja vida se desenvolveu, indubitavelmente, debaixo das águas do mar, os fósseis dos terrenos ulteriores, ora vertebrados, ora moluscos, correspondem a seres cuja vida foi marítima para uns e terrestre para outros; porém, admitidas as teorias continentais que antecedem, os fósseis marinhos que apresente um terreno, tais como os moluscos, devem logicamente datar de uma época anterior à dos fósseis terrestres que pode apresentar o mesmo terreno, embora estejam mais ou menos confundidos com eles. Por exemplo, não devemos atribuir os moluscos marinhos encontrados na Austrália como se faz, ao terreno secundário, em cuja época já havia saído do fundo do mar o continente lemuriano de que a Austrália fez parte, mas à época primária ou de maior esplendor do continente hiperbóreo, na qual a futura Lemúria antártica jazia debaixo das águas, em condições adequadas para semelhante fauna pelágica. Do mesmo modo, o peixe siluriano não pertencerá, talvez, ao período siluriano, em que o continente hiperbóreo já havia aflorado à superfície das águas, mas sim, a uma época anterior; a da Ilha Sagrada, por exemplo, ou época primordial, como diríamos nós. Os peixes atuais aparecerão algum dia como fósseis nas sedimentações de um continente – futuro leito de mares, juntos ou mais ou menos confundidos com os da fauna terrestre correspondente a esse continente, dos quais estarão separados, entretanto, por um imenso período.

Não há que dizer se este critério tão elementar introduz ou não uma profunda modificação nas nossas idéias sobre paleontologia. Um laberintodonte ou um microlestes do período triássico, um como anfíbio, outro como mamífero, estão provavelmente separados das trigonias e posidonias, que se incluem no mesmo terreno porque nele se vêm juntos por um abismo de milhões de anos; as segundas viveram sobre tal terreno enquanto ele esteve sob as águas, enquanto que os primeiros se desenvolveram sobre o mesmo quando já havia surgido à superfície. Daí, o dever de nos impormos uma grande cautela para julgar a respeito da simultaneidade da vida por encontrarmos fósseis de habitat diferente na mesma jazida, prescindindo da diferença de meio, e portanto, de tempo, que tal coincidência de estarem juntos na mesma camada, obscurece.

De acordo com estas idéias, há que distinguir em cada formação dois períodos sucessivos: um, o de sua sedimentação marítima, caracterizada por fósseis pelágicos, tais como peixes e moluscos, e outra, o de sua elevação, indicado por fósseis terrestres tais como os mamíferos, resultando assim dos tempos do primeiro continente desconhecido, todos os fósseis marinhos do período primário até o terreno de Perm; dos tempos do segundo continente ou hiperbóreo, todos os fósseis marinhos classificados hoje como secundários; dos tempos do terceiro continente lemuriano, todos os fósseis de igual classe atribuídos hoje à época terciárias, etc.; ou, em resumo, todo terreno mostra em seus fósseis aqueles dois períodos e é preciso distinguir, como nos seres vivos, o tempo que pudéssemos chamar da gestação de cada terreno nos profundos seios dos mares e, o tempo ulterior de seu nascimento sobre as águas, ou seja, já com fósseis terrestres.

Não vamos repetir aqui quantas demonstrações se tem feito, desde Lamark e Darwin, a respeito da existência do grande continente lemuriano. A fauna e a flora da Austrália, com o que conhecemos do maciço antártico, revelam uns tipos completamente distintos da fauna e flora boreal. Muitos escalões perdidos destas se acham entre os tipos fósseis atuais daquela, como se entre ambas mediasse um abismo em espaço e tempo, sendo a Índia a única região da Ásia que se relaciona mais de perto com o dito continente australiano-mascarenho. O cume mais típico, talvez, dos poucos que perduraram fora das águas desde aqueles dias, é o da Ilha de Páscoa, tão rica, além disso, em monumentos arqueológicos.

O continente lemuriano, entretanto, não apresentou fósseis humanos para a ciência, pelo que, ainda que esta o admita pelas ditas razões, não o aceita como berço de seres humanos, apesar das tradições orientais e os anais religiosos, conservados no Adyta de certos templos tibetanos, nos falarem dele como sendo o primeiro continente habitado pelos homens mais parecidos aos da época atual e separados já em sexos, depois de um longo período em que foram andróginos, como tantos outros organismos em seus primeiros períodos e como o próprio feto humano, antes do quinto mês de gestação. Essas pobres raças de papuas e tasmanios, próximas da extinção, são os restos degenerados dos que formaram outrora opulentos impérios, dos quais nada sabe a nossa ciência contemporânea, como não sabe, tampouco, dos ulteriores que floresceram na Atlântida, o primeiro, todavia, dos continentes históricos cujos ecos chegaram até Platão.

Copiemos a conhecida passagem do Timeu, onde se fala da grande catástrofe do afundamento da Atlântida, de que conservam lembrança todas as grandes religiões, embora que o tenham desfigurado sob o véu do mito, tal como sucede com a própria Bíblia na passagem saída do Egito e da catástrofe de Faraó.

Um dia em que Solon conversava com os sacerdotes de Sais a respeito da história dos Tempos Remotos, um deles lhe disse: “Oh! Solon, Solon, vós os gregos, sereis sempre crianças. Nenhum de vós deixa de ser frívolo e inexperiente em tudo quanto concerne às tradições antigas. Ignorais o que foram aqueles heróis de que sois a progênie degenerada.”

“O que te vou relatar remonta a nove mil anos. Nossos livros contam de que maneira resistiu Atenas aos ataques de uma potência formidável que, vindo do mar Adriático, invadiu uma grande parte da Europa e da Ásia, porque o Oceano de então, se podia atravessar com grande facilidade. Em frente as embocaduras que chamais Colunas de Hércules, existia uma Ilha maior do que a Líbia e a Ásia reunidas e os navegantes de uma e outra passavam até o continente fronteiro que bordeia aquele mar.

Nesta ilha, Atlântida, viviam reis célebres por seu poderio e tinham fundado um império que abarcava toda a ilha e suas vizinhanças. Os ditos senhores dominavam da Líbia até o Egito e Europa até o mar Tirrênio. Um dia pretenderam subjugar aos povos aquém das Colunas de Hércules, e então foi quando a vossa cidade mostrou todo seu valor, arrostando os maiores perigos e restituindo a liberdade a todos os povos de aquém.

Os tempos que se seguiram, foram caracterizados por grandes terremotos e inundações. No espaço de um dia e uma noite terríveis, todos os guerreiros que haviam chegado até a porta de vossos lares, foram tragados pelo abismo. A ilha Atlântida desapareceu sob as ondas do mar e daí vem que hoje não se pode explorar senão o mar que a cobre”.

Existem livros meramente intuitivos, ou seja, desprovidos do que chama a nossa jovem ciência “fatos positivos ou experimentais”, que descrevem com preciosa amplitude o nascimento, prosperidade e ruína daquele povo gigantesco (3). Suas páginas estão implorando um canto épico superior ao de Verdaguer e ante elas empalidecem as formosas páginas do Pentateuco, relatando a passagem do Mar Vermelho pelo povo de Israel, conto simbólico que encerra o mesmo significado esotérico de um povo como o atlante, que atingiu as raias do saber e os abismos da magia negra mais horrenda e que foi sepultado no mar pelo que se pode chamar “a cólera do céu”. Os trenos comovedores do Dies irae, em que a Igreja junta o testemunho de David ao das Sibilas pagãs e o elegíaco canto do Sábado Santo e sua “Noite Terrível”, são outros tantos ecos longínquos, divinos, porém mui adulterados, daquele momento típico da história do Planeta, em que o mundo atlante da força deu lugar ao mundo ário do Amor, carregado das ubérrimas promessas do Destino, que se chamaram logo hindus, caldeus, egípcios, gregos, romanos e os que formam os povos modernos.

Ante a ligeireza com que Humboldt trata este problema, eleva-se o testemunho unânime da tradição e ainda o da ciência.

Tertuliano, Marcelo, Possidônio, Philon, Ammiano Marcelino, Dicearco, Manethon e outros tantos, são contestes com as revelações dos sacerdotes de Sais. Zaborovoski, em seu livro L’Homme prehistorique, demonstra que a geologia do Mediterrâneo está ligada com a da Europa, do Norte da África e leste dos Estados Unidos, nas três formações terciárias: eocena, miocena e pliocena.

As relações pliocenicas da Europa e a América Setentrional, estão fora de dúvida, com as suas espécies idênticas de plantas, insetos, pássaros não emigrantes e peixes de água doce. A Etnologia prova a identidade de raça dos guanches cromagnones canarios, de um lado, com os líbio-iberos, nossos antecessores, e do outro com os povos peruano, mexicano, vasco, fenício, etrusco e egípcio, sendo as invasões árias de época mui posterior. A civlização egípcia e a dos povos americanos, tais como os astecas e incas, guardam pasmosas analogias, como o provam as pirâmides ou Câmaras de Iniciação de uns e outros, cousa fora de dúvida, depois dos estudos de Nadaillac, Chatellier e Nevoberry, e sobre os índios americanos os de Bory de Saint-Vincent, Tournefort, Mentelle, Böer e Gafaert, segundo eruditamente se demonstra na obra Iberos e vascos, de J. M. Pereira de Lima, que temos à vista. O mapa batimétrico ou de profundidades marítimas que traz a dita obra, é um precioso documento que nos mostra a destruição e desaparecimento das terras atlânticas, desde Espanha até o Golfo do México. Entretanto, afloram seus cumes para os Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde, cujo estudo geológico, do mesmo modo, é de um interesse excepcional.

Desde então, acreditou-se que o afundamento atlante afetou somente a extensa região do Oceano de seu nome. Nós, todavia, suspeitamos que tamanho fenômeno geológico afetou a toda zona equatorial da Terra.

A batimetria do Norte do Pacífico nos mostra entre Japão e Califórnia a enorme depressão marítima da Tuscanora, guardando analogias de profundidade e situação com a oriental do Golfo das Antilhas; entre uma e outra depressão, se elevam normalmente os Andes americanos. Esta formação quaternária é uma verdadeira dobra terrestre, elevada de Norte a Sul, à custa das duas grandes depressões citadas, do Atlântico e do Pacífico. Para a primeira depressão contribuíram, do lado contrário, os Alpes e Pireneus e para a segunda depressão auxiliaram as elevações do Himalaia, China e Indochina. A zona vulcânica, desde as Molucas até Alasca, através das Filipinas e o Japão, está por isso, intimamente relacionada com os vulcões dos Andes, como estes estão para o outro limite continental, com o Ecla, o Teide e a zona vulcânica armênio-mediterrânea. O que importa dizer, que todos os vulcões de nosso planeta estão ligados geologicamente com tamanho afundamento continental, que foi, em ponto pequeno, para a Terra, algo semelhante ao vulcanismo lunar que, muito mais intenso, deu à Lua a desolada e morta fisionomia que hoje nos revela o telescópio.

Morreu, pois, o continente atlante nas mãos do continente ário atual, como o continente hiperbóreo sucumbiu, mercê a elevação lemurica e os ensinamentos dos Templos orientais alcançaram muito mais longe que a nossa novíssima geologia, na sondagem do passado de nosso planeta… É um fenômeno natural… que se repete sempre. Quando remontamos do fundo e obscuro vale da nossa ignorância de bestas humanas em divina evolução, para as alturas de novos ideais científicos, nos vemos surpreendidos, não só pelas perspectivas do vale que deixamos às nossas costas, como também, pela de outras alturas separadas da nossa por outros vales que a Humanidade outrora abandonou. Por isso, se nas épocas de ignorância, a Humanidade pôde chorar, com o clássico, no vale da dor, as épocas das grandes culturas e das brilhantes conquistas são a realização bendita do mito de Prometeu que, escalando a altura do saber, roubou o fogo divino da inteligência a uns deuses invejosos e egoístas, para enriquecer com ele a uma Humanidade desvalida, redimindo-a, como fazem todos os redentores, à custa de seu sangue e de sua vida.

Mario Roso de Luna

 

 

(1) O presente artigo, é a tradução do capítulo da obra Hacia la Gnosis, que tem por título Las ensenanzas orientales y la Geologia e por subtítulo Los três continentes: Hiperboreo, Lemuriano y Atlante. É uma das maravilhosas jóias literárias do insigne Teósofo e polígrafo Dr. Mario Roso de Luna, para a qual chamamos a atenção dos nossos ilustres leitores. – N. da Redação.

(2) Depois que foi escrito este artigo, outros exploradores tentaram a arriscada investida contra “o mistério polar”. Dentre eles, figura o célebre explorador norueguês Amundsen que afirmou ser o Polo situado num oceano livre – no que discordaram vários cientistas.

Digno de nota, porém, o seu gesto incomparável indo a procura do General Nobile e seus companheiros, perdidos entre as neves eternas das regiões polares, cujo gesto lhe causou a perda da vida. Quanto a este último – como é sabido – além das várias perdas de vida, sofre moralmente, neste momento, pelas várias acusações que pesam sobre a sua pessoa, segundo o inquérito instaurado para averiguar do fracasso de sua missão. De nada lhe valeu a “cruz” que lhe ofereceu o Papa para ser atirada quando passasse sobre o Polo. – N. da Redação.

in Revista Dhâranâ nº 49 a 51 – Janeiro a Março de 1930 – Ano V

CONTRIBUIÇÃO À BIOGRAFIA DE HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA

CONTRIBUIÇÃO À BIOGRAFIA DE HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA

(por Martha Queiroz)

 

                                       EIS A LUZ DO OCIDENTE

    Teria sido há séculos? Há milênios? Teria sido num lugar ermo do longínquo Oriente? Não. Foi aqui mesmo. Foi neste século da ciência, da experimentação, do racionalismo. Faz pouco tempo. Foi na madrugada de 9 de setembro de 1963, Segundafeira, lunedia, na capital de São Paulo, que se extinguiu uma vida humana, uma personalidade das mais estranhas, na atualidade. Permanece viva, entretanto, uma individualidade ímpar, por isso que vida e morte nada mais são que etapas de atividade em planos diferentes. Às 18 horas daquele triste dia era sepultado no cemitério de São Lourenço, Henrique José de Souza. A multiplicidade de aspectos da personalidade era o que mais o diferenciava dos demais. A 15 de setembro de 1883 a família Souza recebeu, na capital da Bahia, mais um ilustre membro. Não era uma criança que surgia. Era um dínamo em potencial para o brasil, para o mundo. A lei de causa e efeito, assim o determinara. Ex Occidente Lux substituía o Ex Oriente Lux. Sim, a luz do Oriente mudara-se para o Ocidente. O berço dos Avataras, dos iluminados, dos mestres, dos Budas passara a ser a nova terra – a América, o Brasil! E aqui, uma formosa cidade chamada do SALVADOR, por lei de causalidade, porque todo efeito tem uma causa e toda causa gera um efeito. O efeito, o grande efeito estava realizado: nascera, viera ao mundo das lutas um gênio, um mestre, um ser de compaixão, e portanto um incompreendido. Até então coubera ao Oriente a missão de emitir ciclicamente fachos de luz espiritual, centelhas do grande fogo cósmico gerador da inteligência, através de representantes humanos dos mais elevados planos de consciência. Quem são esses homens geniais que marcam pelo brilho de suas prodigiosas mentes a noite de nossas ignorância? A História pouco sabe a respeito deles. A Doutrina esotérica fala-nos que procedem da Ilha Imperecível, da Agarta, situada no Coração da Terra; de certo ponto cósmico, refletido no centro de nosso planeta, vêm ao mundo para trabalhar com a Lei, pelos seres humanos. Surgiam pelas terras do Oriente. Hoje mudou o sentido. De certo ponto cósmico, refletido em outra zona geográfica continuam a brotar as sementes divinas que se apresentam agora no Ocidente. A humanidade é uma sucessão de etapas de um grande programa cósmico, para cuja realização a Lei envia periodicamente mestres, manus e avataras. A História da evolução do homem, a que se aprende nas escolas e se lê nos livros, é falha imperfeita, porque organizada à base de dados exteriores pela aparência de fatos, sem conhecimento das verdadeiras causas. Raros estudiosos, os mais intuídos, alcançam parte da verdade, a respeito das origens do globo terrestre e dos seres que nele habitam.

                                                 MENINO PRODÍGIO

Mas, voltemos à criança que viera ao mundo em 1883 e que regressou aos seus penates em 1963, após intensos 80 anos de vertiginosa atividade. Desde cedo, apresentou peculiares características, observadas a princípio com estranheza pelos que o cercavam, tornando-se com o tempo, habituais aos seus parentes e pessoas mais chegadas. Prever fatos, curar doenças pelo toque de suas mãos, perfumar os objetos que tocava, ver o que não vê, pelo sentido da vista, eram manifestações do seu poder, repetidamente verificadas por amigos e membros de sua família. Essas , porém, eram apenas manifestações exteriores, acessíveis aos olhos de todos. Faziam parte do impulso vital que trazia, da centelha de vontade que nele brilhava como característica mais importante de sua individualidade.

                                           HOMEM – FENÔMENO

Muito tem sido dito a esse respeito. Preferimos hoje citar outras manifestações acontecidas em hora de sua maturidade, do período em que, com meus próprios olhos, com ouvidos atentos, pude observar a criatura que conheci sob o nome de Henrique José de Souza. E não só na personalidade se observava a diferença: os ensinamentos que nos dava, aparentemente desordenados, ora intempestivos, sob uma didática toda especial, ocasionavam impactos mentais e emocionais que indigestaram muita gente e maravilhavam seus discípulos. Todavia, era natural no falar, humilde no fazer, gentil no ensinar, amável quando precisava reclamar, espontâneo para perdoar. Iniciava a palestra a propósito de um assunto em evidência nos jornais ou de simples conversa e, repentinamente lampejava suas maravilhosas revelações, em qualquer ramo do conhecimento, conforme a tônica do ambiente. Essas revelações explicavam sua personalidade, definiam sua individualidade, tornando-a inteligível para seus discípulos, a quem, com a humildade que ra peculiar, chamava de “irmãos”, incentivando-os à ação, ao estudo, estimulando o discernimento. Sempre desejei aprender mais e mais. A oportunidade de conviver 26 anos com um Mestre e que era antes de tudo um paradoxo, um feixe de problemas e, como ele próprio dizia, “O maior dos absurdos”, estimulava minha mente. Apreciava eu os fenômenos, os fatos estranhos que se sucediam dia a dia, meses e anos. Imprevisíveis, diferentes, numa faixa que se alargava cada vez mais, um caleidoscópio que apresentasse combinações inesperadas e novas. Aprendia pelos ensinamentos e pela vivência extraordinária, e anotava em meu subconsciente, para explicação posterior, tudo que, no momento, não pudesse compreender.

                                       CAMINHO DA INICIAÇÃO

Deixara eu o Catolicismo, em cujos dogmas não encontrara explicações para meus problemas interiores. Caíra nos caos da dúvida. Reagia, entretanto, contra a idéia da falta de continuidade da vida humana, tal como os materialistas a consideram. Não admitia que a mente, característica do ser humano, terminasse com a morte. Apresentavam-me algumas pessoas, nessa época, aspectos do espiritismo, mas sua ideologia não me bastava e muito menos suas práticas. Debatia-me nessa ânsia interior, quando alguns sonhos, algumas manifestações psíquicas, desdobramentos (que eu desconhecia por completo) endereçaram-me para a grande porta que se abriria pouco depois para mim. Era uma verdadeira iniciação que eu recebia sem o entender. Eis que certo dia, no Rio, convidaram-me para uma conferência, exaltando-me o assunto e o conferencista. Era na Sociedade Teosófica Brasileira, na Rua Buenos Aires, 81, onde ainda hoje funciona. Hesitei em ir, mas a afirmativa de que essa associação desaconselhava a provocação de fenômenos anímicos, erroneamente chamados espíritas, tão comuns às sessões dessa natureza e que repugnavam a meu modo de pensar, decidiu-me. Fui e lá fiquei até hoje. Era o que eu sempre tinha procurado. Era a resposta a meus problemas, senão hoje, mas amanhã ou depois, quando o amadurecimento, progressiva e normalmente, se processasse em minha evolução pessoal. Primeiro, o conferencista de escol Cuja memória exalto neste momento – Antonio Castaño Ferreira.

Depois, finalmente, o Homem-Fenômeno: Henrique José de Souza, o Professor, como o chamavam e como o chamei até o fim. Bastava-lhe esse título, sob o qual se ocultavam todos os demais. Títulos imensos para funções transcendentes. Na Sociedade Teosófica brasileira, nome que recordava a Grécia, e que dela trazia o impulso da beleza e sabedoria, aprendi o que fosse a verdadeira reencarnação, vulgarmente citada mas pouco entendida e que explica a maior parte dos fatos da vida dos homens. Tomei conhecimento da lei da causalidade que encadeia as coisas do passado em seu itinerário para um futuro. Recebi o “conhece-te a ti mesmo”, como única chave de progresso pessoal. Ensinaram-nos métodos específicos de evolução e, como a infantes, nosso Mestre nos ia levando pela mão, orientando-nos, avisando-nos, protegendo-nos, defendendo-nos, corrigindo-nos. E dele, como instrumento ímpar, irradiavam-se vários aspectos da sabedoria integral ou Teosofia, atualizada, adequada à era vigente. Assim cheguei, por minhas próprias possibilidades, fortemente pressionadas pelos métodos singulares do Professor, à convicção de que estava lidando realmente com Seres que só de longe passam pela face da terra. E agora achava perfeitamente naturais todas as maravilhosas coisas a que assisti e que num ligeiro bosquejo passo a apresentar, talvez desordenadamente mas deixando-as fluírem espontaneamente de minha memória.

                                                FASE FENOMÊNICA

Henrique José de Souza possuía visão ampla e total das coisas, seres munidos, sistemas, universos. Descrevia-os constantemente e o que nos deixava mais perplexos é que do seu ponto de vista, sintético, apresentava-nos o que via, como se todos nós pudéssemos acompanhá-lo integralmente nessa percepção. Dispunha, é claro, de outros órgãos de percepção além dos cinco sentidos. Aplicava-nos métodos para que desenvolvêssemos os outros dois que caracterizarão o futuro da humanidade. Métodos que utilizavam cores, formas, sons, perfumes, palavras, atitudes, idéias. Manejava as matérias física, astral e mental como um desenhista experimentado utilizava seu lápis, com a perícia e a paciência do escultor que modela sua obra prima. Dominava as leis da matéria mas só exercia esse poder em proveito da Lei. Era-lhe inato esse conhecimento, mas não devia infringir o estabelecido, sem razões muito fortes, e somente para favorecer a evolução. Trazia um programa que deveria cumprir a todo custo. Não tinha horário. Pouco dormia, pois era curto o tempo para cumprir seus deveres, transmitindo lições, oralmente e por escrito. Gostava de Ter perto de si alguém esclarecido para transmitir certas comunicações a determinados irmãos. Diariamente escrevia à máquina para registrar no papel o que precisava dizer. Muito sofreu também por dificuldades financeiras. Certa vez, no rio, acompanhado de sua esposa e de um instrutor, sua Coluna, parou em frente de uma casa de câmbio. Na vitrina reluziam várias moedas de ouro. Olhou-as e logo duas delas sumiram por encanto. Então, apresentou uma delas à d. Helena e outra ao TAG. Obteve-as pelo processo de desmaterialização e posterior materialização, através do espesso vidro protetor. Entretanto, avisou: Vão lá pagar, porque senão é roubo. Possuía o poder, não o direito de realizar tal coisa.

                            TRÊS ESPÉCIES DE MATERIALIZAÇÕES

No campo das materializações, que a ciência hoje ou amanhã explicará devidamente, longa é a relação das que presenciei: flores, medalhas, livros, pedras de vários locais e aspectos, perfumes, fitas de graus e ordens, cruzes cristãs, pétalas de lótus, brinquedos, leques, comendas, areia de Itaparica e de outras praias, pomadas para determinadas doenças, pregos, parafusos, bandeiras brasileiras. As mais belas e freqüentes, o que bem demonstravam o valor que atribuía ao brasil, era as da bandeira nacional. Uma delas estava guardada em sua escrivaninha, e dela saia várias vezes em manifestações de caráter cívico, quando se tratava de homenagear nossa Pátria e os que por ela trabalham. Arrancou-a cera vez de sua carne, de seu peito, num esforço e entusiasmo que impressionaram todos que a isso assistíamos. E éramos muitos, em época de uma de nossas Convenções, realizadas aqui em São Lourenço. Parecia que a bandeira saía do interior de sua própria carne, como um filho se desprende de sua origem materna. Era uma exaltação integral ao Brasil, Pátria do Avatara Maitréia. Havia materializações de três espécies: as que ele mesmo provocava; as que se processavam espontaneamente, quando em curso algum ritual em que isso viesse patentear alguma coisa, documentando-a; e aquelas que eram apenas o transporte de objetos que seres de categorias diferentes lhe vinham trazer. Cita-se a devolução de objetos perdidos: canetas, jóias, chaves, óculos, papéis, passagens, documentos, retratos, medalhas. Abrir portas sem a chave fazia parte desse tipo de fenômenos. Pessoa muito conhecida em São Lourenço e já falecida, precisou certa vez retirar de um cofre algo de importância. A chave estava com alguém que viajara. Havia imediata necessidade dessa abertura. Veio implorar ao Professor que a ajudasse nessa emergência. Pois bem, ele foi atendê-la e abriu naturalmente o cofre. “Não vá agora trancá-lo de novo”, avisou. A senhora emocionada e nervosa, agiu por impulso contrário: fechou-o novamente. Sem perder a paciência, o Professor abriu-o um Segunda vez, dizendo que não abriria uma terceira vez. Tudo isso, entretanto não me espantava. Sabia porque ele realizar tais fatos. Estavam dentro de uma ordem preestabelecida. Algumas das materializações se revestiram de circunstâncias de maior significação emocional. Um momento mais solene, uma hora de maior aplicação, um instante imprevisto, e a emoção se apoderava dos assistentes causando pranto coletivo inexplicável. Muitas dúvidas também derivaram da constatação desses fenômenos, provocando afastamento de membros da S.T.B.

                              MAGIA MENTAL – MANAS TAIJASI

Algumas pessoas curiosas e indiscretas vinham pedir-lhe que realizasse fenômenos ou materializações para que sua curiosidade fosse satisfeita. A uma delas, mais impertinente, respondeu: “Não sou saltimbanco, não vivo de fazer mágicas”. Certa vez, estudávamos, na sede do Rio, um assunto histórico. Havia dúvidas e algum debate. Nosso Dirigente observava-nos um pouco de longe, sem opinar. De repente os mais sensíveis sentiram algo diferente no ar que nos envolvia e o olhar agudo do mestre acompanhou qualquer coisa para nós invisível. Esta pousou, ou antes foi posta no alto de um quadro, na parede da sala, representando o Buda. Era um pequeno rolo amarrado com uma fita amarela. Com autorização do Professor, alguém subiu a uma mesa e retirou o rolo. Era uma página de livro, não existente em nossas bibliotecas, esclarecendo o assunto discutido. Livro do mundo dos jinas, outro tipo de , a sementeira aproveitável, desta, em preparo para a nova civilização. A referida página permanece em nossos arquivos, destinados aos que cursam nossa escola iniciática, nos seus quatro graus. Há um livro chamado a “Imitação de Cristo”, de autor desconhecido. O Professor dizia-nos lamentar não possuir um exemplar dessa obra, reputava de grande mérito. O assunto fora trazido à baila por um dos presentes naquela tarde, na sede do rio. Nem fora o Professor quem iniciara. Fez uma pausa, a que já nos acostumáramos , obrigando-nos a ficar atentos. Abriu as duas mãos, juntado-as… e o livro, que tanto desejara estava sobre elas, com uma dedicatória comovente e respeitosa de certo Ser de nosso conhecimento. Passou-o a um dos discípulos presentes e pediu que o guardasse após Ter sido devidamente examinado por todos nós. Morrera uma irmã dedicadíssima à Obra, e figura de relevo em nosso Movimento. Era o dia de uma homenagem e não quisemos avisar nosso Mestre para não entristecêlo, Santa ingenuidade! A mesa da diretoria estava ornamentada com uma cesta de flores em forma de coração. Ao iniciar a sessão, o professor que sempre a abria retirou de dentro das flores uma medalha e mandou que determinados membros presentes fossem levá-la à Irmã falecida, para que acompanhasse nessa despedida. Foi uma hora de emoção. E assim se fez. Essa medalha voltaria a aparecer, entre nós, várias vezes depois, veiculada sempre pela irmã que a levara para o túmulo e que, apresentando-a documentava sua viva presença. Essa medalha estava muito ligada à vida do Padre Anchieta, à falecida, à nossa Obra e ao Brasil.

                JHS RECEBE A VISITA DO PASTOR ANGELICUS

Uma das passagens mais curiosas é a que se refere a fatos da vida de Eugênio Pacelli. Nosso Dirigente vaticinou que ele seria eleito Papa. Durante seu papado, desencadeou-se a Segunda grande guerra. Seu trabalho foi muito dificultado pela conturbação mundial. A despeito de sua sabedoria e descortínio, muitas questões sociais e religiosas permaneceram sem solução. Os jornais noticiavam passagens da vida do Pontífice. Nós a sabíamos com antecedência, dadas pelo Professor As suas comunicações ocorriam graças à capacidade recíproca da percepção direta. Tivemos ciência da famosa manifestação do Cristo a Pio XII muito antes de ser divulgada pelos jornais de todo o mundo. Morrera Pio XII. Então deu-se o fato mais notável: em presença de algumas pessoas da terra, bem conhecidas, e de membros da família de Henrique José de Souza, materializou-se uma esplêndida cruz, das usadas por eminentes autoridades eclesiásticas. O próprio Papa falecido viera trazê-la. Também sua augusta presença foi constatada pelos circunstantes. Essa cruz é uma das relíquias de nosso museu. Depois, um belo terço foi materializado e oferecido à nossa dirigente d. Helena Jefferson de Souza. Como se explicariam tais relações entre um ilustre desconhecido cidadão brasileiro, chefe de uma quase desconhecida Sociedade Teosófica Brasileira, e o poderoso Chefe da Igreja de Roma? É tema para profunda meditação.

                         PREDIÇÃO DO REINADO DE PAULO VI

Depois de Pacelli, disse-nos o Professor, deverá ser eleito Montini. Não fora feito cardeal, não poderia ser candidato. Veio então, como transição, Angelo Roncalli, sob o nome de João XXIII, que preparou o caminho para Paulo VI. Muito poderíamos dizer acerca desses pontífices em relação com os primeiros Apóstolos Pedro e Paulo. Mas é assunto de nossas aulas internas. Há homens que renascem para ocupar seus lugares de guias espirituais da humanidade em suas horas mais difíceis.

 

 

 

                          ASCENÇÃO E DERROTA DO NAZISMO

1940-1944. A guerra ia acesa. A Alemanha avassalava o mundo. Hitler era o ídolo das multidões. Que era o gênio destruidor, sabíamos. Sua superioridade militar era cada vez mais nítida. O massacre dos judeus era a ordem do dia. O pretenso anjo vingador castigava um povo atribulado. Nossa confiança na democracia estava se tornando mais fraca a despeito dos avisos que recebíamos de longo em longe, como se merecêssemos sofrer as angústias da dúvida. Certo dia o Professor informou-nos: “A situação vai melhorar. Reparem o noticiário da imprensa nos próximos dias”. Curiosos, novamente animados em uns quinze dias constatávamos radical mudança nos quadros da guerra. Hitler, antes todo poderoso, agora hesitava. Ficamos sabendo que mesmo em guerra há leis. Anunciou-nos depois o Professor: “Aparecerão seres diferentes , em certa parte do mundo e auxiliarão os aliados”. E logo após os jornais publicavam que “Homens altos e estranhos, em massa, devastaram as hostes inimigas”. Graças a eles, os Aliados puderam vencer a épica batalha de Stalingrado. Sobreveio daí a total derrota do Nazismo. A propósito da moderna arrancada do homem rumo aos planetas, muitas lições recebemos do Professor. Algumas já forma comprovadas pela ciência, outras restam à margem para futuras verificações. Dizia Ele que o homem não devia buscar a lua. E explicava: Ela é o passado da Terra. È um cadáver sideral.

 

 

 

               TRANSFIGURAÇÃO – RADIANTE “BUDDHI TAIJASI”

Fala-se muito em iluminação. Teosoficamente, quando por meio de processos de ioga, o homem vulgar se transforma em homem integral, ilumina os sete princípios. A mente se ilumina. Mas, o que aconteceu em certa época, não muito remota, com nosso Mestre, foi diferente. Ele se iluminou tangivelmente aos nossos humanos sentidos. Ora se iluminava por dentro, como se fosse uma imagem dessas que vemos no meio de objetos religiosos; ora se iluminava em determinadas partes do corpo: mãos, coração, cabeça. No coração rutilava uma jóia, um grande rubi, meio púrpura, meio dourado. E durante vários dias, uma auréola circundou a cabeça do homem simples, prosaicamente sentado de pernas cruzadas, conversando, por vezes assuntos caseiros, sociais, do mundo humano em que vivia. Não era sobrenatural, acessível só aos videntes. Era visão física. Todos os presentes entendessem ou não do assunto, percebiam-no nitidamente. Cheguei a fazer em casa um “croquis”, um rudimentar desenho daquela visão maravilhosa. Ele só se apercebia disso pelos olhares estupefatos dos circunstantes. Queixava-se às vezes de que sua pela ficava queimada, como se estivera exposta ao sol. Não foi um dia ou dois; o fenômeno durou semanas, meses, sem ritmo certo, mas sempre, relacionado com a evolução da Obra nessa etapa. Sua luminosidade empolgavanos a todos.

         REPERCUSSÃO HIPERFÍSICA DOS MARTÍRIOS DA CRUZ

Quando, porém, nos dias tristes de sua vida e da Obra lhe sangravam a testa, as mãos e o coração, como inúmeras vezes se deu, a angústia nos envolvia. Entristecia-nos vê-lo a porejar sangue da fronte, das palmas das mãos ou avermelhando a camisa que vestia, à altura da ferida aberta em seu peito de menino pela ponta de uma lança de gradil, quando brincava n jardim de sua casa. O fenômeno sangrante, acompanhado de angústia, coincidia sempre com fatos graves, obstáculos difíceis no caminho. O mal estar que Ele sentia era tão intenso que nos contagiava e não sabíamos o que dizer ou fazer. Era esperar que passasse. Os motivos, ele os explicaria depois. Tudo isso acontecia em ritmo correspondente às várias fases da Obra. Tudo estava relacionado, embora os discípulos só mais tarde viessem a saber o porquê daqueles acontecimentos de múltiplos aspectos.

                                             CURAS MILAGROSAS

Curas de pessoas à morte, avisos de acidentes a que estivéssemos sujeitos, músicas que ele compunha conforme a hora e o que precisasse ser feito sem que nunca houvesse estudado música: letras para suas composições; talismãs protetores com indicação do material de que deveriam ser executados, hora e dia; levitações e sempre aulas e conselhos e recomendações.

 

 

 

                                                          LABOR

Mas horário para cumprir aquilo que considerava como determinação de Lei, não tinha , ou antes, o horário a que obedecia era regulado pelas leis cósmicas e não pelos nossos relógios. Assim, de repente, às duas ou três da madrugada, ou a qualquer hora, resolvia viajar, e o fazia de carro, com quem pudesse conduzi-lo naquele momento. Não viajava por prazer; sim por dever. Então, mesmo doente, passando mal, realizava a viagem que estava no seu programa, a despeito dos transtornos que isso pudesse causar na administração da família, que girava , aliás, em torno de sua Missão. E os motoristas que corressem, porque Ele tinha pressa! Era-lhe habitual interromper o sono para ir à sua máquina de escrever, ficando longas horas a datilografar os ensinamentos e as instruções que nos queria dar. Muitas vezes eram epístolas de difícil interpretação, que Ele dirigia ao instrutor mais graduado, a quem chamava de “Eco de Sua Voz”, para que este as transmitisse e as comentasse com esclarecimentos verbais aos discípulos de cada casa capitular.

                              SILÊNCIO PARA CONCENTRAÇÃO

Entre milhares de fatos curiosos, vejamos mais um: Realizava-se uma sessão interna que chamamos de ritual. Rio de Janeiro, vésperas de Carnaval. Lá fora, enchia os ares um pandemônio de gritos, buzinas, pandeiros, gargalhadas, cantorias, apitos. Nossa concentração se tornara impossível. Com um simples gesto, para nós inédito, e no momento apenas constatado, o silêncio se fez, e pudemos realizar a reunião tranqüilamente até o final. Depois então explicou-nos o que fizera. Tão simples, para Ele!

 

 

 

                                        MUNDOS SUBTERRÂNEOS

Ao falar-nos sobre os mundos subterrâneos, ilustrava-nos acerca dos Seres de várias hierarquias que os habitam e de suas modalidades de vida. Mundos em outras dimensões, onde nossos corpos físicos não poderiam ir. Grande preparo se fazia necessário e nossas condições de vida não o permitiam. Ele, entretanto, foi algumas vezes, em corpo físico, às regiões de Duat, Agarta e Shamballah – e dessas viagens fazia-nos relatos impressionantes. Para quem vive a três dimensões, respirando o ar que envolve a superfície da Terra, sabiam-nos à Ficção e pareciam-nos absurdos. Ele mesmo não podia permanecer lá muito tempo e na volta apresentava alterações em seu físico. Então relatava-nos o sucedido, aos poucos, como quem nos dá um remédio forte, em doses gradativamente crescentes. Mesmo com essas precauções, e apesar da viva autenticidade desses e de outros fatos maravilhosos, muitos alunos duvidaram e abandonaram a Escola. Alguns passaram até a combatê-la. Todos foram por Ele perdoados. Da aparente confusão do início da Obra, “um círculo com um ponto de interrogação no meio”, como Ele próprio dizia, as noções foram se tornando mais lógicas e claras até formar-se a história integral que era seu dever deixar para os que o acompanhassem até o fim de sua vida na face da Terra, lugar que Ele denominava “Região das tormentas”.

                                              

                                                DISCOS VOADORES

Quando começaram a aparecer Discos Voadores, objetos aéreos não identificados, como os técnicos preferiram chamar, o Professor silenciou a princípio, revelando-nos depois sua origem e finalidade. Eles são originários da Atlântida, continente desaparecido sob as águas, antes da nossa pré-história. Os atlantes já dominavam a energia atômica, que em nossos dias está sendo conhecida e manejada, e que movimentava tais veículos, denominados naquela época “vimanas”. Trazem mensagens e advertências de outros mundos, mas relacionados com diversos estados de consciência, de evoluções, de adiantemente. São seres dessas regiões a que nos referimos como subterrâneas, embora tal nome não possa expressar realmente “uma localização”. Poder-se-ia aceitar que procedam de Marte, de Vênus, de outro planeta, mas como “seus reflexos” internos na Terra. Há relação entre os planetas conhecidos por esses nomes e o Sistema geográfico oculto nos espaços vazios dentro do nosso Globo. Talvez os Discos estejam tentando evitar que os detentores dos governos das grandes potências se desequilibrem e percam o senso da Responsabilidade. Seria uma grande esperança de prevenir a terceira grande guerra. Então, diríamos que eles são os Emissários da Paz. Esta cidade de São Lourenço, por diversas ocasiões, recebeu e recebe visitas dos misteriosos Discos voadores, vistos por grande número de pessoas daqui. Um deles, em fevereiro de 1955, numa tarde ensolarada, veio e permaneceu longo tempo na colina fronteira à Vila Helena, residência de nossos Dirigentes. Em dado momento três seres, de humana aparência, porém muito maiores, se fizeram notar, fora do engenho, e os saudaram à moda teosófica da S.T.B…

                                    A REDENÇÃO DOS JUDEUS

Henrique José de Souza dedicou muitas de suas epístolas ao povo hebreu. Afirmava que não mais deveria ser perseguido por acusações do passado. A Lei de causa e efeito eximira esse povo de todas as culpas que porventura, coletivamente tivesse cometido. Chegava a hora da redenção dos judeus. Revelou-nos sua história oculta desde a divisão da tribos, em lógica seqüência. Falou-nos de Melki-Tsedek; Rei de Salém e sacerdote do Altíssimo, nome sacrossanto exaltado na Bíblia, como Senhor da Paz e da Justiça, a quem Abraão pagava Dízimos cármicos e o próprio Cristo reverenciava. Rei e Sacerdote autogerado, o único Ser que poderia julgar os homens e que não poderia deixar de tomar forma humana na hora predestinada. 1956 foi o ano do Julgamento. Os trabalhos para eximir os judeus do crime de deicídio que lhes fora imputado, iniciaram-se com Pio XII e João XXIII. Agora, após a votação do Concílio, Paulo VI proclamou a absolvição.Com isso, vimos realizado mais um vaticínio de nosso Mestre.

 

                                               A ERA DE MAITRÉIA

Henrique José de Souza é tema para ser desenvolvido nos livros da futura Doutrina Secreta. É a espada que luta contra a ignorância e separa o joio do trigo. É o báculo que encerra o poder de evolução da espécie humana. Ele escreve no Livro das Vidas o programa a ser realizado e determina suas etapas. É Chefe Espiritual mas reveste-se necessariamente de corpo material, sofrendo as angústias da constrição de uma forma imperfeita. Ao despedir-se aqui em Vila Helena, em julho de 1963, a caminho da capital paulista, de onde não mais voltaria com vida, advertiu-nos: “Mudanças radicais se darão na Terra em pouco tempo e mesmo aqui em São Lourenço. Breve não mais reconhecereis esta cidade. Nosso trabalho foi vitorioso, em sua estrutura interna. Vosso trabalho é apenas difundir e construir externamente. Contar ao nosso país e ao mundo o que vistes, ouvistes, aprendestes. Não 12 discípulos apenas, mas número muito maior, com a missão de divulgadores da Era de Aquário, em que um Ser Integral, representando o verdadeiro valor humano, virá ao mundo. Ser que conhecemos pelo nome de AVATARA MAITRÉIA , mas que terá um nome bem dentro da sagrada língua portuguesa. “Ser que encerrará em si próprio o amor da Mãe, a sabedoria do Pai, a onipotência do eterno; palavras ainda incompreensíveis. “Ser que, nascido a 24 de fevereiro de 1949, trará para a Terra, renascida das cinzas, a idade de paz, felicidade, tão desejada e profetizada desde longos séculos, como a Idade de Ouro”.

 

in Revista Dhâranâ nº s 28 – 29 – Janeiro a Dezembro de 1966 – Ano XLI

O SOL CENTRAL E A DESCOBERTA DAS EMBOCADURAS POLARES

O SOL CENTRAL E A DESCOBERTA DAS EMBOCADURAS POLARES

Cientistas norte-americanos corroboram teorias teosóficas

 

A teoria segundo a qual nosso globo é oco e aberto em ambos os pólos foi primeiramente apresentada nos tradicionais colégios de iniciação. Agora parece cientificamente comprovada por WILLIAM REED, em seu livro “The Phantom of the Poles” ( O Fantasma dos Pólos) editado nos E.U.A. em 1906, o qual afirma que os pólos nunca foram descobertos porque não existem, e que em seu lugar se encontram enormes aberturas que conduzem ao interior da Terra. Depois de catorze anos surge no mesmo país outra obra sustentando teoria idêntica, acrescentando, ainda, que existe um sol central que ilumina e aquece nosso planeta por dentro. O autor é MARSHALL B. GARDNER, e sua obra se intitula “A Journey to The Earth’s Interior”, trazendo por subtítulo “Or Have the Poles Really Been Discovered” (Uma Viagem ao Interior da Terra ou Foram os Pólos realmente Descobertos?). Ao que parece, o Julio Verne moderno, como foi apelidado, não tivera conhecimento da existência do trabalho de seu ilustre colega. Ambos se valeram, para sustentar suas teorias, do método científico, guiados não só pelas observações e relatos dos grandes exploradores das regiões árticas e antárticas, como pelos estudos da Geofísica e da Astronomia.

Planetas e cometas furados

Nos três primeiros capítulos de sua obra, GARDNER expõe seu conceito de Geogenia, afirmando em síntese que uma nebulosa com sua estrutura em forma de concha evolui à medida que esfria até solidificar-se, e que o sol central que a sustenta pela contração gravitacional em sua circunferência esférica também esfria e se contrai, mas guarda sua relativa posição. Afirma também que os vácuos negros descritos por Robert Ball como caracterizando a nebulosa são típicos das duas aberturas que sempre se verificam quando ela se solidifica num planeta. Devido ao fato de que os planetas não são esféricos tendo a máxima circunferência no equador, e devido também a fatores preponderantes como a variação da força centrífuga causada pela desigual esfericidade do globo e a oscilação da massa externa ao redor de seu eixo, são gradativamente formadas as duas opostas aberturas, distintamente observadas na nebulosa. Segundo o Autor, que ilustra suas afirmações com fotografias de nebulosas tiradas por observatórios astronômicos e uma reprodução fotográfica de um desenho mostrando a cabeça do cometa de Donati, não só a Terra como os demais planetas e os cometas possuem o seu sol central.

Auroras Boreais e Austrais

 

 

Os curiosos fenômenos das luzes difusas se avistam além das extremidades geladas e que até hoje intrigam os observadores, encontram enfim sua explicação racional por parte de quem aceita a existência de um sol dentro do planeta. As auroras dos chamados polos, norte, sul, são o reflexo da luz interior na atmosfera externa, e quanto mais próximos dos orifícios polares, tanto mais nítidos os fenômenos luminosos que se descortinam aos olhos dos observadores. A propósito, GARDNER transcreve NICHOLAS SENN (“In the Heart of the Artics”): “A aurora, que só ocasionalmente é vista em nossas latitudes não passa de uma sombra daquilo que se vê na região polar”; e, de H.NORTHROP, de seu livro “Earth, Sea and Sky”: “ À medida que nos afastamos do polo, vai se tornando mais raro o fenômeno e menos distintamente observável”.

A Maior Descoberta Geográfica da História

“A maior descoberta geográfica da História, feita pelo Almirante Richard E. Byrd na misteriosa terra além dos pólos – a verdadeira origem dos discos voadores” – Este é o longo subtítulo de uma das obras de RAYMOND BERNARD, “The Hollow Earth” que tornou público o insólito feito daquela alta patente da Marinha dos E.U.A. A teoria de REED e GARDNER, segundo a qual a terra não tem pólos e sim no lugar deles embocaduras que conduzem ao centro, foi surpreendentemente comprovada por duas excursões de BYRD, a primeira em 1947, ao extremo Ártico, durante a qual ele pode penetrar com seu avião, polo a dentro, numa extensão de 2.344 Km; e a Segunda nove anos depois, na região Antártica, em que realizou sua maior proeza conseguindo voar 3.726 Km, “além” do polo sul, isto é, polo a dentro. Descortinaram-se-lhe novos continentes, ou antes, novos mundos dentro do nosso velho mundo, novas terras, montanhas e mares, rios e lagos, emoldurado luxuriante flora e variada fauna aclimatada numa temperatura paradisíaca. “Terra de perpétuo mistério, centro do grande Desconhecido”, segundo as próprias expressões daquele herói, ao qual bem se ajustaria o epíteto de Colombo da Era Nuclear. Exploradores do Ártico observam que no inverno sopra um vento procedente do norte que eleva a temperatura, ao passo que os ventos do sul fazem-na baixar; e que nos meses de verão se dá exatamente o inverso … NANSEN E GREELY em seus relatos dão apoio às observações de REED E GARDNER no que concerne à gradativa elevação da temperatura a partir dos 80 graus de latitude, rumo ao círculo polar, chegando a experimentar um clima “suave e agradável”. Quanto mais se aproxima do norte mais se eleva a temperatura, e mais frequentemente se notam manifestações dos reinos vegetal e animal: plantas, flores, insetos, aves aos bandos, destacando-se em quantidade espantosa o corvo marinho que no inverno migra rumo à abertura polar em bandos de milhões; animais de grande e pequeno porte, inclusive o boi almiscarado e o urso polar, que, como, os demais, marcham na mesma direção, guiados pelo instinto na busca de alimentos e de melhor clima…

Lei da Gravidade e Alcance Visual

Aos leitores de tais livros e relatórios ocorrem naturalmente muitas questões, dentre elas, duas elementares: Como e por que teriam passado inobservadas aos exploradores polares tamanhas aberturas?

Diagrama de M.B. Gardner mostrando a Terra como uma esfera ocak, os polos abertos e o sol central. As letras indicam as etapas de uma viagem imaginária através dos polos. No ponto “D” contemplamos os albores do sol central, no ponto “E” podemos vê-lo por inteiro.

Valendo-se de dois diagramas que ele desenhou e patenteou nos E.U.A em 1914 (Patente nº 1096102) e de uma profusão de dados Gardner demonstra a existência de um sol no centro do planeta e as duas grandes embocaduras nas calotas polares, com 1400 milhas de diâmetro e 1200 de espessura, sendo que o centro de gravidade, ao norte e ao sul, situa-se no meio da crosta terrestre e não no centro da esfera oca. A crosta na linha equatorial se reduz a 800 milhas de espessura e o raio interno até o sol central mede 2.900, segundo um de seus diagramas. A massa da crosta responde pela atração gravitacional para o que pesa da superfície para dentro e em sentido contrário, de dentro para a superfície, resultando no equilíbrio das forças centrífuga e centrípeta. A grande extensão da parábola na embocadura não permite ao observador, no concernente à inclinação da linha curva impressões diversas da de um observador colocado em qualquer outro ponto do globo, e somente depois de ter atingido a metade dessa parábola interpolar é que poderá vislumbrar os clarões do sol central.

Primazia autorais

A Terra é oca. Os pólos de que tanto se fala não passam de fantasmas. Em seu lugar, nas extremidades norte e sul, existem duas vastas aberturas que conduzem ao interior da Terra, onde se encontram oceanos, continentes, montanhas e rios. Vida vegetal e vida animal são evidentes nesses novos mundos que são, provavelmente, povoados por adiantadas raças ainda desconhecidas pelos habitantes da face externa do globo. Com esta legenda, WILLIAM REED, citado por BERNARD, apresenta a figura do globo mostrando secção do centro da Terra , em sua obra citada. Ao que parece, ninguém antes dele publicou qualquer trabalho sobre as passagens polares para o interior da Terra. Oito anos depois, MARSHALL GARDNER patenteou dois diagramas para assegurar-se a prioridade na teoria do sol central e das aberturas polares. Em sua obra “Uma Viagem ao Interior da Terra ou Foram os Pólos Realmente Descobertos”, desenvolve-se a tese do sol central, fonte de uma temperatura mais elevada nas proximidades dos orifícios polares e causa das auroras boreal e austral. Além das questões apontadas, aborda o problema da migração do mamute e a hipótese da formação de icebergs de água doce dos rios que desembocam nos pólos procedentes de dentro do planeta. Admitem ambos a existência de vida humana nos mundos internos, manifestandose apenas propensos a aceitar a hipótese de que naquelas internas regiões se ocultaria o mistério da origem étnica dos esquimós, segundo a lenda que ainda hoje circula entre seus descendentes, senão mesmo a origem primeira da espécie humana. Curioso observar que GARDNER não citou o livro de REED nem sua teoria. Talvez ignorasse a existência do autor e da obra. Mas se quisermos seguir a ordem cronológica, devemos, em segundo lugar, apontar outro escritor, também de nacionalidade norteamericana. Em 1908, isto é, dois anos após a edição do livro de REED e doze antes da publicação de GARDNER, segundo citação em “The Hollow Earth” (pág.15), foi publicado nos E.U.A. o livro de WILLIS GEORGE EMERSON, intitulado “The Smoky God ” (O Deus Fumegante) o qual menciona a existência de um sol no espaço central do planeta. O livro é baseado na aventura, relatada a EMERSON, de dois pescadores noruegueses, cujos pequeno barco impelido por uma tempestade adentrou a embocadura polar norte conduzindo-os ao mundo interior, de encantadora beleza. Após dois anos de aventuras encontraram a abertura polar sul. Um deles, Olaf Jansen veio a tornar-se amigo do autor. Falou-lhe do povo que ele e seu pai encontraram, e que habita o centro da Terra, bem como sua linguagem e seus costumes. As pessoas dali podem transmitir seus pensamentos e recebê-los pelas mesmas radiações mentais que são capazes de emitir. Dispõem de fontes de energia mais poderosa que a eletricidade, adiantadíssimas em todas as ciências e são de estatura superior a dois metros.

 A Primazia da França

 O terceiro escritor que tratou dos mundos e povos subterrâneos, SAINT-YVES D’ALVEYDRE, foi, na realidade, o primeiro que, no hemisfério ocidental, levantou uma ponta do véu que oculta o mistério da AGARTA e do Supremo Governo Oculto do Mundo. Seu livro “ Mission de I’Inde en Europe”, editado em Paris em 1910, mereceu de “DHARANA” uma citação especial. Em nosso número 16, de 1961, publicamos a tradução de seus principais capítulos.

Obras Raras e Autores Desconhecidos

Essas obras se tornaram raríssimas e seus autores não são conhecidos nem nos seus próprios países, exceto por um reduzido grupo de fundamentadas em fatos observados e tão revolucionários como as que COPÉRNICO e GALILEU propuseram nos séculos XV e XVI, em suas obras “Sobre as Revoluções dos Planetas” e “Duas Novas Ciências Atinentes à Mecânica”, as quais, foram consideradas utópicas, naquele tempo em que o “O Sol girava em torno da terra”.

Contribuições Norte-americanas às Teorias de Reed e Gardner

Pelas citações dos referidos escritores “yankees”, tem-se conhecimento das existência de outros estudos publicados nos E.U.A. , que, segundo parece, não lograram maior repercussão. NICHOLAS SENN, autor do livro “In The Heart of The Arctics”, citado na obra de GARDNER (pág. 152), era professor de Cirurgia da Universidade de Chicago, viajou pelas regiões do Ártico, observou os povos esquimós, inclusive interessando-se por suas lendas, segundo as quais seus progenitores procedem dos mundos internos. Em abono de suas teorias, algumas das outras obras citadas por ele são as A.W.GREELY: “Three Years of Arctic Service”; ALEXANDER LESLIE: “The Arctic Voyages of A. E. Nordenkiold”; FRIDTJOF NANSEN: “ The Toll of the Arctic Seas”; J. W. BUEL: “The World’s Wonders”; EDWIN S. GREW: “The Romance of Modern Geology”; SARGENT and CUNNINGHAM: “Wonders of the Artic World”; W.J. Gordon: “Round About the North Pole”. RAY PALMER, editor da revista “Flying Saucers”, especializada no estudo dos discos voadores, é de parecer que as fabulosas descobertas do ALMIRANTE RICHARD E. BYRD através das embocaduras dos pólos norte e sul, onde foram encontradas terras fertilíssimas que não figuram em qualquer mapa, oferecem melhores bases para a explicação da origem dos OVNI. A hipótese de que eles procedam de outros planetas tornou-se menos verossímil em vista das experiências já adquiridas pela Astronáutica e Astroscopia, com o auxílio dos satélites artificiais e dos foguetes interplanetários. É para nós brasileiros e particularmente para os teosofistas motivo de agradável surpresa notar que uma das mais incríveis revelações de HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA ¾ a da procedência intraterrena dos discos voadores – conta hoje com verdadeiros adeptos entre os intelectuais dos E. U. A. Os misteriosos UFOS e OVNI, segundo as abreviaturas oficiais adotadas lá e aqui, tiveram o Dom de aguçar o mental dos pesquisadores de todo o mundo, que afinal se renderam à evidência dos fatos, sem todavia publicarem até agora mais do que meros relatos de suas aparência externas, pontilhadas de vagas hipóteses astronômicas acerca de seus enigmáticos tripulantes. Em 1945 a terra e a humanidade foram sacudidas pelas explosões das duas primeiras bombas atômicas. Depois disso a presença dos discos voadores se tornou notória. As detonações nucleares se alastraram pelos cinco continentes e cinco potências militaristas são hoje fabricantes das infernais bombas A e H. As visitas dos discos se foram tornando mais insistentes. Evidente a relação entre aquelas e estes. Se eles pertencessem a outro planeta ou a diferente sistema solar, em nada lhes afetaria o envenamento da atmosfera pelas irradiações atômicas (através das referidas embocaduras) nem os abalos causados sobretudo pelas explosões subterrâneas e submarinas. E justamente no início da Era Nuclear o “Novo Cristóvão Colombo” descobre mundos maravilhosos, adentrando os pólos norte (1947) e sul (1956), tendo empreendido as duas mais importantes expedições da História. Não obstante, devido à censura, elas permaneceram ignoradas do público até que F. A . GIANINI publicou em Nova York seu livro “Worlds Beyond the Poles”. Todavia, seu lançamento não pode ser anunciado pelo editor. Em fins de 1959, RAY PALMER conseguiu adquirir um exemplar e, tomando conhecimento do feito de BYRD, lhe deu publicidade em edição especial da revista “Fliying Saucers”, a qual, por isso mesmo, sofreu uma série de transtornos. RAYMOND BERNARD ampliou a divulgação da magna notícia, publicando em 1964 “The Hollow Earth”, cujo subtítulo é uma consagração ao seu compatriota: “A maior descoberta geográfica da História”… Descoberta notável foi, também, feita no continente da Antártida por DAVID BUERGER, comandante de um dos porta-aviões da esquadra do Almirante Byrd, na operação HIGH JUMP , o qual, partindo com seu hidroavião da base de Shakleton Shelf Ice, próxima de Wilksland, desceu em um lago de águas tépidas, circundado por terras de clima ameno, tendo-se dado a essa região o nome de Oásis de Buerger. Outro escritor norte-americano que contribuiu para a divulgação da notícia ocultouse sob o pseudônimo de MICHAEL X. Interessou-se pelos relatórios de Byrd e chegou à conclusão de que os discos voadores devem proceder de uma adiantada civilização existente no mundo intraterreno. Gray Barker, literato e jornalista conhecido nos E.U.A como estudioso dos OVNI, também aceitou a teoria da origem dos mesmos numa civilização humana que se encontra dentro da própria Terra, refutando a hipótese de que pudessem proceder de longínquos planetas ou de diferentes sistemas solares. Graças a esses e a muitos outros intelectuais, aquela teoria, geralmente considerada fantástica e absurda, vem conquistando grande número de adeptos entre os estudiosos americanos. Qual a sua base científica? Acanhamo-nos ante a indiferença e o ceticismo de nossos letrados mentores; o que eles não sabem ou não querem saber, ousou fazê-lo um escritor estrangeiro.

Raymond Bernard divulga a S.T.B nos E.U.A.

Sem nos conhecer, sem ter tido qualquer vínculo ou correspondência com os dirigentes da S.T.B. nem com a redação de “DHÂRANA”, escritor norte-americano, autor de quarenta e dois livros, diplomado em Direito e Medicina, dá-nos de presente a mais agradável das surpresas. Constitui-se Arauto e Paladino da S.T.B. nos E.U.A . A Missão “Y”, a Missão das Três Américas encontra em suas obras mais um elo de ouro para ligar a haste lunar coma solar. A origem subterrânea dos discos voadores. Evidências de que eles procedem do interior da Terra. Assim se intitula o capítulo VII de seu referido livro, editado um ano depois do falecimento do pai da teoria. Pai “obscuro” para os que não tiveram a felicidade de conhecê-lo. Teoria “fantasiosa” para os que não querem estudá-la. Nesse capítulo BERNARD relata como a conheceu e por que se tornou seu adepto. Em 1957 esteve no brasil. Percorreu bibliotecas e visitou livrarias. Numa delas, em São Paulo, deparou-se com um livro de título estranho: “Dos mundos subterrâneos para o Céu: Discos Voadores”, no qual HUGUENIN expõe a teoria do professor HENRIQUE DE SOUZA. A princípio refutou-a como improvável e mesmo impossível. É que ele não havia lido até então as obras científicas de seus patrícios sobre a vacuidade terrestre nem conhecia os relatórios dos exploradores das regiões polares norte e sul, onde encontrou mais tarde as bases que lhe permitiram entender e aceitar a revelação do nosso saudoso Mestre. Citou várias vezes o nome do fundador da S.T.B. e desta Revista, reconhecendolhe autoridade e prioridade na concepção dos mundos subterrâneos e discos voadores. Mencionou nosso Templo em São Lourenço, MG, dedicado a AGARTA, nome budista daqueles mundos; fala de d. HELENA JEFERSON DE SOUZA; assinala o Brasil como país onde se encontra maior número de embocaduras “jinas”, entre elas a da Serra do Roncador, MT, para onde se dirigiam o Coronel FAWCETT e JACK seu filho, que se presume hajam encontrado o “túnel” que buscavam. No mesmo capítulo, o autor transcreve um artigo de ERMELINO PUGLIESE, sobre a ”Agarta”, publicado nesta revista., nº 9/10, 1955, e cita outros trabalhos congêneres aqui encontrados durante suas pesquisas, de alguns dos quais nem os teosofistas tinham conhecimento. Não seria impróprio dizer-se que RAYMOND BERNARD, em suas visitas pelo Brasil, viajando por diversos Estados, inclusive Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, soube colher as mais belas e raras jóias deste miraculoso escrínio, para com elas brindar não só os seus numerosos leitores de língua inglesa, como os próprios intelectuais brasileiros que as ignoram ou desprezam. Em seu último livro, “Flying Saucers from the Earth’s Interior”, que se pode considerar como segundo volume do anterior, “The Hollow Earth”, BERNARD tratou especialmente do assunto do título, isto é, de elucidar os textos e documentos alusivos aos discos voadores e aos mundos intraterrenos. Desenvolveu maiores comentários acerca das obras publicadas a respeito do fascinante mistério, que tanta celeuma vem despertando entre os estudiosos, citou com destaque os trabalhos pioneiros da S.T.B. e, como se fora um teosofista brasileiro, enaltece mais uma vez o nome de HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA, criador da teoria , ou melhor, revelador da verdadeira origem dos OVNI. Os profundos conhecimentos de RAYMOND BERNARD a nosso respeito elevamno a um estado de consciência que lhe outorga pleno direito a um honroso título de ARAUTO E PALADINO DA OBRA DE J.H.S. NOS E.U.A. Para bem aquilatarmos seu apreço aos trabalhos da S.T.B. e à liderança espiritual de nosso país, no mundo moderno, transcrevemos, à guisa de conclusão desta síntese, um seu augúrio formulado em certa passagem, quando aludia aos fabulosos descobrimentos do Novo Colombo. “Espera-se que numa nação neutra e pacifista, como o BRASIL, promova uma uma série de expedições a esse novo mundo além dos pólos, e possa entrar em contato com a adiantada civilização lá existente, cujos discos voadores testemunham sua superioridade, sobre o nosso desenvolvimento científico. Possa essa mais evoluída e sábia Raça vir a salvar-nos do nosso fatídico destino, evitando a guerra nuclear, e permitir estabelecer uma Nova Era, uma Idade de Paz Permanente, sem armamentos bélicos e com um Governo Único para toda a Terra”.

As reportagens iniciáticas de JOÃO MARTINS

Em fevereiro de 1955 “O CRUZEIRO” divulgou uma reportagem de ampla repercussão, intitulada “O Mistério dos Mundos Subterrâneos” – Os Discos Voadores Vêm do Interior da Terra”. O primeiro capítulo data de 5, e o terceiro (final), de 19 daquele mês e ano. A circulação da última edição coincidiu com a visita de um Disco Voador a seu enigmático entrevistado de São Lourenço. A matéria foi exposta com método e clareza, em linguagem correta, o Autor, jornalista culto e honesto, há longos anos vem se dedicando ao estudo dos OVNI. No desempenho de seu dever, entrevistou centenas de informantes, pesquisou dentro e fora do país, percorreu cidades e campos, venceu distâncias e obstáculos, escrevendo fotografando, e batendo de porta em porta, veio bater às portas da Sociedade teosófica Brasileira. Incansável na busca da chave para desvendar o enigma dos OVNI, como alquimista à procura da Pedra Filosofal, conseguiu entrar no recinto hermético do nosso Colégio Iniciático, e de lá extraiu, a custo, a revelação inédita do Professor Henrique José de Souza. Jamais ouvira falar em coisa mais difícil de se entender. Discos voadores fabricados desde a lendária Atlântida, por adiantadíssimas Civilizações dos mundos intra-terrenos. Uma Sociedade Brasileira trabalhando desde 1921, pela volta do Messias… Era do AVATARA MAITRÉIA no Brasil… João Martins não hesitou em oferecer a melhor reportagem de sua brilhante carreira jornalística aos inúmeros leitores de ‘ O CRUZEIRO’. Pelo seu intenso trabalho, apodaram-no de “SENSACIONALISTA”. O repórter, como os seus entrevistados, foram esquecidos. Mas o que ele merece é ter seu nome inscrito com letras de ouro nos anais do Jornalismo nacional e internacional. “DHÂRANA” honra-se em assiná-los. Compartilhamos sua missão esclarecedora. Somos mensageiros de notícias sensacionais. Sim, de verdades e fatos que permanecem milenarmente ocultos no seio da mãe Terra, mas que podem hoje ser parcialmente divulgados pela Sociedade Teosófica Brasileira.

Os Três “Marcianos” que Homenagearam JHS em S. Lourenço

Não pretendemos mencionar comprovações da existência dos discos voadores e da insistência com que nos tem visitado. Não é esse nosso escopo. Sobre o assunto já se escreveram centenas de livros em quase todas as línguas, além de relatórios oficiais e de reportagens jornalísticas de repercussão internacionalmente. Entre os pesquisadores que tem procurado esclarecer a opinião pública, não se deve omitir o nome do cel. DONALDKEYHOE, da Marinha de Guerra dos E.U.A , ex-piloto do Corpo de Fuzileiros Navais, que publicou o resultado de suas investigações em “ The Flying Saucers Are Real” (Os discos voadores são uma realidade). Na opinião do comandante AURIFEBO SIMÕES, essa publicação é fundamental para os que desejam ilustrar-se acerca dos “UFOS”. Na falta de literatura especializada em nosso idioma, citaremos o livro desse autor, “um dos mais lúcidos membros da Comissão Brasileira de Pesquisa Confidencial dos Objetos Aéreos não Identificados”. Ele mesmo figura entre as testemunhas oculares,relatando em seu livro “Os Discos Voadores”, págs. 17-18: “Desta vez não era o planeta Vênus. O corpo luminoso corria com excessiva rapidez. De repente nos lembramos do binóculo. Com ele vimos: era um disco! Que vimos? Tratava-se de um corpo prateado, em forma de elipse, seguido de perto por três outros corpos da mesma forma, muito menores e avermelhados. A olho nu, entretanto, somente tinha sido possível ver um ponto brilhante que se deslocava no espaço, sem qualquer sinal dos três outros discos menores”. Local: São Paulo, esquina da rua 24 de Maio com a praça da República, ao lado do Hotel Ipiranga. Data 6 de abril de 1955”. Completando uma informação transcrita nesse livro, falemos do disco voador que, dois meses antes, marcara com sua visita uma data indelével nos anais da STB. Seus três belos tripulantes, de dois e meio metros de altura, de longos cabelos a lhes caírem sobre os largos ombros, causaram forte emoção a dezenas de pessoas que puderam admirá-los à luz do dia, à distância de apenas uns duzentos metros… Local: São Lourenço, MG, Vila Helena, residência do prof. Henrique José de Souza e adjacências. Data e hora: 18 de fevereiro de 1955, 17:30. O fantástico veículo aterrissou sobre aquela colina de São Lourenço para homenagear nosso Mestre, que não era nenhum marciano ou venusiano. Os três esbeltos gigantes estiveram a passear no local e por várias vezes voltaram-se para o alpendre de Vila Helena, onde se encontravam o professor, seus familiares e dezenas de discípulos e outros observadores. Causava arrepios vê-los a saudar teosoficamente colocando a mão direita sobre o peito e curvando-se como fazemos na S.T.B. E o professor sorridente, lhes retribuía aquelas saudações. Misteriosa mensagem do Reino Agartino.

in Revista Dhâranâ nº s 30 – 31 – 1967 – 1967 – Anos XLII / XLIII

Brahman-Dharma, o Caminho da Verdadeira Iniciação – Por Vitor Manuel Adrião

Brahman-Dharma, o Caminho da Verdadeira Iniciação – Por Vitor Manuel Adrião

 

Sintra, 1980

Asato ma sat gamaya                                   Guia-me do irreal ao Real

Tamaso ma yiotir-gamaya                             Da treva à Luz

Mritior-ma amritam gamaya.                        Da morte à Imortalidade.

 

Falar e escrever sobre o que seja um discípulo verdadeiro, avizinha-se tarefa árdua, quase impossível de descrever… É recordar a solidão, mesmo quando se está rodeado de gente, fidelíssima companheira de quem se desfez do mundo e procura a riqueza do Eterno; é lembrar amarguras, tristezas e injustiças morais e físicas, recompensa certa que o mundo dá a quem ao mundo tudo dá. É impossível descrever com exactidão o que seja um Iniciado verdadeiro, ou tão-só verdadeiro discípulo, que, em comparação com a consciência comum dos seus semelhantes em Humanidade, já está na cumeeira do seu Género.

Mesmo assim, com toda a dificuldade, tentarei descrever em linhas gerais o que seja o Iniciado e o Caminho da Verdadeira Iniciação, desde já pedindo desculpa por alguma insuficiência acaso apresentando-se no que se segue.

Como já se sabe, a 4.ª Vaga de Vida ou Expiração Monádica do Supremo Demiurgo, o Logos Planetário, é a Humana (Jiva). Processando a sua Evolução através do compasso quaternário, esta Vaga soprada da Boca do Eterno apresenta-se hoje em 4 tipos de consciência bem definidos de acordo com o seu maior ou menor progresso evolucional. Assim, tem-se:

A) Primitivos. Os seres recém-saídos da terceira Vaga de Vida, a Animal, e entrados no estado Humano. Consequentemente, possuem poucas reencarnações humanas estando, ao nível da personalidade ou “eu” inferior, completamente desligados consciencialmente do Eu Superior, Espiritual, sendo a sua principal função alinhar entre si os veículos dessa mesma personalidade, inteiramente desencontrados ou desalinhados uns dos outros. Estes seres foram, na ocasião, a vanguarda do Reino Animal, os mais adiantados no desenvolvimento interno quanto à passagem do Emocional para o Mental Concreto.

B) Civilizados. A vasta maioria humana, isto é, o homem que pensa no plano objectivo ou concreto com bastante potência podendo, vez por outra, ainda assim excepcional e rarissimamente, ter ténues vislumbres da Mente Superior, subjectiva, ou seja, do Corpo Causal. Neste estado, os sentimentos mais nobres do homem dirigem-se quase exclusivamente à sua família e amigos mais chegados, ainda que também possa ter, nos seus limites estreitos, acessos de compaixão pelos desconhecidos em sofrimentos que, mesmo não sendo seus familiares nem amigos chegados, em boa verdade são seus irmãos em Humanidade, pois que todos provêm e estão ligados monadicamente ao Deus Único, o Logos Soberano da Terra, e assim, na essência última, todos constituem uma verdadeira Família Planetária a qual hoje, aparentemente, anda dispersa ou desavinda entre si. Para o cultivo cada vez maior dessa compaixão ou amor ao próximo, inquestionavelmente as religiões verdadeiras, não as falsas que transformam os altares em “balcões de negócios”, através dos seus sistemas morais são imprescindíveis à manutenção do tecido social e a impedir que o Homem regrida à animalidade bestial. Para o homem desta condição a matéria objectiva, visível e tangível pelos sentidos físicos, constitui a mestra suprema nas suas realizações imediatas. Para ele, toda vida resume-se ao concreto do positivismo, inclusive a religião, onde para entender o subjectivo tem de o objectivar, assim só acreditando em Deus quando Ele tem forma semelhante à sua e age como ele agiria, pagando a uns com os carvões do eterno braseiro infernal e premiando a outros com as róseas e eternas nuvens celestiais. E assim, pacata e naturalmente, inconscientemente o homem vai palmilhando o caminho da sua evolução rumo ao destino incógnito mas, quiçá, promissor…

C) Idealistas. Os mais adiantados da Humanidade comum. Por norma, assumem os postos de chefia dos vários ramos da estrutura social (educação, filosofia, religião, artes e letras, política, ciência, força militar, economia, etc.). Muitos destes homens e mulheres já estão muito próximos da tomada de consciência da Divindade na Natureza Universal, consequentemente, da Divina Lei Suprema que a tudo e a todos rege, e, não raras vezes, os Mestres Soberanos da Humanidade, os Mahatmas ou “Grandes Almas”, servem-se deles inspirando-os, geralmente sem suspeitarem minimamente, a uma boa condução e educação da restante Família Humana no caminho do verdadeiro Progresso, sinónimo de Verdadeira Iniciação Colectiva, visto o Homem comum, devido à sua própria ignorância cega (avidya), como é natural quando a Vida-Energia (Jiva) predomina e a Vida-Consciência (Jivatmã) ainda está em semente, correr o risco permanente de cristalizar na matéria bruta, à semelhança do aconteceu a parte extensa da Humanidade na anterior Cadeia Lunar, acontecimento que a Bíblia simboliza no episódio da mulher de Lot (Lut ou Lupe, “Lua”) ter se transformado numa «estátua de sal», isto é, cristalizado na sua evolução lunar, passando à Cadeia seguinte, a actual Terrestre, com grande atraso, o que justifica ainda a presença de tribos humanas selvagens no Mundo de hoje.

D) Aspirantes. Sem me referir exclusivamente ao Aspirante à 1.ª Iniciação Espiritual, este tipo humano é o pico consciencial da Humanidade comum. No seu íntimo já soou o abstracto Chamado, a indescritível Saudade do Eterno invadiu-o e misteriosamente inflamou-o, e sentindo o cansaço dos preconceitos de uma vida sempre igual nos mesmos limites estreitos, a sua consciência agoniza para ela na noite mais escura da matéria e parte, parte só e sem um adeus, desafiando as suas incertezas e inquietações ante o que o espera mais além… na profundeza abissal do seu âmago profundo, partindo à demanda do Tesouro de Deus, o seu Deus Único e Verdadeiro, a Centelha Monádica do Grande Mar de Fogo Universal despendido do próprio Logos Eterno, «em cuja Presença existimos e temos o nosso ser», citando São Paulo.

É desse homem solitário sem pátria fixa nem leito certo, mesmo que se fixe em país certo e recoste em leitos de seda, num solilóquio permanente com o seu Deus, mais que num colóquio com os homens, que irei falar, e, quiçá, afinal também esteja falando de mim!…

O que acabei de descrever é referido na Escola Esotérica Oriental dos Arhats como as 4 castas raciais: Brahmane – Kshatriya – Vaíshia – Shudra, o que corresponde na organização medieval europeia ao Clero – Nobreza – Comércio – Povo. Mas deve acrescentar-se que, devido à crise francamente iniciática por que passa a Humanidade e tudo quanto na Terra vive hoje em dia, roncando as dores de parto de um Novo Estado de Consciência, os diversos tipos humanos estão completamente baralhados, misturados entre si recolhendo uns dos outros as mais diversas experiências necessárias à evolução do todo. Por isso se vê agora «um médico que daria um excelente sapateiro» ou «um padre com alma de mercador»… E também por isso o discípulo verdadeiro reencarna actualmente em meios completamente adversos à sua condição real, aos seus reais anelos interiores. É, afinal, como diz o Mestre Djwal Khul Mavalankar, o Tibetano, «a evolução pelo atrito»…

Esses diferentes estados de consciência humana dão razão à Lei da Hierarquia, quando diz: «os homens são iguais em essência, não tanto em potência, e desiguais em presença».

Mas, como pode um comum mortal enraizado em padrões intelectuais preestabelecidos e em preconceitos emocionais irrevogáveis, de súbito entrar em conflito aberto com essa condição psicomental ao começar a interessar-se e a dedicar-se inteiramente aos assuntos metafísicos, criando as condições interiores para vir a ser, doravante, um Gotrabhu ou “Aspirante ao Aspirantado”?

A Substância Universal preenche a Vida-Energia e esta reage cada vez mais sensivelmente por ciclos prévia e perfeitamente estabelecidos pelas Hierarquias Criadoras do Universo, cuja influência chega até ao metabolismo psico-biológico do Homem. Geralmente um Gotrabhu torna-se tal após completar um longo ciclo de reencarnações durante o qual recolheu as experiências necessárias à sua maior consciência e consequente amadurecimento interior, e assim acabando por despertar para a Vida do Espírito, ou seja, começar a predominar nele a Vida-Consciência. Contudo, logicamente que o tempo de duração até esse despertar interior varia de pessoa para pessoa, tudo dependendo do seu mais rápido ou mais lento amadurecimento consciencial, mesmo que tudo esteja conformado aos ritmos certos do relógio sideral que é o Zodíaco, corpo de manifestação das 12 Hierarquias Criadoras em torno do Logos Solar.

Os Grandes Mestres de Amor-Sabedoria são as provas cabais de que assim é. No esforço permanente de transformação, sublimação e assunção sobre si mesmos, na opera magna atravessando quantas vidas foram necessárias mas sem perderem o entusiasmo que os impelia avante – até aos pés do seu Mestre Interior reflectido nalgum Mestre Exterior que desde o início os encaminhava, os inspirava de fora, até se tornarem UM com o MESTRE, finalmente, também eles transformados em Adeptos Reais ou Verdadeiros –, por vezes elevaram-se em metade do tempo preestabelecido pela Lei Maior, para sempre se libertando da “lei da morte”, ou seja, das cadeias férreas do Ciclo de Necessidade da Roda do Destino que os condicionava à Lei de Prakriti, a Matéria original do Mundo das Formas, e que é a alavanca impulsionadora de Dharma, Karma e Samsara, isto é, da Consciência, do Discernimento e do Movimento.

Paulatina e pacientemente, Eles, Excelsos Mestres Soberanos da Humanidade, porque Ativarnas (“acima das castas”), quando foram simples mortais decerto também realizaram os seus pequenos exercícios espirituais aconselhados por seus Mentores. Aos poucos, sem desistirem e com uma confiança ilimitada “Naqueles que tudo sabem e podem”, foram realizando a sua Integração espiritual, o Alinhamento vital entre o seu “eu” inferior e o “Eu” Superior; primeiro da Personalidade material com a Individualidade espiritual, e a seguir desta com a Mónada Divina. Seguidamente, da Mónada com o Logos Planetário e, por fim, com o Solar, assim se tornando, efectivamente, Homens Divinos participes directos da Consciência do Universo.

Existe um “momentum” próprio para o despertar da consciência espiritual e a consequente satisfação das necessidades desta. De maneira que nada adianta o lamento comum do «porque não despertei mais cedo?», pois só quando a alma está suficientemente amadurecida, ela desperta. Antes disso… impossível. Por regra geral, há quatro meios para ingressar no Caminho do Progresso Interior ou da Verdadeira Iniciação:

1.º) Pela companhia daqueles que nele já entraram;

2.º) Ouvindo e lendo ensinamentos específicos sobre a Doutrina Oculta;

3.º) Pela reflexão esclarecida, isto é, pela própria força do pensamento constante e raciocínio cerrado pode chegar por si mesmo a parte da Verdade;

4.º) Pela prática da virtude, o que quer dizer que um longa série de vidas virtuosas, ainda que não implique necessariamente um aumento da intelectualidade, acaba por desenvolver num indivíduo a intuição suficiente para que ele compreenda a necessidade de entrar no Caminho, e veja qual a direcção que esse Caminho toma.

Quando o iniciante começa a estudar e a praticar os ensinamentos da Sabedoria Divina (Teosofia ou Gupta-Vidya), vivenciando-os o melhor que pode e sabe, por norma acontecem dois factos interessantes que são, por assim dizer, despoletados pelo arranque espiritual:

A) Aceleramento kármico. À sua volta o até então sólido e belo mundo social, desmorona-se como coisa velha, podre e gasta. A sua consciência agora interessada por mais altos e dignos valores dos que até então o possuíam, vai-lhe precipitar o desfazer das ilusões mundanas, portanto, advindo as desilusões dolorosas. Doravante, em seu íntimo, a sociedade profana depara-se-lhe um monte de cinzas, uma fogueira de paixões intensas nele já apagadas, de ilusões perdidas ou desfeitas. Os “bons e dedicados amigos” de antanho, fiéis companheiros de boémia e vida passional, passam a ser vistos com outros olhos ao aperceber-se que tal «amizade» é interesseira, finita e caduca, toda ela se prendendo à forma e não à totalidade do ser. Geralmente basta uma ligeira discordância, e pronto… fica-se sem o «bom e velho amigo». A família deixa de ter o exclusivo das suas atenções e interesses, quando dilata essas mesmas atenções e interesses ao restante Grupo Humano. Então, é praticamente certo, advêm os aborrecimentos: «Como é possível você, criatura sã e inteligente, acreditar em tais tolices?», reagem os familiares e «amigos» incapazes de entender o que a larga e horizontal mente humana, em que estão, jamais poderá responder, pois a resposta está um tom acima, na profunda e vertical mente espiritual. Aqui, neste conspecto social, para seu bem o discípulo deverá usar de muita discrição e prudência, visto a ostentação ou exibicionismo só servir para agravar a situação e, dessa maneira, acabar sendo marginalizado… por culpa sua. A sua profissão como “ganha-pão” certo, também tende a encará-la como uma monotonia «sem préstimo algum», o que está de todo errado e pode corrigir se encarar a profissão, seja ela qual for, como um contributo imprescindível para o bem geral da sociedade, sendo retribuído com o salário certo e merecido com que se sustentará e aos seus. Vista assim, a actividade profissional não deixa de ser uma perfeita meditação activa.

A Humanidade sofre por ter feito do amor um pecado e do trabalho um castigo. –  Disse o Professor Henrique José de Souza, ou seja, aquele que os Teúrgicos e Teósofos entendem como o Venerável Mestre JHS.

A vida do aspirante enche-se de problemas, vindo perturbar o seu sossego social até há pouco imperturbável. Se for pessoa ainda pouco segura, não deixará de perguntar-se: «Será a Teosofia e o Ocultismo uma manha diabólica?». Diga-se, de passagem, que muitos iniciantes convencem-se que de facto assim é, e pronto: exorcismo aos livros e textos teosóficos e ocultistas, ao fogo com eles e os seus diabolismos – vade retro Satanás! – juntamente com os diabólicos propagadores de tamanhas insanidades, e logo tratar de esquecer para sempre essa «loucura momentânea» que os arrastou por «interesses idiotas» que «só azar trazem». Se acaso algum deste género ainda estiver filiado na convencional religião estatal, por certo não deixará de procurar o padre-cura para obter a remissão do seu pecado capital em ter ambicionado, debalde… levantar o VÉU DE ÍSIS!

Ainda não chegaram os seus “momentuns”, e por isso acontece tal. Pressentem mas não arriscam… há que aguardar mais uns anos ou, então, uma próxima vida, sim, porque Natura non facit saltus, isto é, a Natureza não dá saltos.

Se a vida do aspirante se “enche de problemas” (na realidade eles sempre existiram, como factores psicossociais não resolvidos e que são o lastro nocivo da consciência remoendo-se, ou do remorso da alma), ainda assim é porque o seu karma pessoal foi acelerado pelos Anjos do Destino, a fim de se esgotar mais rapidamente, debitando numa vida o que normalmente levaria cinco ou seis a debitar, contudo sempre e matematicamente em conformidade com as  suas capacidades de suportar. Isto faz parte do Plano Iniciático proposto aos candidatos ao Adeptado, fenómeno a que o Professor Henrique José de Souza chamou de “Colapso da Velocidade”. A paciência, a humildade e a aceitação das provações, tudo isso temperado com a fé esclarecida nos Mestres e no Mestre Interno, juntamente com o amor dedicado a toda a Vida e o estudo aplicado das Causas, acabará levando o discípulo à superação da consciência ordinária e assim, passando a encarar as circunstâncias imediatas de uma maneira superior, conseguirá a força da energia necessária para vencer as tribulações diárias.

B) Superstição psicomental. Esta é uma verdadeira chaga viva para a maioria esmagadora dos estudantes dando os primeiros passos no estudo e compreensão da Teurgia e Teosofia, indo redundar manifestamente tanto num crencismo pueril quanto num puritanismo castrante, e isto porque o seu sistema psicomental ainda está muitíssimo dependente dos seculares padrões morais das religiões vigentes os quais, é forçoso reconhecer, limitam mais do que libertam. De maneira que ao início ainda se mantém uma série de condicionalismos, mais ou menos inconscientes, os quais são um rigoroso e intocável tabu para o neófito. Por exemplo, é quase comum vê-lo inibir-se de se afirmar e agir com rigor e determinação em certas situações conflituosas onde a sua presença é imprescindível, mas que escusa recusando assumir-se, assumindo assim a sua fraqueza, e isto tão-só por causa da sua tendência emocional em resvalar para o bem famoso puritanismo do não dever agir muito materialmente, em que situação for, porque simplesmente não é… espiritual. Pessoalmente, conheço inúmeras pessoas assim, auto-emparedadas psicomentalmente num tabu subtil rotulado de «espiritualismo» mas que é, em boa verdade, é um completo materialismo, mas muito mais falaz, por ser subtil, quase invisível ou despercebido aos sentidos imediatos: o materialismo «sentimentalista», fruto de uma mal cultivada religiosidade psíquica. É óbvio que deverá haver educação espiritual da pessoa, cultivando o carácter pela moral e a inteligência pela cultura, portanto, uma educação esclarecida, liberta de tabus e preconceitos sócio-religiosos, sempre aberta a novos horizontes de sabedoria e conhecimento porque, na Vida como ela é, realmente não existem padrões definitivos, visto tudo ser mutável e móvel, desde logo devendo o aspirante dotar-se de uma mente muito «elástica», sempre pronta a reconhecer e integrar horizontes cada vez mais vastos e esclarecedores.

O Iniciado ocidental, com a sua própria Tradição Espiritual, inserido num esquema de vida diária a mais profana que o força a afirmar-se a cada momento, tem de assumir a condição de verdadeiro guerreiro, sempre a favor do Espírito mas sem desprezar a Matéria, espalhando em redor, através do exemplo facultado pelo seu carácter e cultura firmes, a chama viva da espiritualidade, esta que não se acende com “fraquezas e medos” mas com ousadia e valentia ante uma civilização materialista e consumista, o mais supérflua possível, que não respeita nada nem ninguém… excepto os mais fortes, e estes devem ser os verdadeiros espiritualistas.

Dois grandes tabus ou congestionamentos psicológicos afligindo o principiante no Caminho da Iniciação são, sem dúvida, aqueles referentes ao sexo e à alimentação. Apesar do muito que já disse e escrevi sobre esses dois factores, repito mais uma vez que a função sexual não existe para ser reprimida, como coisa imunda e pecaminosa, nem abusada, como factor mentecapto e possessivo, antes encarada como função normal da Lei da Vida e que o seu uso devidamente enquadrado e regrado faz do sexo um acto santo, de preferência exercido a três: o homem, a mulher e Deus como Espírito Santo manifestando-se por eles, o que irá tornar a relação íntima uma espécie de santa eucaristia, na qual o homem depõe no altar ventre da mulher a semente da criação que ela alimenta com o amor que impele a ambos, para deles surgir o terceiro elemento: o filho, o fruto bendito do acto puro.

Sobre a alimentação, quase descarece dizer que o vegetarianismo integral só deve ser usado por quem dele necessita verdadeiramente, e não por alguma espécie de auto-imposição fanática, não profiláctica, na busca de uma qualquer «pureza física», exercício usualmente reparando-se naqueles que possuem mente vegetativa, o que lhes dá um forte pendor emocional. Na sua obra magistral, A Verdadeira Iniciação, o Professor Henrique José de Souza descreveu a complexidade alimentar ao distinguir as carências temperamentais dos linfático, bilioso, nervoso e sanguíneo, cada qual com as suas necessidades alimentares específicas.

De maneira nenhuma pretendo, clara ou encapotadamente, fazer alguma espécie de apologia a Pantagruel, mas sim tentar fazer perceber que as coisas dão-se no momento exacto ou próprio, em conformidade à necessidade natural que desponta, e nunca de outra maneira artificial nascida de alguma artificiosa imposição psico-física, mais ou menos religiosa-espiritualista cujas noções, apresentando-se pouco claras, inevitavelmente redundam numa distorção psicomental, não raro revelada como neurastenia e hipocondria, doenças de foro claramente psíquico. A melhor e única maneira de evitar essas gravidades será tentar não contornar ou enganar a sua própria natureza, e escusar-se a qualquer espécie de fanatismo puritano, este o eterno auto-castrador inibindo o Homem de viver-se perfeita e integralmente, pois que o “enjaula” centripetamente em si mesmo o que, mais uma vez, só pode desfechar em desânimo, em desespero e, inclusive, nas tristemente famosas afectações psíquicas.

A esse respeito, passo a citar o seguinte excerto de um texto interno da Escola Teúrgica, por o considerar bastante esclarecedor deste assunto do sexo e da alimentação:

«Algumas escolas de pensamento, de base esotérica, advogam como ponto fundamental para uma perfeita realização espiritual a completa e total subjugação do corpo humano, que estamos a tratar, quer pela absoluta proibição da ingestão de álcool ou de alimentos de origem animal, quer pela absoluta proibição de quaisquer contactos ou relações de tipo sexual.

«Neste particular a perspectiva da Escola Teúrgica é específica, dado o seu vínculo à Tradição Oculta Ocidental. Os discípulos que estão ligados à Grande Fraternidade Branca alcançaram a realização interior não pela repressão dos processos físicos vitais, mas sim pelo seu correcto enquadramento numa perspectiva superior de ordem espiritual. O problema não consiste na manutenção ou abolição da vida sexual, mas na perspectiva que o discípulo tem dela e do lugar e importância que lhe confere. A função sexual é uma função vital, tão vital como a respiração ou a nutrição. Reprimi-la, longe de conduzir à realização, poderá ocasionar no discípulo perturbações de ordem psicológica e, sobretudo, aquela cegueira ilusória que caracteriza o fanatismo.

«Da mesma maneira se coloca o problema dos regimes alimentares que poderão estar aconselhados aos discípulos. Não se nega, de forma alguma, a importância que pode ter em certos momentos específicos a não ingestão de alimentos animais ou bebidas alcoólicas e a não manutenção de relações sexuais, como propiciatórias a uma correcta integração em certas cerimónias de cunho ritualístico ou templário. O que se quer dizer é que a extrema concentração do discípulo sobre esses aspectos pode conduzi-lo à mais perigosa e insidiosa forma de materialismo, à concentração total sobre o corpo físico denso (sob disfarce espiritualista), quando outros aspectos importantes da realização espiritual são descurados.»

É assim que, natural e alegremente, o discípulo vai paulatinamente crescendo em sua consciência interior até que ele e o Eu Divino se absorvam um no outro, liberto de peias e tabus personalísticos como as clássicas características morais das religiões exotéricas e cultos afins claramente emocionais, ainda assim necessárias à condução da Humanidade comum mas não do discípulo, se acaso pretende integrar o escol privilegiado do número de eleitos ou a elite espiritual do Género Humano.

Informam ainda os Grandes Mestres da Humanidade que o desenvolvimento interior da pessoa isolada e não em grupo, por muito boa vontade que tenha, não deixa de acarretar o perigo de cair no desânimo, na inércia e na desistência.

Quando um indivíduo desperta para os interesses espirituais, geralmente começa a ler e a estudar sofregamente livros de Escolas diversas, cada qual com o seu método de preparação espiritual, consequentemente, sendo as suas informações dispersas, desencontradas de uma para as outras, por serem diferentes, mas ele, num misto de ingenuidade e inadvertido, por vezes chega a misturar todos esses métodos numa amálgama de conceitos que só podem resultar, inevitavelmente, numa complexidade de erros didácticos e técnicos. Sei, por experiência própria, quão dificílimo é persuadir alguém assim do seu erro, e, pior ainda, quando esse alguém pelo seu carisma tem aceitação pública, pois que irá transmitir preceitos, conceitos e métodos imprecisos junto do auditório e dos seus seguidores, havendo a forte possibilidade de quase todos eles, se não todos, ainda estarem dando os primeiros passos do primeiro passo no Caminho.

Outros, infelizes, apartam-se de qualquer Grupo Espiritual ou Ordem Esotérica e sós, por sua conta e risco, entregam-se a práticas de índole mentalista e mágica. No caso, sempre tão fácil de acontecer, do exercício ou operação correr mal, quem os salvará das forças ingratamente atraídas – se estão isolados – dessa maneira arriscando-se a doenças psicofísicas, à loucura e à indução ao suicídio (como aconteceu no século XIX com o famoso mago Eliphas Lévi, que após invocar de espada em punho o Espírito Imortal do Excelso Apolónio de Tiana, caiu inerte perdendo para sempre o juízo… mas acompanhando-o doravante e sempre a tendência suicidária. Acabou os seus dias pobre mendigando pelas ruas de Paris…), neste caso indício claro de perda da Alma, isto quando não tombam imediatamente fulminados de morte?

Também nesse último campo tenho experiência vivida, pelo que não deixo de alertar os principiantes no Caminho da Verdadeira Iniciação quanto aos perigos subjacentes aos métodos aplicados isoladamente, particularmente os mágico-animistas, perigos acrescidos quando se enfronham numa miscelânea medonha de técnicas de Escolas diversas que recolheram aqui e além na literatura pública, mas sem que, realmente, pertençam efectivamente a alguma.

Ademais, quer após a morte ou então durante o período de sono aquando a alma se liberta temporariamente da veste física, para onde irão as almas dessas pessoas? Para as «escolas astrais sintéticas», como afirmam alguns em sua defesa? Mas nada disso existe, pois é pura ignorância fruto da ingenuidade psíquica. Não há «escolas sintéticas astrais onde se ensina sabedoria esotérica cósmica feita de todas as fontes espiritualistas do mundo a qual aí se assume síntese cósmica», pois tal não condiz com nada, a começar pela Ordem e Harmonia Universal. O que há, sim, são os Santuários Espirituais ou Retiros Privados (Ashrams) dos Grandes Mestres da Humanidade, cada qual com a sua tónica de ministrar o Conhecimento Único, e todos tributando Àquela que os sintetiza como Fonte Suprema desse mesmo Conhecimento Universal: Shamballah, a “Mansão do Amanhecer”, também chamada “Santuário de Kundalini” e “Laboratório do Espírito Santo”.

Acontece que esses infelizes tão-só errarão no Astral ou Mundo Emocional, Psíquico, envolvidos em belos sonhos róseos, até que entendam que nesta Era de Globalização, de Fraternidade Universal do Género Humano cada vez mais se solidificando, não é mais possível nem faz parte das Regras da Grande Fraternidade Branca a evolução pessoal isolada.

Em princípio, como boas e genuínas existem 49 Escolas de Espiritualidade à semelhança dos 49 Raios de Luz do Logos Único, com esses coadunadas. Umas desenvolvem-se mais pelo aspecto “Amor” e outras mais pela “Sabedoria”, mas todas expressando o aspecto “Vontade” de Bem Fazer, sendo a Egrégora ou “Alma Colectiva” de cada uma e de todas unidas, “a trolha e o cinzel” dos Grandes Mestres na construção do Edifício da Perfeição Humana.

Como se sabe, cada Raio (constituído de 7 sub-raios, logo, 49 Raios, 7 principais cada qual com 7 subsidiários) representa um Aspecto do Logos Planetário o qual sendo um sub-aspecto do Logos Solar, Este manifesta-se por Ele. É assim que o 2.º Raio do Logos Solar – sendo o 2.º sub-raio do 1.º Raio do Logos Central do Sistema de Evolução Universal, ocultando-se por detrás daquele – se manifesta na Terra pelo 2.º sub-raio do 3.º Raio. De maneira algo similar, ao nível da evolução humana aquele que começa a destacar-se desta, primeiro reconhecendo as suas necessidades interiores e depois procurando uma Escola que as satisfaça, a qual esteja de acordo com a sua tónica, começa assim a realizar, paciente e abnegadamente, os graus que o levarão aos pés do seu Mestre, e ele mesmo acabando por se tornar Mestre, tal qual a borboleta saída do casulo.

O objectivo supremo de todas as verdadeiras Fraternidades Iniciáticas sempre foi e será um só: o de levar o ser humano a se auto-conscientizar e a viver a sua realidade interior, os seus verdadeiros e, em última análise, únicos objectivos na vida. Não apenas uma vida vegetativa, mas uma vida plena, universal, em que a vida como energia se acresce, transforma em mais vida, energia e CONSCIÊNCIA. Sim, porque a Verdadeira Iniciação é a da transformação da Vida-Energia em Vida-Consciência… de um e todos no Todo.

Dentro e fora do esquema geral da Iniciação, existem dois tipos gerais de homens em evolução: o místico devocionalista e o ocultista mentalista.

O primeiro evolui pela linha vertical de menor resistência do Sistema de Evolução, ligando-se ao Aspecto “Amor” do Logos Planetário e realizando-se pela Doutrina do Coração. Reparte-se em dois aspectos:

A) O místico contemplativo. Aquele que vive única e exclusivamente de si para Si, a Mónada Divina, apartando-se da agitação psicomental da restante Humanidade indo introverter todas as suas capacidades psicofísicas, motoras e mentais, para isso se servindo das qualidades do 2.º Raio de Amor-Sabedoria e, principalmente, do 6.º Raio do Devocionalismo, este como sendo a “8.ª inferior” daquele. É o asceta, o anacoreta, o que vive num solilóquio permanente de si para Deus e nada mais, estabelecendo a ligação do veículo de consciência Emocional com o Intuicional e deste com o Monádico, a “Centelha na Chama”. Da absorção ou integração na Mónada Divina resulta o não mais voltar, o não mais reencarnar, ou então só a longo prazo, se ainda tiver débitos kármicos, caso excepcionalíssimo, pois o místico contemplativo purifica-se e ascende à Altura de Deus pelo rigor da Hatha e Bhakti Yogas, isto é, a do domínio físico, chegando a tomar feições de mortificação, e a do controle emocional, a quem dá combate permanente até anular toda e qualquer expressão de emotividade.

B) O místico activo. Aquele que apesar de integrado em algum mosteiro não vive em clausura mas em claustro, ou seja, não deixa de participar no serviço aos seus e à Humanidade através das qualidades do 2.º Raio de Amor-Sabedoria, do 4.º Raio da Harmonia Artística ou do 6.º Raio do Devocionalismo, esses que são precisamente as Linhas ou Tónicas dos seus respectivos Dirigentes Espirituais: Nagib, Hilarião e Kut-Humi. De modo que o místico activo aplica os métodos devocionais para também ele assumir-se em Deus mas pelo serviço ao Divino e aos Mestres – a “Assembleia dos Santos e Sábios”, de que fala a Igreja cristã – através da Humanidade desfavorecida.

Seja como for, em si só o método devocional não é de todo perfeito, pois o místico propende sempre para as inclinações psicomentais do exclusivismo e do fanatismo, este sob a forma de pietismo beato.

Quanto ao segundo aspecto, evolui em elíptica espiralada como linha de maior resistência do Sistema de Evolução, devido desenrolar-se com maior lentidão e o discípulo para evoluir fazer contacto directo com a Matéria, com o Mundo das Formas com todas as suas tramas, dramas e vitórias, acabando por recolher de tudo isso uma experiência inaudita e inédita postando-o, face às Hierarquias Universais, como JAVA-AGAT, o “Grande Mago da Matéria” em que se fez justo e perfeito pelo desenvolvimento do Mental, da “Sabedoria” do Logos ou Deus da Terra, característica fundamental da chamada Doutrina do Olho.

O ocultista, confundido na Humanidade comum, por ser seu dever servi-la impessoal e anonimamente, vai estabelecer a ligação consciencial do seu corpo Mental com o Espiritual e deste com o Divino. Este desenvolvimento é processado por meio das tónicas que lhe são especialmente afins, como sejam os sistemas da meditação ocultista e da ritualística. Repara-se nisso a aplicação dos métodos da Raja e da Jnana Yogas, ambas destinadas ao desenvolvimento do Mental, tanto humano como espiritual, e igualmente a influência na sua vida do 1.º Raio da Vontade ou Poder, do 3.º Raio da Actividade Inteligente, do 5.º Raio do Conhecimento Científico e do 7.º Raio da Ordem ou Magia Cerimonial, precisamente as Linhas de Forças por que se exprimem os seus Supremos Dirigentes, os Preclaros Adeptos Vivos Ab-Allah, São Germano, Morya e Serapis Bey.

Mas também a via mental do ocultista por si só é falha, por ele propender sempre às inclinações psicomentais do autoritarismo, não raro manifesto como xenofobismo, e do egoísmo intelectual, sob a forma de descompaixão por vezes encapotada no floreado vaidoso do que é simples narcisismo.

A Perfeição do Ser ou o seu Perfeito Equilíbrio está tão-só em desenvolver o Mental a par do Emocional, a Sabedoria acalentada pelo Amor, razão mais que suficiente para o Professor Henrique José de Souza ter proferido: «Quando o Homem na Terra colocar a Mente ao lado do Coração, alcançará as maiores venturas do Céu». E logo a seguir, adiantar: «A Humanidade só pode alcançar a Neutralidade vivendo em luta com o Bem e com o Mal. Porque é daí que nasce, justamente, a Neutralidade. Do ilusório conduz-me ao Real, das trevas à Luz, da morte à Imortalidade. A Imortalidade se acha na Neutralidade. Bendita seja a morte aparente das coisas terrenas para a morte-ressurreição das coisas divinas».

Esse Perfeito Equilíbrio ou Neutralidade Perfeita encontra-se no 4.º Raio sob a chancela do Mestre Hilarião, aliás, a Linha Andrógina que caracteriza a Vontade de Deus na hora presente da Manifestação e Evolução Universal.

Assim, “par e passo”, o discípulo iniciado nos Mistérios Menores conferidos por alguma Confraternidade Iniciática legalmente credenciada pela Grande Loja Branca dos Mestres Supremos da Humanidade, vai se acercando da 1.ª Iniciação Maior que é a do verdadeiro Aspirante, aquando envereda decisivamente no Caminho do Adeptado. Agora, chegados aqui, convém assinalar o seguinte que não é tão raro como possa parecer à primeira vista: um indivíduo pode ter todos os graus simbólicos de determinada Escola, mas não ter sequer a 1.ª Iniciação Real, ou, então, ter somente a 1.ª Iniciação Simbólica e no entanto deter já em sua natureza interna as 1.ª, 2.ª ou 3.ª Iniciações Reais auferidas junto da Loja dos Mahatmas. Isto demonstra como tudo é relativo e se descobre nas características culturais e morais da pessoa que, de facto, seja Iniciada verdadeira. De maneira que o mestre de grau de determinada escola espiritualista poderá não passar de simples aprendiz ante aquele que pela primeira vez está recebendo dela a respectiva iniciação simbólica…

Tudo depende do progresso espiritual ao longo do esteiro das vidas sucessivas, com o consequente esgotamento do karma pessoal. A evolução da Alma não se mede por graus escolásticos, sejam quais forem, mas sim pelo seu acercamento ao Augoeides, o Eu Divino, e quanto mais perto fica mais iluminada está. À Confraternidade cabe tão-somente ajudar nessa evolução e nada mais, visto NINGUÉM EVOLUIR POR ALGUÉM.

Contudo e para maior segurança humana e espiritual de todos, reafirmo que só em perfeita unidade auferida junto de uma Confraternidade verdadeiramente Espiritual se pode evoluir sem percalços desnecessários e até, quantas vezes, dramáticos!… Ademais, um Grupo Esotérico Humano é a manifestação de um Mestre Real, constituindo o seu Núcleo, tal qual toda a Hierarquia Planetária em volta do seu Logos é a manifestação da Hierarquia Universal tendo como Centro o Logos Solar, o Deus Supremo do nosso Universo Sistémico.

A analogia das coisas dispersas novamente reunidas, leva ao entendimento da Unidade Universal.

Acerca da aproximação do discípulo ao Altar do Fogo Sagrado da Iniciação, com a antecedente debastação dos seus “eus” inferiores como lhe é exigida para que possa penetrar a Luz, é assunto comentado, num misto de severidade e beleza, no Poema A Voz do Silêncio, inspirado no “Livro dos Preceitos de Ouro” da Escola Transhimalaia dos Arhats e dado ao Ocidente pela extraordinária Helena Petrovna Blavatsky (Upasika), cuja tradução para a língua portuguesa se deve a Fernando Pessoa. Diz:

«Há apenas um Caminho para o caminheiro, e só bem no seu final se pode ouvir a “Voz do Silêncio”. A escada pela qual ascende o candidato é formada de degraus de sofrimento e dor, que só podem ser aplacados pela voz da virtude. Ai de ti, discípulo, se em ti restar um só vício que não tenhas deixado para trás. Pois então a escada cederá e te deitará abaixo; o seu pé está apoiado no profundo lodo dos teus pecados e falhas, e antes que possas atravessar este largo abismo da matéria, tens que lavar os teus pés nas Águas da Renúncia. Cuida que não ponhas um pé ainda sujo no primeiro degrau da escada. Ai daquele que ouse macular um só degrau com pés lamacentos. A lama vil e viscosa secará, tornar-se-á pegajosa, e acabará por colar-lhe o pé ao degrau, e como uma ave presa no visco do caçador astuto, ele será afastado de todo o progresso ulterior. Os seus vícios tomarão forma e o arrastarão à queda. Os seus pecados levantarão a voz, como o riso e o soluço do chacal depois do sol posto; os seus pensamentos se tornarão um exército, e o levarão com escravo cativo.

«Mata os teus desejos, discípulo; torna impotentes os teus vícios antes de dares o primeiro passo na solene viagem.

«Estrangula os teus pecados, e emudece-os para sempre, antes de levantares o pé para subir a escada.

«Silencia os teus pensamentos e fixa toda a tua atenção em teu Mestre, que ainda não vês mas já sentes.

«Funde num só todos os teus sentidos, se queres estar seguro contra o inimigo. É só por meio desse sentido, oculto na cavidade de teu cérebro, que o íngreme caminho para o teu Mestre pode descortinar-se aos olhos turvos da tua alma.

«Longo e penoso é o Caminho diante de ti, ó discípulo! Um simples pensamento sobre o passado que deixaste para trás te arrastará para baixo, e terás que começar de novo a subida.

«A Luz do Único Mestre, a áurea e imarcescível Luz do Espírito, lança os seus fúlgidos raios sobre o discípulo desde o primeiro instante. Os seus raios penetram as espessas nuvens da matéria.»

Alcança, por fim, a 1.ª Iniciação Real. Unido ao seu Mestre Interno, é levado aos pés do seu Mestre pessoal que o consagra efectivo Aspirante ao Adeptado. Aqui o Discípulo adquire o poder equivalente ao do Reino Mineral, correspondendo – nesta 4.ª Cadeia Planetária dividida em 7 Rondas em cuja 4.ª estamos – à 1.ª Ronda de Saturno (Ar), pelo que este 1.º Grau do Aspirante ou Sotapati equivale ao Nascimento espiritual.

Passados alguns anos ou várias vidas – quiçá! – conquista a 2.ª Iniciação Real, que lhe é conferida, através do seu Mestre pessoal, pelo próprio Mestre do Mundo, o Bodhisattva, função hoje assumida pelo Cristo (JEPHER-SUS ou MAITREYA), indo adquirir poder equivalente ao do Reino Vegetal durante a 2.ª Ronda Solar (Fogo). Este é o Grau do Probacionário ou Sakadagamin, do que recebe o Baptismo espiritual e está destinado a passar as mais variadas provações como esgotamento kármico e adquirição da consciência necessária à superação da fatídica “Roda dos Renascimentos”.

Por norma, ainda que hajam raras excepções, até à 3.ª Iniciação pode acontecer que o Discípulo não tenha consciência imediata de que é realmente Iniciado, e isso só é detectável, aos olhos dos demais com lucidez e esclarecimento, pela suas virtudes, sapiência e vontade inquebrantável em prosseguir no Caminho da Evolução, mesmo “contra todos os ventos e marés” do tempestuoso mundo profano.

Na 3.ª Iniciação Real é finalmente Aceite pelo seu Mestre pessoal, criando este uma teia ou tela etérica (podendo ser destruída se o discípulo recuar no seu progresso) que ligará os dois como um só. Nesta fase e através do seu Mestre, o Discípulo é consagrado pelo Senhor do Mundo, o Rei do mesmo como Melkitsedek ou Chakravarti, acontecendo a Transfiguração ou Metástase da personalidade com o seu Eu Divino, e é chamado de Anagamin passando a deter poder semelhante ao do Reino Animal durante a 3.ª Ronda Lunar (Água).

Advém, finalmente, a 4.ª e última Iniciação Real no Caminho do Discipulado. Ele é já um semi-Mestre, um semi-deus. Neste período o Iniciado é Unido à Consciência do Logos Planetário, assumindo-se um Chresto ou Arhat, cuja Crucificação derradeira da sua personalidade permite-lhe o acesso, pelo domínio da Terra (4.ª Ronda – Reino Humano), ao Reino dos deuses e de Deus, ou seja, a própria Agharta–Shamballah. É, pois, repito, um Chresto, “Ungido ou Iluminado divino” porque Arhat de Fogo.

Só na 5.ª Iniciação se pode considerar o Discípulo um Mestre Verdadeiro, Mahatma ou Asheka. Equivale à Ressurreição na tomada de posse do 5.º Reino Espiritual, por sua consciência ir até o próprio Logos Solar e, consequentemente, ter o domínio pleno do 5.º Elemento ou Quintessência da Natureza – o Éter, com que já se tece a 5.ª Ronda de Vénus da actual Cadeia Planetária.

Mas falar do divino Adepto, do Dhyani-Jiva como Jivatmã, só se pode fazer por metáforas, pois que Ele é realidade misteriosa para além de toda e qualquer concepção finita do imperfeito intelecto humano. É falar de Deus Antropomórfico e, ao mesmo tempo, do Pai Interno… assim, em boa verdade, Deste não se pode falar com justeza e perfeição, não por ser dogma proibido e sim por limitação humana, só restando o essencial a um e a todos: procurar senti-Lo, ouvi-Lo, vivê-Lo!…

Mesmo assim, para um entendimento mais perfeito que o intelecto humano sempre exige, devo informar haverem ainda as 6.ª e 7.ª Iniciações, as de Choan e Mahachoan correspondentes à Assunção e ao Pentecostes, equivalentes à 6.ª Ronda de Mercúrio (Subatómico – Permeabilidade) e à 7.ª Ronda de Júpiter (Atómico – Plasticidade) com que desfechará a Cadeia actual.

Quando o Homem atinge o Adeptado, os Senhores do Karma Universal (Maharajas) apresentam-lhe e deixam à sua escolha um de 7 Caminhos por que doravante poderá prosseguir a sua evolução, como sejam:

1.º – Caminho do Logos Central (Mahaparabrahman)

2.º – Caminho do Logos Solar (Parabrahman)

3.º – Caminho do Logos Planetário (Brahman)

4.º – Caminho dos Arqueus (Assuras)

5.º – Caminho dos Arcanjos (Agnisvattas)

6.º – Caminho dos Anjos (Barishads)

7.º – Caminho dos Homens (Jivas)

Antes de prosseguir para o desfecho do presente capítulo, devo responder à seguinte questão que me foi colocada por um estudante e a qual é pertinente ao tema em causa: – Está o Espírito dentro ou fora do Homem? Entendendo a Centelha Divina como sendo de natureza subtil e não física, respondo que o Espírito localiza-se sobre o Homem e envolve-o como uma Cachoeira de Luz ou Aura Gloriosa, síntese de todas as demais, pelo que é vista como um maravilhoso arco-íris resplandecente, ainda assim sobressaindo o tom púrpura ou cor de sol-posto. À medida que os “centros vitais” (chakras) humanos são desenvolvidos em proporção crescente, mais a Luz Espiritual manifesta-se por eles na Alma e no Corpo, e com isso maior se torna a Consciência no Homem. Chama-se a isto Iluminação e Iniciação, ou seja, a Iluminação Interior que permite a Iniciação Exterior, para com isso chegar ao domínio pleno das Leis da Vida, ou seja, ao Adeptado.

De maneira que a disciplina que leva à Realização Integral do Homem, apresenta-se com três etapas:

1.ª – A Preparação, que desenvolve os sentidos espirituais;

2.ª – A Iluminação, que aviva a Luz Espiritual;

3.ª – A Iniciação, que permite a comunicação com Deus e os Deuses.

Para terminar este estudo, já longo, dou o remate final com um trecho de texto interno do Colégio Teúrgico, o qual se apresenta com a lucidez e a abertura mental que só a Sabedoria Iniciática das Idades pode conferir a um e a todos:

– A Via do Discipulado é algo extremamente difícil. A inflexibilidade dos Mestres perante a conduta dos Discípulos não deixa de ser acompanhada do maior amor, da mais profunda compreensão perante as suas grandezas e misérias. Também os Mestres foram um dia Discípulos, também Eles caíram e se levantaram nessa senda tortuosa, também Eles se viram abatidos, vezes sem conta, pelo destino, numa esquina qualquer da vida. É Camões quem maravilhosamente resume toda a tragédia contida nas vidas do Discípulo, nesta sibilina frase: “Erros meus, má fortuna, amor ardente”.

Mais do que ninguém sabem os Mestres dar o devido valor àquilo que custa ser Discípulo. Este é, na realidade, um guerreiro e cada vitória, cada sucesso, tirado a ferros, arrostado contra a dureza de um meio, que nada perdoa e de nada se compadece, é uma página imortal escrita quantas e quantas vezes com o sangue, o suor e as lágrimas dolorosamente arrancadas a uma condição que apenas se pode gabar de ser humana. O Discípulo é acima de tudo um homem humilde, palmilhando a vida sem nada ter de verdadeiramente seu porque tudo dá no serviço desinteressado aos outros, quantas vezes de rastos, o rosto contra o pó, pois só desse modo se pode olhar Deus face a Face. Ou não estivesse Ele no Centro da Terra… E assim se transforma o Discípulo um Homem Sábio.

O Homem Sábio não é aquele que faz tudo bem feito, mas sim o que tendo uma má atitude sabe corrigir o seu erro e humildemente pedir desculpa.

O Homem Sábio não é aquele que só tem pensamentos puros, mas sim o que, ao ter um pensamento impuro, consegue de imediato envolvê-lo numa onda de amor, neutralizando-o.

O Homem Sábio não é aquele que só tem certezas, mas sim o que sabe forjar na dúvida a força do seu carácter, a constância dos seus ideais.

Os Discípulos de Aquarius estão, de facto, hoje em dia, vivendo em condições interiores extremamente duras, mas também infinitamente promissoras.

Nada se consegue sem esforço e “quem quiser passar além do Bojador, tem de passar além da dor”.

 

OBRAS CONSULTADAS

 

Henrique José de Souza, A Verdadeira Iniciação. Reimpressão das edições de 1939, 1957 e 1969 em 1980 pela Associação Editorial Aquarius, Rio de Janeiro. Última impressão: 2001, São Lourenço (MG).

Carlos Lucas de Souza, O Raiar de um Novo Mundo (Órgão Monumental da Civilização Eubiótica). Brasília, 1968.

Luzes da Iniciação Eubiótica, colectânea de textos de António Castaño Ferreira e Sebastião Vieira Vidal. Nova Brasil Gráfica e Editora Ltda, São Lourenço (MG), primeira edição em Fevereiro de 2006.

Coletânea de autores, Os Grandes Iluminados. Aquarius, Fundo Editorial, Rio de Janeiro, 1968.

Roberto Lucíola, Dhyanis. Caderno “Fiat Lux” – 17, Novembro de 1998, São Lourenço, Minas Gerais, Brasil.

Roberto Lucíola, Iniciação. Caderno “Fiat Lux” – 34, Fevereiro de 2003, São Lourenço, Minas Gerais, Brasil.

Helena Blavatsky,  A Voz do Silêncio. Versão portuguesa por Fernando Pessoa. Editora Civilização Brasileira S.A., Rio de Janeiro, 1969.

Vitor Manuel Adrião, Dogma e Ritual da Igreja e da Maçonaria. Editora Dinapress, Lisboa, 1.ª edição Setembro de 2002.

Vitor Manuel Adrião, A Ordem de Mariz (Portugal e o Futuro). Editorial Angelorum, Lda., Carcavelos, Maio de 2006.

Vitor Manuel Adrião, Portugal, os Mestres e a Iniciação. Via Occidentalis Editora, Lda., Lisboa, 2008.

Diálogos Agarthinos – Correspondência Epistolar entre Vitor M. Adrião e Luís A. W. Salvi, três volumes. Edições Agartha, Alto Paraíso de Goiás, 2008.

Coletânea de autores, A Teurgia e a Fraternidade Espiritual Portuguesa. Edição Comunidade Teúrgica Portuguesa, Sintra, 2011.

Alice A. Bailey, Iniciação Humana e Solar. Fundação Cultural Avatar, Niterói – Rio de Janeiro, 1975.

C. W. Leadbeater, Os Mestres e a Senda. Editora Pensamento, São Paulo, 1977.

Textos Internos da Comunidade Teúrgica Portuguesa.

 

http://lusophia.wordpress.com/2011/06/01/brahman-dharma-o-caminho-da-verdadeira-iniciacao-por-vitor-manuel-adriao/

SHAMBALLAH – Prof. Henrique José de Souza (Dedicado a H. P. B.)

SHAMBALLAH – Prof. Henrique José de Souza

(Dedicado a H. P. B.)  

Ó tu, irmão amado que vais ler estas linhas, como discípulo que és dos Mestres!Presta atenção ao Velário que vai rasgar-se diante dos teus olhos, para apresentar ocenário magnificente do Maior Santuário do mundo: o país de SHAMBALLA. Como profano que és, mister se faz que te banhes em todos os rios sagrados por onde passares, em cujo seio já foram recebidos os corpos desses semideuses que levam os nomes de Mahatmas, de Sufis, de Arhats, de Bodhisatvas e até mesmo de Buddhas, porque Índia é tua pátria, é a pátria de todos os homens, de todas as religiões e filosofias; e, porque não afirmar – de todas as línguas. Se queres transpor as cordilheiras do Himalaia, perfuma-te primeiro com os unguentos mais valiosos que conheceres e despe-te de todo pensamento impuro, esquecendo Pátria, família, e até a própria vida. Eis que diante de teus olhos admirados, surge o Grande Deserto de Gobi. Para e descalça as tuas sandálias, beijando três vezes o pó, porque estás pisando a Pátria Sagrada dos Deuses.

Desde esse momento, começaste a aspirar o perfume inebriante do Loto Sagrado que se oculta majestoso e belo dentro da Cidade Eterna. Dize mais uma vez, um último adeus ao horizonte imenso onde desapareceram todas as tuas aspirações terrenas, porém, não te voltes mais, se de fato queres prosseguir na tua jornada de peregrino. Reflete bem, irmão amado, que jamais humanas criaturas ousaram pisar essas paragens inóspitas, reminiscências do passado grandioso de uma raça. Já ouviste falar na harmonia dos sons? Já sentistes as vibrações puras e divinas do AUM Sagrado, que repercute em todas as cousas? Não estranhes esta linguagem se ela é nova para os teus ouvidos; ou volve os teus passos se ela te confunde ou atemoriza. Seca as tuas lágrimas passadas e ri, mas com o sorriso interno dos que não levam mais o pesado fardo do Karma individual, mas sim, do Karma Universal. Ouço-te a indagares de ti mesmo: que melodia é esta, tão estranha, mas tão sublime que se assemelha a um Coro Seráfico, acompanhado pela Lira maravilhosa de Orfeu e secundada pelos Versos doirados de Pitágoras, pelas últimas palavras de Jesus, o Cristo, a exalar o seu último suspiro; pelo doçura e compaixão de Çakyamuni; pela brandura e Sabedoria de Rama-Krishna; pelos Grandes Ensinamentos de Lao-Tsé, de Zoroastro, de Hermés, de Apolônio de Tiana? E este novo ruído estranho, como um ritmo cadenciado de um bailado místico, executado por vaporosas Sacerdotizas, que alimentam, talvez, o Fogo Sagrado de algum Templo Nirvânico? De fato, alguns passos mais e estarás diante das intransponíveis muralhas sagradas de um País até hoje desconhecido – Templo de Luz e de Amor. Estará o teu corpo fatigado! Terá ele fome ou sede! Se assim é, ainda podes retroceder, porque ali, embora sendo o Templo da Vida, morre-se de fome ou de sede, porque o alimento e a água cristalina ali existentes só alimentam e saciam aqueles que têm fome e sede de Luz. Palácio suntuoso e belo, não pode ser penetrado por pés profanos, nem mesmo pelos Reis e senhores do mundo. Se desejas ser escravo dos Reis Divinos, ou mesmo, se és um humilde peregrino que nada espera da vida terrena, mas somente Amor e Verdade, encoraja-te e ousa bater com o teu bastão contra a sua Porta de Ouro e… quem sabe, poderás ser recebido. Lembra-te, apenas, que aquele lugar é o Reflexo do Nirvana no Mundo, e lá, só penetram aqueles que O encontraram dentro de seus próprios corações.

 ––– Pobre de ti, alma peregrina! Volve os teus passos e aguarda uma outra ocasião mais propícia para seres recebida naquele PAÍS SAGRADO. Pensa e sofre comigo, meditando nas seguintes palavras: Ó SHAMBALLA! País Sagrado onde o Amor puro tem o seu verdadeiro Trono, guardado por Aqueles que levam o nome de Bhante-Youl! Berço Divino de Jesus, o Cristo; de Zoroastro; de Maitreya; de Hermés; de Rama-Krishna; de Çakyamuni e todos estes Reis Divinos que de tempos em tempos, vêm iluminar as mentes humanas, ou melhor, “nasceram em uma nova Yuga para restabelecimento da Lei”, sê Bendita por toda a Eternidade. Já que não me foi dado transpôr as grandes barreiras que me separam de Ti, consente ao menos que eu possa conservar em todo o meu ser, o perfume suave do Loto Sagrado que ocultas com tanto zelo e carinho, dentro do Teu Santuário de Amor. E tu, Maha-Chohan, o Maior de Seus Filhos, perdoa a minha profanação pronunciando o Teu Nome, ou se as minhas palavras, por um instante, foram perturbar o Teu Grande Sonho de Amor pelos homens, prestes a ser realizado! A tua Guarda avançada, o Senhor Teshu- Lama, no Seu Retiro Privado, pressentindo a minha presença profana, fez com que o caminho até então esclarecido pela melhor das esperanças, fosse obscurecido por não ser eu digno nem merecedor de tamanha graça. Loto Sagrado, abre as tuas pétalas perfumosas e belas e deixa cair sobre o mundo, a Pérola Divina, desprendida dos Olhos de Parabrahm, pela Sua Eterna Dor pelos homens, para que estes sejam benditos com a Tua Presença. Permite, ao menos que na Tua descida do Nirvana ao Mundo, Eu possa reconhecer-Te entre os muitos que virão, em Teu Nome, pelo perfume que um dia aspirei perto da Tua Morada e por aquela Música transcendente que os meus ouvidos jamais cessarão de ouvir.

–––

Pobre de ti, leitor amado, se não houveres compreendido estas palavras! Neste caso, é preferível não conservares esta página, mas sim, levá-la ao fogo e espalhares as suas cinzas na superfície de um lago tranquilo, para que em uma época futura, aí contemples a sua extraordinária metamorfose, em: “ROSAS DAS ÁGUAS – LOTUS BRANCOS E AZUIS, QUE EMERGIRAM DO FUNDO, ELEVADAS PARA A LUZ!”

H. J. Souza

MOVIMENTOS OCULTOS DOS ÚLTIMOS SÉCULOS – Por L. P. Domiciani

MOVIMENTOS OCULTOS DOS ÚLTIMOS SÉCULOS

Por L. P. Domiciani

“Todas as vezes, ó filho de Bharata! que Dharma (a lei justa) declina e Adharma (o contrário) se levanta, Eu me manifesto para salvação dos bons e destruição dos maus. Para restabelecimento da Lei, Eu nasço em cada Yuga (idade). – Bhagavad-Gîta”.

Além dos grandes ciclos bramânicos, existem outros menores, inclusive os de cinquenta anos, chamados nos Colégios iniciáticos do velho Egito, de “o florescer dos Lotos nos lagos sagrados”… Correm as lendas que ao ter lugar semelhante fenômeno “um Ego mais ou menos elevado se manifesta na Terra, como portador de missão especial entre os homens”. Ou então: “que ao começar cada curto período, somos afetados por um movimento tendente a levantar um ante-mural contra a vaga do imperialismo imperante”; o que tanto vale, por se encontrarem os homens afastados da “Lei justa” ou Dharma.

No século XIV, por exemplo, constata-se o trabalho grandioso de Christian- Rosenkreutz, fundador da Rosacruz na Alemanha (*1). No século XV, a Renascença e as grandes invenções. A Descoberta da América por Cristóvão Colombo (*2). No século XVI, a Restauração; as obras de Robert Bayle e a fundação da “Real Sociedade de Ciências de Inglaterra”. A Descoberta do Brasil, por Pedro Álvares Cabral, fato este que tendo lugar a 21 de Abril de 1500, é como se disséssemos que se deu no começo de um ciclo maior que os anteriores, embora que complementar ao trabalho de Colombo, que finalizava um outro, oito anos antes(*3).

No século XVII, o Ocultismo da Renascença e as grandes invenções. A Revolução de Olivier Cromwell, na Inglaterra. No século XVIII, a Revolução Francesa e a misteriosa trajetória dos Condes de Cagliostro e São Germano, de cujos personagens muito se fala… mas pouco se sabe…(*4).

No século XIX, o aparecimento da heróica princesa russa e famosa ocultista chamada Helena Petrovna Hann Fadeef de Blavatsky, trazendo para o Ocidente o Facho sagrado da Doutrina Secreta (por outro nome, Teosofia), como o desfolhar de uma nova página na História,  onde se subscreve o movimento mais intenso e mais valioso de quantos se conhecem em matéria de espiritualidade para o mundo(*5).

 A Proclamação da República Brasileira (1889) ou um século justo depois da Francesa (1789), por isso mesmo, estreitamente ligados (os dois fatos) ao futuro movimento espiritualista que se ia dar em Sul-América. Desencarna na Índia (1883) o grande Ramakrishna e nasce no Brasil, nesse mesmo ano, à meia-noite (tal como a hora do nascimento de H. P. B.) de 15 de Setembro, aquele que se acha à frente da Obra em que a S. T. B. está empenhada: JHS. No século XX, a Conflagração européia. As Revoluções na Rússia, no México, em Portugal, Espanha (nesta com a proclamação da República, etc.); em vários países da América Latina, inclusive o Brasil (movimentos todos tendentes a uma modificação geral, quer política, social ou religiosamente falando, etc., embora que mui longe ainda de expressar a sua verdadeira razão de ser) (*6). As grandes descobertas que dia a dia vêm maravilhando o mundo, a começar pela da aviação (“o mais pesado que o ar”) que coube ao ilustre brasileiro com o nome de Santos Dumont. A Radiotelegrafia, a Televisão, o Cinema falado e inúmeras outras, que seria fastidioso enumerar. Sobressai como o maior movimento espiritualista, o da fundação da Obra em que a S. T. B. se acha empenhada, ou seja, o do Advento da 7ª sub -raça ariana, por outro nome, Ibero-Americana. Movimento este que não poderia deixar de ser no Brasil, cujo nome bem exprime que “é nele onde se mantêm vivas e crepitantes as BRASAS de Agni, o Fogo Sagrado”. Em resumo, os fenômenos cíclicos estão dentro da própria Lei Universal, pois, como disse o grande vidente sueco Emmanuel Swedenborg: “A lei mais essencial da Natureza, é a da vibração. Um ponto morto, um ponto imóvel é absolutamente impossível dentro do nosso sistema. Os movimentos sutis, que chamamos de vibrações ou ondas; os mais vigorosos, que chamamos de oscilações; as trajetórias dos planetas, que chamamos de órbitas; as épocas da História, que conhecemos como Ciclos… tudo é um movimento ondulatório, cíclico, de ondas no ar, no éter, na água, na aura, na terra, por nebulosas, pensamentos, emoções de tudo quanto é imaginável”.

(NOTAS) :

(*1) Antes de H. P. B., o verdadeiro fundador do Espiritualismo, foi Christian Rosenkreutz, portador de toda Ciência esotérica dos sábios árabes, por sua vez, herdeiros da cultura de Alexandria. Rosenkreutz criou, com outros “Doze Mestres” (cópia fiel do “Rei ARTUS”, palavra que lida às avessas, é Sûtra ou Sutratma, como “Fio de Oiro”, ou antes, “o fio que liga o Eu à Mônada e ao Segundo Logos”. E como diz a lenda, Aquele se achava no centro da Távola Redonda, cercado pelos Doze Cavaleiros, que outros não são, senão, os “Doze Signos Zodiacais”) fundou a célebre Instituição da ROSA-CRUZ. Cada um desses Doze Mestres tinha, do mesmo modo, um discípulo adequado, apto a perpetuar a respectiva Ciência do Mestre. Dizem que, Rosenkreutz reencarnou em Hunjadi Jainos, o célebre defensor da Hungria contra os turcos. E depois, em Bacon Verulamio, o grande escritor e filósofo inglês, fundador de outro organismo de caráter rosacruciano. E depois, no húngaro “Racowsky, príncipe real que, desaparecendo a tempo do cenário do mundo, salvou seu país na luta com a Áustria. E sua personalidade, diz-se, continua através dos séculos, é a mesma do Conde de Saint-Germain no século XVIII, preclaro discípulo da Loja Branca ou dos arhats, mas, com maior propriedade, membro das grandes assembléias nos reinos subterrâneos de Agardi (ou Agharta, Asgarda, Erdemi, etc.). Um amigo e discípulo, por sua vez, de Saint-Germain, foi o austríaco Zimsky, conhecido também por “o irmão José”, havendo quem afirme (?) ter sido a anterior encarnação de H. P. B. Saint-Germain e Zimsky, trabalharam juntos no século XVIII, fundando muitas Sociedades Secretas, algumas delas de caráter maçônico e nas quais eram admitidos, indistintamente, homens e mulheres. As referidas Lojas e outras mais, fizeram quanto lhes foi possível para estender o Ideal da Fraternidade entre os povos, porém o mundo não estava ainda preparado para semelhante movimento. Este ensaio teve, sim, êxito na América, que estava em melhores condições de recebê-lo, com a instauração e independência da grande república (logo seguida de semelhante movimento na do Sul, inclusive, no Brasil), enquanto fracassava, aparentemente, na Revolução Francesa, porquanto, a semente germinou desde aquele movimento… com a “Destruição da Bastilha”). Podemos mesmo afiançar que Saint-Germain e Cagliostro não foram alheios a tal movimento e, até, que se completavam para a sua auspiciosa Realização, à parte as idéias que o vulgo ou profano queira fazer dos termos “Bem e Mal” e todos os opostos que em casos tais, como em tudo na vida, é forçoso a se manifestar. E quanto a H. P. B. ter sido (como afirmam alguns) em sua encarnação anterior, “O Irmão José”, é semelhante àquela outra de que, logo se desencarnou “passou-se para o corpo de um marinheiro” e a seguir, para o de uma menina, etc… afirmativas essas que têm sua origem na mesma das “Últimas encarnações de Alcione”, isto é, na “sesquipedal clarividência” do famoso autor (hoje desencarnado) dessa nova Tragédia do Gólgota, que acabou em verdadeira comédia, com a dissolução da Ordem da Estrela, pelo próprio protagonista: o Novo Messias, mas o próprio “Jesus-Cristo”, como o afirmou a Sra. Besant em inúmeros artigos e conferências (Vide revista “Sophia” dos anos de 1912 e 1913, etc.). No Brasil, por sua vez, apareceu uma senhora que se dizia um novo “avatar” de H. P. B., porém, desta vez, como mãe de um messias arranjado à última hora… na nossa capital por um S. José que até hoje não quis adotar seu pequeno rebento… deixando que a moderna Maria fugisse só para o Egito… sem ao menos o auxílio de “Três Reis Magos” para que a criança não viesse a cair nas mãos de um pretenso “degolador de Inocentes”, como a Bíblia o faz com Herodes, o grande rei da Judéia… E quando citamos “o milagre sem apontarmos os santos”, foi apenas para demonstrar as belezas deste fim de ciclo apodrecido e gasto, onde se confundem coisas da mais transcendental espiritualidade, com as do mais baixo sensualismo. E não se diga que o caso é único; existem outros bem semelhantes, senão piores! Fora dessas “Aberrações psíquicas do sexo”, como diria o grande Roso de Luna, aparece de quando em vez “messias” espíritas, protestantes e outros mais, sem falar num oficial de nossa Polícia Civil, que se dizia a encarnação do próprio Jesus! Quem se reportar às “Profecias do Rei do Mundo”, que o próprio Ossendowsky cita em sua obra “Bêtes, Hommes et Dieux”, e já foram transcritas por esta revista, em artigos do Chefe da Obra, em que a S. T. B. se acha empenhada, ficará pasmo em ver como as mesmas se realizam em toda linha, desde os fatos já apontados, (sem falar os que se passam pelo mundo, inclusive, de inúmeras cópias do “Barba Azul”), como de guerras, revoluções e tudo mais!… São fenômenos naturais de todo ciclo nos seus últimos estertores!…

(*2) Cristóvão Colombo, quer queiram ou não os mais entendidos, foi um Ser Superior, cuja missão não era mais do que “abrir as portas de um Novo Mundo” (embora que velho, mas abandonado, devido a convulsões cósmicas anteriores… à verdadeira barbaria, como Karma natural do que restou da infeliz Atlântida, em grande parte no fundo do oceano). Razão de sua frase tão conhecida pelo mundo: “Com tres caravelas conquistarei um Reino… que não é o meu”, semelhante àquela outra, atribuída a Jeoshua: “O meu Reino não é deste mundo”…

(*3) Pedro Álvares Cabral, como português, completa a obra do anterior (como espanhol), pese a opinião de S. M. Il Duce e outros mais, que à viva força o querem dar como italiano, o que nos faz repetir uma frase do Diretor-Chefe da S. T. B., no seu artigo Poder Temporal e Poder Espiritual (em número atrasado desta revista): “Fiquem, se quiserem, com as glórias do homem, mas deixem ao menos, a quem morreu num catre miserável, a Pátria de seu nascimento”. Nesse caso, Colombo e Cabral iniciavam o trabalho das “mônadas Ibero-Americanas na sua fusão com as raças autóctones” para hoje, um prosseguimento mais espiritualizado, ainda, através de nossa Obra e quantos por Ela trabalham direta ou indiretamente. Com mais clareza, esse trabalho está expresso – de modo sintético – na própria letra do Hino da S. T. B., que vem publicado no presente número, Hino este que tem por título: “O Alvorecer de uma Era Nova” (ou da 7ª su b-raça, que tanto vale).

(*4) Como se conhece, até mesmo, através das Memórias de um médico, do ilustre iniciador de homens, que foi Mr. Alexandre Dumas (iniciador não só nesta obra, como na do Conde de Monte Cristo, etc.), Cagliostro trazia no peito, como Grão-Copta da Maçonaria egípcia, um emblema com as iniciais: L. P. D., isto é, LILIUM PEDIBUS DESTRUENS, já que seu papel era de “destruir a flor de lis”, completamente contrária ou caótica à “flor de lis egípcia” que, como se sabe, simboliza o próprio Loto sagrado das antigas iniciações daquele país. Além de, em forma ternária, estar de acordo com a “Lira sagrada” ou “Vina de Shiva” (as 3 cordas ou gunas, qualidades de matéria, etc.). Mr. Dumas recolheu vários dados para a sua obra, em arquivos de valor, embora que, uma grande parte fosse pura fantasia sua. O LPD, podemos afiançar, é uma das poucas coisas que ali figuram como verdadeiras.

(*5) H. P. B. além de todos os seus valores, lutou ao lado de Garibaldi, na batalha de Mentana, contra o poder papal. Razão porque até hoje o clero a abomina e a seu respeito se manifesta de cristianíssima maneira, principalmente, quando ousa atacar a sua honorabilidade e outras coisas mais, que esse mesmo clero deveria envergonhar-se em citar, por serem “prata de casa”, isto é, propriedade sua. A História que o diga em nosso lugar!… Foi nessa mesma batalha, em que H. P. B. mortalmente alanceada no peito, foi salva por um daqueles Seres que futuramente a guiaram no excelso movimento teosófico que todos conhecem, embora que durante muitos anos, ainda, aquela chaga se abrisse e dela vertesse sangue… Por uma dessas coincidências estranhas, o Chefe de nossa Obra, quando criança, caiu sobre uma lança da grade do jardim em que residia sua família e escapou miraculosamente. Tal marca traz ele até hoje no peito… e a respeito fala a sua Biografia publicada em número atrasado desta revista. E que se não vá julgar que ele pretende passar por H. P. B. Por mais honroso que isso pareça, prefere ele dizer com Cagliostro: Ego sum qui sum !, isto é, um simples discípulo, que muito mal suporta o peso do madeiro de sua missão… O nascimento de JHS em 15 de Setembro de 1883, lhe dá como signo Virgo e planeta MERCÚRIO. De sua companheira de missão (em 13 de Agosto de 1906), Sol e Leo como por coincidência, foram os mesmos de H. P. B. Coincidência mais estranha ainda: ambos trazerem os mesmos nomes dos fundadores da S. T. na América: Henrique e Helena. Do mesmo modo que, J. H. S. (ou H. J. S., como o quiserem), nasceu 52 anos depois de H. P. B. Além de ser um número de acordo com meio século (e mais 2 anos) do mistério dos “lagos egípcios”, possui profundos sentidos cabalísticos, já do baralho de jogar, ou 13 cartas em cada um dos 4 naipes, onde, além do mais, figuram: Rei, Rainha e Conde, ou Pai, Mãe e Filho para cada naipe, ou sejam, 12 figuras ao todo, como “os Doze Cavaleiros da Távola Redonda”, em torno do Rei Artus, sobrando 40 cartas brancas (como vulgarmente são chamadas). E que esse número (40) representa “a idade da razão”, ou a do manifestar de Kundalini (o Fogo cósmico) em certas pessoas já evoluídas. Ademais, Kundalini – qual “Bela Adormecida no bosque”, dos “Contos infantis”, dorme no Chakra Raiz (ou Muladhâra), embora seu despertar ou “câmara”, seja no Chakra do coração. E como sabem os entendidos, o primeiro possui 4 pétalas, valor das 4 Rondas já decorridas: Mineral, Vegetal, Animal e Humana. Multiplicando-se esse número de pétalas pela potência máxima esotérica, que é 10 (da Árvore Sephirothal cabalística… e até, dos 10 avataras de Vishnú), obteremos o número 40. Além disso, o calor de Kundalini, até certo ponto, é igual ao febril, pois acima de 40º a vida se acha em perigo. Daí o delírio, as alucinações, que são um estado caótico, do fenômeno que se dá com o “despertar de Kundalini”, isto é, a verdadeira visão espiritual dos grandes Iluminados !…

(*6) Figura, ainda, como um dos muitos acontecimentos de valor no século atual, o movimento indiano, levado a efeito pela figura insuperável de Gândhi, a favor da liberdade daquele povo, há bastante tempo, sob o peso cármico de suas passadas imprevidências. Desse movimento surgiu a odiosidade por parte da maioria indiana, principalmente dos intelectuais, contra a Sra. Besant, que além de ter “atiçado a Inglaterra sobre o mesmo Gândhi” (como noticiaram vários jornais do mundo, inclusive, em nosso País, o Correio da Manhã e outros mais), lançou uma Mensagem transcrita por El Loto Blanco, que se edita em Barcelona (Novembro de 1930), “Aos Membros da Sociedade Teosófica”, cuja começa assim: “Quando pela primeira vez recebi do Rei (?) o encargo de trabalhar pela liberdade da Índia, em Shamaballah, etc.” Em tal Mensagem ela criticava Gandhi, porque, a seu modo, não haveria derramamento de sangue, e com o daquele o fato se deu. Ora, se a Índia esperasse a sua redenção pelos processos silenciosos da Sra. Besant (embora que louváveis no ponto de vista espiritual…) teria que o fazer por mais alguns séculos, aguardando até a nova encarnação de quem não poderia durar por tão longo tempo. Enquanto, com Gandhi, se a liberdade não foi perfeita, muita coisa já usufrui a Índia, pelo seu espírito de sacrifício, como o mundo inteiro está farto de saber. E foi tal esse espírito de animosidade contra a Sra. Besant, que a The Theosophical Society (de Point-Lama), na América do Norte (que se diz a verdadeira fundada por H. P. B. e Olcott, etc.), lhe ofereceu hospitalidade, embora a mesma senhora não a aceitasse, num gesto digno de louvor. E… como “fatalista, que era, crente apenas no Karma, mas nunca na “lei do livre arbítrio”, que permite ao homem, este ou aquele caminho a seguir… deveria ter compreendido que, se Karma não erra, logo foi ele quem permitiu a Gandhi a missão que ela afirmava ter recebido das mãos do Rei do Mundo, diferente, portanto, de uma Jeanne d’Arc (cujo significado verdadeiro é: Jina da Arca, Agarta, Shamballa, etc., onde reside esse mesmo Rei citado em sua Mensagem). E pelo que sabemos… Jeanne d’Arc (cujo significado verdadeiro é: Jina da Arca, Agarta, Shamballa, etc., onde reside esse mesmo Rei citado em sua Mensagem). E pelo que sabemos… Jeanne d’Arc não venceu os inimigos da França com sermões teosóficos, por mais eficientes que eles o sejam. Em resumo, não somente esses fatos apontados, como os da dissolução da Ordem da Estrela e o rumo diferente que o próprio protagonista ou Chefe daquela deu à questão messiânica, que lhe colocaram sobre os ombros (ela, Besant e o bispo Leadbeater) – já que “o messianismo sempre foi o achaque dos débeis”, como diria o grande Roso de Luna – precipitaram sua morte, que se diga de passagem, no ponto de vista puramente teosófico, foi uma grande perda para o mundo, principalmente em uma época, como a atual, onde é aterradora a confusão de ideais grosseiros ou estúpidos…, pois, só a espiritualidade pode redimir as criaturas humanas. E como provas insofismáveis da decadência do ciclo, para o alvorecer de um outro portador de melhores dias para a Terra, essa mesma confusão idealística, a começar pelo já intitulado “Von Sovastica”, que preferiu o símbolo da involução, repudiado pelos jainos e budistas, como da “fatalidade”, ao invés da SVASTICA (cujo movimento é, como tudo mais, da esquerda para a direita), por isso mesmo, progresso, evolução, espiritualidade, etc. Daí, com aquele outro símbolo de barbaria ou involução: a perseguição atroz aos judeus; a pena de morte a machadadas, as castrações e tudo mais quando o mesmo Von Sovastica, está pondo até hoje em prática. O pior é que outros povos desprecavidos, não ligando importância ao sábio aforismo de que “cada povo tem o governo que merece”, queira imitar tamanhas belezas, para retardar, por exemplo, o Trabalho espiritual em mãos de quem possui espírito mais lúcido… – Notas do Autor.

in Dhâranâ nº 84 – Abril a Junho de 1935 – ANO X

MISTÉRIOS TIBETANOS OU ORIENTE E OCIDENTE – Por Lorenzo P. Domiciani

MISTÉRIOS TIBETANOS OU ORIENTE E OCIDENTE

Por Lorenzo P. Domiciani

 

CHIGAT-SÉ e GYANG-TSÉ encontram-se na região do Nyang, distantes quatro milhas de seu confluente. E Lhassa – como capital do Tibete – sobre o Kyi, sendo que esses dois rios (Nyang e Kyi) são, afluentes do Brahmaputra. Não faltam, entretanto, escritores ocidentais – principalmente os que nunca exploraram as regiões tibetanas – que confundam as duas primeiras cidades, uma com a outra, devido seus nomes um tanto parecidos. Na capital tibetana residia o Dalai-lama, senhor dos dois poderes: o temporal e o espiritual, isto é, como regente do Tibete, ao mesmo tempo que, sumo-sacerdote do Lamaísmo, uma espécie de Papa, para aquela religião anterior ao chamado Cristianismo. Por isso mesmo, fazendo lembrar as aspirações vaticanescas de muitos séculos: assenhorear-se desses dois poderes… à fim de dominar o mundo, esse mesmo mundo que ela, aliás, a seu modo, só o concebe sob o velado nome de “Paraíso terrestre”, enquanto o próprio Budismo e as mais valiosas filosofias – principalmente orientais – interpretam como o único e verdadeiro lugar, onde a Mônada adquire experiência, através de múltiplas encarnações, para não dizer, a Consciência perfeita de sua origem, segundo seu próprio significado de Um, unitário, etc. Quanto ao Teshu-lama, residia em Chigat-sé, mais conhecida como seu “Retiro Privado”. Entretanto, os próprios habitantes do Tibete – principalmente os mais cultos – sabiam muito bem distinguir um poder do outro, dando ao Dalai-lama, o temporal e ao Teshu-lama, o espiritual, não só pelas suas virtudes e grande talento, como pelas faculdades psíquicas de que era possuidor. Dizem as lendas tibetanas – com o testemunho de nomes insuspeitos, como os de Blavatsky, Rev. Huc. David-Neel, Roerich, Ossendowsky e alguns mais – que “ao dar entrada o Teshu-lama em seu santuário, todas as lâmpadas se acendiam por si mesmas”, sem falar, em fenômenos outros, por sua vez, dignos de causar admiração, principalmente a ocidentais, mui longe de poderem descobrir a sua origem. Figura entre eles, por exemplo, o acontecido quando o famoso caudilho tibetano foi em visita à Índia: perguntaram-lhe “se era verdadeiro tudo quanto se dizia a seu respeito”. Sem responder, mas esboçando apenas um sorriso enigmático, o Teshu-lama desaparece misteriosamente da presença de quantos o cercavam. Começaram logo a procurá-lo por todos os recantos da casa – embora que inutilmente – para depois, seguidos pelas vozes que partiam do jardim, encontrarem-no tranquilamente sentado debaixo de uma árvore, a conversar com um visitante que acabava de chegar.

 

Mistério muitíssimo mais importante – que só agora se revela ao mundo, por ter chegado à ocasião precisa – é aquele que diz respeito, não só ao Teshu-lama e Dalailama, como ao Buda-vivo da Mongólia: Comecemos por dizer que, o último (como 31º da misteriosa categoria dos Budasvivos… e dando razão de ser á antiquíssima tradição), desapareceu da Terra no ano de 1924 (Vide, a respeito, obras de Roerich e Ossendowsky) que, por uma dessas coincidências interessantes, foi o mesmo da fundação material da Obra em que a S. T. B. se acha empenhada, quando ainda possuidora do nome DHÂRANÂ que, aliás, é ainda honrado como título incomparável de seu órgão oficial.

O Teshu-lama, como se sabe, é logo depois obrigado a fugir para a China, enquanto o Dalai-lama – como a própria imprensa o anunciou aos quatro ventos, desencarnou no ano transato, embora a política religiosa dos lamas de Lhassa… já o terem dado como novamente encarnado na face da terra, o que não passa de um “truque”, porquanto, são as próprias tradições tibetanas que afirmam ter sido ele o último. Se consultarmos a obra do ilustre escritor e pintor russo, Sr. Nicolas Roerich, cujo título é O Coração da Ásia (pág. 77 da ed. Esp.) encontraremos: “O Dalai-lama é olhado como a encarnação de Avalokiteshvara e custódio da verdadeira Doutrina do Buda. Ao mesmo tempo que se afirma em todo o Tibete uma profecia emanada do mosteiro de Tenjye-iing que, o atual e décimo terceiro Dalai-lama será o último ”… 7. Interessante coincidência ainda, é aquela de ser o Dalai-lama o 13º enquanto o Buda-vivo era o 31º, isto é, os mesmos números cabalísticos ao contrário… Essa Trindade enigmática (aí é que está o maior mistério!) – aparte as dissidências (maiávicas ou não) havidas várias vezes entre os seus componentes – era o símbolo vivo de outro mais importante (mistério) que se passa nos reinos subterrâneos de Agardi (ou a AGHARTA, como querem outros), e até, na “cidade de Erdemi”, segundo as tradições mongóis… referentes ao “Rei do Mundo ladeado por seus dois Ministros, conhecidos cabalisticamente como Mahima e Mahinga, mas cujos nomes (puramente atlantes) são bem outros…8

Tal fenômeno reflexivo do que se passa embaixo… dava na face da Terra, ao Buda-vivo, a representação do próprio Rei do Mundo, enquanto aos outros dois, respectivamente, o dos seus já referidos Ministros. Razão das trocas constantes de correspondências e… ligações ocultas entre os três, através, de um outro não menos misterioso personagem (por sinal que à frente de um exército de fiéis servidores, qual lenda oriental do “Velho da Montanha” com seus auxiliares esparsos por várias partes do mundo) conhecido como o Tchen-kung-lama, possuidor de dons psíquicos inigualáveis, a ponto de aparecer, simultaneamente, em dois ou mais lugares. Esse seu dom de ubiquidade é conhecidíssimo dos tibetanos, que o respeitam e veneram, já tendo mesmo chegado ao conhecimento de vários ocidentais, inclusive, do ilustre escritor russo, sr. Ferdinand Ossendowsky, autor de “Bêtes, Hommes et Dieux”, que além de ter obtido provas insofismáveis a respeito, fez-lhe o mesmo ver seus parentes distantes, dos quais desejava o explorador russo obter notícias, porquanto, o Soviet o perseguia tenazmente naquela época…

Dos mistérios tibetanos não foram esses apenas os que presenciou o Sr. Ossendowsky. Visitando o mosteiro de Narabanchi-kuri, onde fora recebido principescamente, devido aos seus conhecimentos médicos e outros mais, narrou-lhe o lama bibliotecário do mosteiro, várias lendas a respeito do Rei do Mundo, inclusive, que o mesmo já havia aparecido naquele apartamento onde se encontravam no momento, por sinal que tomando lugar em uma cadeira-trono ali existente. E ao referir o fato, o escritor russo acrescenta que, no mesmo instante apercebera movimentos no espaldar do referido “trono”, além de fugidia silhueta, que se erguia e desaparecia misteriosamente. Esse fato comprova o que acabamos de explicar sobre as relações ocultas do Buda-vivo da Mongólia com o denominado “Rei do Mundo”; ainda mais, pelo mosteiro de Narabanchikuri se achar sob a jurisdição da cidade de Ta-kuri, (que quer dizer “Cidade do Sol”) como residência do famoso e “excêntrico Buda”, segundo o chamam alguns escritores ocidentais (recebidos pelo mesmo) querendo apenas julgar um ser daquela categoria, por suas maneiras esquisitas e infantis desejos… E muito mais, por ignorarem que naquela velha carcaça, que necessitava de “liames” terrenos (qual aeróstato cheio de lastro para não se elevar pelos ares), encontrava-se um Ego digno do maior respeito e veneração. O termo “excêntrico” não é de todo ofensivo; entretanto, se como profanos o chamassem de “deus decrépito”, referindo-se apenas ao físico, acertariam muito mais! Felizmente que, tais escritores eram os primeiros a ficar assombrados diante da palpável contradição… (do “velho deus em seu crepúsculo vespertino”…), quando no meio de tais “excentricidades”, deixava a tudo e a todos, para “ir ouvir as vozes do Alto que o chamavam”, à fim de lhe dar instruções e visões, que seus próprios “marambas” dificilmente as sabiam interpretar!…

Pois bem, nesse mesmo mosteiro de Narabanchi-kuri, existe uma valiosa tela com a tradicional figura do “Guerreiro branco, à frente de seu exército”, por ser, de fato, o do “Kalki-avatara” ou Cavalo Branco… além de mais abaixo, 7 misteriosas figuras, como reprodução em miniatura da célebre “Galeria dos Budas”, do mosteiro tibetano de Gyangtsé, que publicamos acima deste despretensioso artigo. 9

Falta apenas dizer que, por trás daqueles que se conhecia como o Dalai-lama e Teshu-lama, ocultavam-se dois seres misteriosos, que bem se poderia dizer, eram os verdadeiros donos ou possuidores de tais títulos. E a prova se encontra em vários escritos dos referidos autores, como de outros mais, inclusive o fato de uma comissão de pessoas cultas de diversos países, que foram visitar o Dalai-lama e este lhes responder, em suas línguas (diferentes) às mais complicadas perguntas que lhe fizeram, porém… “com uma voz afeminada, que parecia sair do chão, porquanto, o pseudo-regente do Tibete trazia os lábios completamente cerrados… naquela ocasião”. O que não resta a menor dúvida – pese opiniões contrárias – é que o Ciclo do Oriente – representado por Mongólia e Tibete (este, segundo o significado de seu nome, “Telhado do Mundo”), findou com o desaparecimento dos tres misteriosos personagens, dos quais nos ocupamos até agora. Quem ousaria outrora transpor o colossal gigante de granito, que é o Himalaia, como verdadeiro Portal que interdizia aos ocidentais a entrada no misterioso e natural  Templo dos “Mahatmas” e “naldjorpas”… como fiéis Guardiãs da Ciência Eterna e Sagrada? O Tibete de hoje não pode ser comparado ao de quinze anos atrás, quanto mais ao de meio século, etc. Qualquer pessoa, desde que esteja munida de um passaporte visado pelas autoridades inglesas da Índia, não mais necessitará de se disfarçar em lama, como o fizeram o Pe. Huc, Montgomery e outros mais, para não passarem por sérios aborrecimentos, inclusive… o de não mais voltarem aos seus países. Acontece, porém, que os chamados “mestres tibetanos” aprenderam com isso a se tornar mais zelosos das verdades que estavam sob a sua guarda, porquanto, outrora era, de fato, uma arriscada prova de iniciação para qualquer… o de chegar até junto de um deles. Por isso mesmo, a heroicidade do “discípulo ocidental”, tornava-se outrora, a melhor credencial para, depois de algum tempo, ser ele recebido por aquele que deveria ser o seu Gurú ou instrutor. Quanto à parte da Mongólia… o Soviet incumbiu-se de destruir os obstáculos que interdiziam a entrada de estrangeiros nos sacrossantos lugares onde viviam “os Deusesencarnados”, embora que a China – conservadora de antiquíssimas tradições… vá acolhendo em seu seio, aqueles que ela reconhece como dignos de maiores homenagens!… Tibete! Mongólia! Por mais que procures hoje encobrir aos olhos profanos os grandes mistérios que ainda se conservam em teu seio… as tuas sublimes Luzes já banharam as partes do Ocidente, que a própria Lei havia designado como dignas de tamanho privilégio, realizando assim a arcaica profecia”, de que o Oriente teria que se unir ao Ocidente” (espiritualmente, já se vê). A exclamação “swedenborgiana” do Ecce Oriente Lux! pode hoje ser correspondida, pela de Ecce Occidente Luz! Tal como o ouroboros (grego), a serpente mordeu a própria cauda, pois hoje ninguém pode reconhecer de que lado se encontram cabeça e cauda da “misteriosa serpente”, simil daquela antiquíssima, mas desconhecida tradição caldaica, do “Dragão Cósmico”, que inverteu as polaridades do mundo!… Quando em 1924, ou do início material da Obra, (pois, como se sabe, foi em 1921 que teve lugar o espiritual, como prova, além do mais, o Governo Supremo da STB funcionando em edifício próprio onde se deu tal eclosão) isto é, nos seus tempestuosos dias com o nome de DHÂRANÂ (*10), chegava-lhe daqueles sacrossantos lugares no Oriente, uma Saudação que não podemos deixar de transcrevê-la hoje, para que, além do mais, os que acompanham de perto a vida da mesma (Obra) possam, melhor, ajuizar das nossas palavras, principalmente, se levarem em consideração os grifos que, mui propositadamente, fizemos em tal Saudação, que é: “Salve Dhâranâ! Rebento novo, mas vitalizado pela uberdade do Tronco gigantesco donde nasceste. Vieste do Oriente como uma Rama extensa, florescer as mentes dos filhos deste País grandioso, que já tiveram a dita de ouvir o cantar mavioso da Ave canora, que lhes segreda internamente amor a todos os seres. Os teus triunfos já são cantados em melodiosas estrofes, no grande Concerto Universal da Cadeia Setenária (“Os sete Raios de Luz”, a “7ª sub-raça”, etc., dizemos nós), porque tu, excelsa Potência mentalizada por teus grandes esforços, em vibrações conosco, começaste a dar crescimento nas tuas frágeis hastes, às folhagens verdejantes, onde amarelados frutos serão colhidos por todos aqueles que se acham famintos e perdidos na grande floresta da vida. E assim, com essas cores do Pavilhão da Pátria de teus filhos, também tu, Dhâranâ, terás o teu Hino glorioso, cantado pelos querubins que adejam em torno da Silhueta majestosa do Supremo Instrutor do mundo”. (*11) E convém notar, “Instrutor esse que nada tem de comum com os de ‘messiânicas missões’ (aparte o pleonasmo, já que “missão vem de messias”, e vice-versa), mas com o próprio Planetário que no começo da Ronda impulsionou a Verdade, de tal modo, que Ela pudesse permanecer até o fim da mesma (Ronda), guiando os homens para a Meta (final) das coisas: A Unidade imperecível. Para terminar, transcrevamos, ainda, misteriosa profecia – mui pouco conhecida – mas que figura no livro “Cintra Pinturesca”, do Sr. A. R. da Cunha (ed. 1905), por sinal que, além de falar de outras coisas interessantíssimas, inclusive, sobre o termo Tagro, etc., transcreve, por sua vez, várias inscrições encontradas em Cintra (em uma “montanha” nas proximidades do mar), inclusive a que vem muito a propósito para este despretencioso artigo, embora que faltando algumas palavras destruídas pelo tempo:

 “………………………………………. Decretum Sibil….                                                        Vaticin… Occidiis (isto é, dizemos nós, Vaticínio de uma sibila sobre o Ocidente).

Volventuur saxa litteris et ordine rectis

Cum videris Oriens, Occidens opes

Ganges Indus Tagus erit mirabile visu

Mesces commutabit sua uterque sibi…

Cuja tradução, é:

Patente me farei aos do Ocidente…

Quando a Porta se abrir lá no Oriente!

Será coisa pasmosa quando o Indo,

Quando o Ganges trocar, segundo vejo…

Seus… (espirituais) efeitos com o Tejo

Mas, perguntarão alguns: Que tem a ver Portugal (o Tejo) com tudo isso, ou melhor, com a missão da STB? Não será verdadeiramente Teósofo quem fizer semelhante pergunta, porquanto, foram as “mônadas ibéricas” (para o Brasil, as portuguesas infundindo seu sangue na nobre e guerreira raça dos tupis. E para as demais nações sul-americanas, as espanholas, através das raças autóctones, ou melhor, “précolombianas”, para não dizer, “pré-cabralinas”), que lançaram os alicerces da “7ª sub-raça ária”, cujo Núcleo Espiritual se acha no Brasil, pois além da vastidão do seu território e mistérios que o mesmo encerra… possui o nome comprovante de que é nele onde mantêm vivas e crepitantes as brasas de Agni, o Fogo Sagrado.

Quanto ao termo Tagus ou Tejus, provém (inédito, como quase tudo do artigo, aparte qualquer idéia estúpida de “vaidade”) do TAG tibetano, que quer dizer: Montanha. E, como todos o sabem, é nas montanhas onde nascem os rios, além de que, sempre foram elas consideradas como “lugares sagrados”. Haja visto: Monte Tabor, Gólgota, Sinai, Merú, etc., etc. Razão porque foi, também, em uma “Montanha Sagrada” (brasileira) onde fez sua eclosão espiritual, a Obra grandiosa em que a S. T. B. se acha empenhada. No mais, só resta repetir a tradicional frase tibetana ou do País de Bod-Yul: LHAGYAL- LO, isto é, Vitória, os deuses seja louvados!…

São Lourenço, 23 – 03 – 1935

(NOTAS)

7 O ilustre escritor russo Sr. Nicolas Roerich, autor de “O Coração da Ásia”, foi o mesmo que encontrou vestígios da passagem de um tal Iss ou (Yess) pelo Norte da Índia e oeste do Tibete, inclusive – segundo lhe afirmaram – o próprio túmulo do adepto budista, que teve o nome de Jeoshua Bem Pandira, mas que a Igreja e seus prosélitos teimam até hoje em o chamar de Jesus Cristo. Quando dessa ocasião, o famoso escritor e pintor russo noticiou largamente o fato para toda parte do mundo, sendo entretanto contestado pelo Papa, de que “no Vaticano não havia nenhum documento que afirmasse a passagem do Cristo pela Índia e o Tibete”. Nem outra poderia ser a réplica de S. S. porquanto, mesmo que houvesse documento comprovante da descoberta feita pelo Sr. Roerich (e toda tradição do norte e oeste tibetano) não convinha à Igreja… a sua confirmação. Seria um “desmoronar de castelos de cartas” (“impúberes-psíquicos”) que até hoje preferem o caminho duvidoso ou contrário ao “Fazei por ti que eu te ajudarei”… do pretenso dito do maior protagonista do Novo Testamento… Mas, a tradição, que não pode ser apagada, continuará demonstrando a verdade dos fatos (senão, os próprios documentos conservados em certo mosteiro tibetano…) de que “houve um tal Iss (ou Jeoshua, etc.) que partiu, como Iniciado, do Tibete para ir a outras partes pregar aos homens, mas logo perseguido voltou ao mesmo lugar donde havia saído” (e não que fosse crucificado, morto e sepultado, etc., como plágio de certas iniciações antigas, inclusive, egipcíacas de que a Igreja se serviu para dar como verdadeiras). Do mesmo modo que, Ele não se deixou imolar estupidamente, como julgam os cristãos (segundo se vai ver por mitos e lendas antiquíssimos), o que me nada diminui os seus imensos valores de Iluminado, mas, ao contrário, demonstra bom senso e até heroísmo, porquanto, continuar vivendo neste mundo – ao qual foi ele o primeiro a dizer dos seus habitantes, “corja de víboras, quando ver-me-ei livre de ti”… é mais do que isso: é sacrifício enormíssimo. Agindo assim, o adepto budista – Jeoshua Bem Pandira, estava de acordo com a célebre frase balavatskyana: “Aquele que vive para a humanidade, faz muito mais do que aquele que por ela morre”…

8 Tais seres eram, ainda, símbolos vivos do Grão-Mestre maçônico entre as 2 Colunas do Templo de Salomão (Jakim e Bohaz), cujas iniciais, por sua vez, representam outros tantos mistérios iniciáticos, inclusive, o do próprio nome – Tibete, como país de Bod-Jul (ou Yul): o da Confraria Branca dos Bhante-Jaul, na própria Shamballah. E até, dos dois caminhos laterais a Karma (como o central) da Vedanta: “Jnana, ou do Conhecimento e Bhakti, ou da devoção (melhor dito, do Amor Universal ou o que deve existir entre todos os seres). Por conhecer todos esses mistérios, foi que o Conde de Cagliostro tomou como pseudônimo o de “José Bálsamo”… Além de que José ou Josué, é o nome arcaico dos “Iniciados nos grandes mistérios” (daí o de “carpinteiro ou obreiro”, que a Igreja copiou deles e da Maçonaria) e Bálsamo, como uma indicação de seu maiávico “métier”: médico ou curador (do físico e do moral, como verdadeiro sacerdócio do mundo), pouco importa o gracioso título de “curandeiro, charlatão ou embusteiro” que lhe deram e dão ainda os que estão infinitamente longe de compreender qual foi a sua verdadeira missão na Terra. Spiritus ubi vult spirat !…

9 Deixamos para esta anotação o comentário ao clichê que serve de motivo a tão desvalioso artigo. É, pois, no famoso mosteiro de Gyang-tsé, onde se encontra – em uma espécie de claustro – a galeria dos Budas, fotografados pelo sr. Montomery Mc. Govern, infelizmente mal interpretados por ele com o termo ocidental (e católico-romano) de “abades”, em sua obra “Mon voyage sécret à Lhassa”. Confirmando a antiquíssima profecia de que o “Maitréia nasceria no Ocidente”, e não no Oriente, o último Buda da galeria do mosteiro de Gyang-tsé, a contar dos fundos ou último plano para a frente, possui tez alva, olhos azuis e cabelos loiros, enquanto os demais, são todos escuros como os nascidos no Oriente. As nossas palavras encontram aí novas luzes para o mundo: tal Buda (o último) se acha cercado por uma ferradura de oiro lavrado e tendo incrustadas riquíssimas pedras preciosas. Tal símbolo, que não foi notado, e muito menos, descoberto seu sentido até hoje, principalmente por ocidentais, confirma a tradição trans-himalaia do “Kalki-Avatara” (ou do “Cavalo Branco”, que além do mais, representa a “Idade de Oiro” ou “Satya-Yuga”). Nesse caso, a tradição, com todos os seus testemunhos insuspeitos, como os que vimos apontando, faz ruir por terra os “inúmeros messias” que por aí proliferam, (à parte os que afirmam e negam ao mesmo tempo, que o sejam), porquanto, chamar-se de Satya- Yuga ou Idade de Oiro à época atual… é o mesmo que se querer chamar a Amor, Verdade e Justiça, de Ódio, Mentira e Injustiça. Sem falar em que nenhum sinal astrológico, até agora, deram semelhante indicação. Senão, que o provem os astrólogos de outras escolas!… A título de curiosidade transcrevemos aqui várias profecias a respeito dessa época, de que se serviram, não só a Igreja romana, como várias outras instituições, inclusive teosóficas, que foram de encontro ao próprio termo (teosofia) e as suas prerrogativas ou leis sociais, como já foi explicado, inúmeras vezes, pelo Chefe da Obra em que a STB se acha empenhada e o pranteado e incomparável Mestre da Teosofia, que se chamou Mario Roso de Luna, a começar por um artigo que nos enviou, cujo título era: Um moderno Erro de Orientação na S. T., o qual foi publicado em vários jornais do Brasil, a começar pelo “O Fluminense”, que se edita em Niterói, capital do Estado do Rio (28/02/1929). Diz H. P. B. na sua Doutrina Secreta: “Desde o rishi indiano até Virgílio e de Zoroastro à última sibila, todos – desde o começo da 5ª Raça (a Ária, da qual estamos na 5ª sub-raça) profetizaram, cantaram e prometeram a volta cíclica da Virgem (Constelação Virgo e não, uma Virgem puríssima, castíssima, como “Regina Coeli”) e o nascimento de uma criança divina, que faria renascer a “Idade de Oiro” ou Satya-Yuga sobre a Terra. Logo que as práticas da Lei estiverem na ocasião precisa de terminar o Ciclo da Kali-Yuga ou Idade Negra, um Aspecto do Ser Divino que existe em virtude de sua própria natureza espiritual, na pessoa de Brahmã, e que é o começo e fim (Alpha e Ômega) descerá sobre a Terra. Ele nascerá na família de Vishnujasha (não como nenhuma família, de fato, mas o que o próprio termo simboliza, porquanto se trata do 10º e último Avatara de Vishnú, como 2ª manifestação do Logos, ou da Trimurti, e se quiserem, da Trindade cristã como plágio das primeiras). Relacionado, ainda, com a 10ª Sephirot, que é Malkuth ou o “Reino”, tal como o “Adveniat regnum tuum” (das prédicas religiosas). Continua a profecia: … “como um eminente “filho de Shamballah (proveniente de Shoma e Allah, ou “a cidade lunar”, “cidade dos deuses”, sem falar no puramente lunar de “Ilha imperecível”… que nenhum cataclismo pode destruir, etc.) e Senhor dos Oito Poderes do Yogi. Por seu Poder irresistível Ele destruirá todos aqueles cujo mental é voltado à iniquidade. Então, a Justiça se fará na Terra e os que viverem até o fim da Kali-Yuga… despertarão e transparente será como o cristal… o mental humano”. No final de nossa Raça, diz-se, pelo sofrimento e provas, as pessoas tornar-se-ão mais espiritualizadas. A Clarividência será faculdade geral. Os homens assim transformados pela virtude dessa época particular, constituirão, de algum modo, as SEMENTES dos Seres humanos (“Muitos serão os chamados… e poucos os escolhidos”, da Bíblia, dizemos nós), os Shitas ou Sobreviventes do futuro cataclismo e darão uma outra Raça que, mais de acordo com as Leis Universais, usufruirá das premissas da Satya-Yuga ou Idade de Oiro (ou da Pureza). Diz-se, com efeito, que logo o Sol, a Lua e os asterismos (os Tiskya) assim como o planeta Júpiter se encontrarem na mesma casa, a Idade de Oiro reaparecerá (Vishnú-Purana, IV, XXIV, 220)”. E tal fato já se deu? perguntamos nós… Na Mitologia, vemos ORION perseguindo durante 5 anos (as 5 raças já percorridas, dizemos nós) as Plêiades, filhas de Pleiona, que lhe escaparam, pedirem a Zeus que as metarmofoseasse em estrelas. Depois de morto Orion, foi transportado para o céu, com seu cão sírio e ambos se transformaram em constelações. Como se sabe, as Plêiades são Sete, como as Raças-Mães de uma Ronda completa (com as suas 7 sub-raças, cada uma delas), por isso mesmo, chamadas de Krittikas ou mães do Kartikeya, o “guerreiro anunciado”, etc. Em grego elas têm os nomes: Elektra, MAYA, Taygeta, Alcyone, Selene, Sterope, e Merope. No sânscrito: Amba, Dûla, Nitalni, Abrayanti, Maghâvanti, Varshayanti e Chupunika. Elas simbolisam, como já se disse, as mães, amas (ou mamas) MAYAS ou MARIAS do Kartikeya, representado em todos os Budas. Razão porque a de Krishna era Miriam, ou mesmo Maya… E o cristianismo logo pensou em uma Maria para o seu Jesus falsificado, porquanto, jamais existiu alguém na terra com semelhante nome, conforme já foi exuberantemente provado por inúmeras pessoas de responsabilidade moral e intelectual no mundo, por meio de obras volumosas. Os egípcios acreditavam que o pequeno (a criança…) Horus, símbolo do Astro-Rei (o Sol), era filho de Osireth e de Oset, cujas almas se converteram respectivamente nas do Sol e da Lua, depois da morte desses personagens. Astarté, que é a mesma ÍSIS, era o nome da Lua, a qual se adorava na Fenícia sob a figura de uma mulher enfeitada de cornos, para significar o crescente do astro noturno. Amiudadas vezes se vê a Maria cristã sobre uma Lua (inclusive a da Conceição, com o pequeno no colo). Astarté levava nas mãos, um bastão que rematava com uma cruz e chorava, como Ísis, a morte do Sol velho, seu esposo. Não é Maria, quando pranteia a seu filho, a “justa crucem lacrymosa dum pendebat filius”… a herdeira de Astarté e Ísis? Veja-se ainda, a rainha do céu (ou “regina coeli”), mais uma vez na antiguidade. Os antigos israelitas chamavam-na de Menia, donde se derivou Neomenia, nova lua, que vem a ser a mesmíssima Maria moderna, a mãe do deus encarnado dos brâmanes, a mãe Crisna ou Cristen. Em outra seita bramânica, é a Virgem-Mãe do deus Bûta, a Virgo dei genitrix da ladainha de Maria. Frigga, a dama por excelência, a rainha das deusas dos Eddas, faz-nos recordar a “regina virginum” da mesma ladainha. A Virgem que há de dar à luz – virgem que é ao mesmo tempo mãe (Virgo paritura), lembra-nos, por sua vez, os versículos “mater salvatoris, vas honorabilis”, etc., da mesma ladainha. A “velha de oiro” das margens do Obi, que trazia uma criança no regaço, é a domus aurea da mesma ladainha (de Maria). Tal origem continua, do mesmo modo, já através de Adonaia (Vênus), mãe de Adonis, o deus solar de inúmeros países; ora de Milita (a Vênus assiria), deusa da Natureza; ora de Alilat, simbolizada pelos árabes no crescente lunar; ora de Selene, a irmã de Helios, o deus solar grego, ou de Magna Mater, vas honestissimae, purisimae, castissimae, mãe universal de todos os seres. E até, como Mater divinae gratiae, causa nostrae lectitiae, vas insignis devotionis, mater admirabilis, foederis arca, etc. Da mesma maneira que o Sol era Febo no céu; Apolo, na Terra e Plutão nos infernos, a Lua era Febo no céu, mas na Terra, Diana, Gea, Gé, Céres, Tellus ou Latona, e nos infernos, Proserpina ou Hecate. Como Diana fosse a deusa da castidade, não é de estranhar que a ladainha da Diana moderna a complete como “rainha-virgem” (“regina virginum, virgo, virginum”) e se lhe dê o epíteto de castíssima, como lhe arranjou Gregorio I, no começo do século VII, para reunir o rito judaico e dos pagãos… no ciclo de seu pontificado. A introdução dos ritos (pagão e judaico) no culto cristão – que até então era simplicíssimo, além de encontrar obstáculo imenso no paganismo, no concílio que condenou a Nestorio, deu à Maria o título de “mater Dei”. Páginas e mais páginas teríamos de encher para provar o plágio cristão de tudo quanto pertencia às religiões antiquíssimas, além de lendas e tradições de tempos imemoriais. Daí, a faina criminosa dos jesuítas em destruir todos os livros orientais que lhes caíssem nas mãos. E razão de ser de sua “evangelização às Índias”, embora o ridículo a que se expuseram perante os mais doutos filósofos daquele País, que é o da origem de todas as religiões e filosofias… do mundo. Mui difícil é se querer destruir um monumento erguido há perto de 2.000 anos cujas raízes germinaram profundamente no seio de milhares de criaturas, que preferiram seguir às religiões de seus pais e antepassados (de ontem, aliás), a ter de fazer investigações à respeito do que está acima de quanto a Humanidade julga ser de primeira necessidade, a começar pelo vil metal, até o que ela compreende como Amor, que não passa de sentimento puramente “passional” ou câmico (proveniente do “Kama” sânscrito, cuja ressonância… calha bem em nossa língua para o caso…), para não dizer, que é apenas uma satisfação egoísta, por ser puramente pessoal. Tais indivíduos amam, sim, a si mesmos, mas não àquela com a qual desejam usufruir “gozos” puramente inferiores. Daí, o ciúme, como causa principal da maioria dos crimes, segundo a famosa frase daquele juiz francês: Cherchez la femme, aliás muito mal empregada, porquanto, o Cherch’ez l’homme, é complemento do outro; questão apenas de sexo… E quanto à nossa crítica aos que seguem fanaticamente esta ou aquela religião, ou mesmo ideal, seja qual for, sem investigações próprias, não somos os únicos a pensar desse modo. Todos os Iluminados que a este “baixo ou inferior mundo” vieram… não foi para outra coisa, isto é: condenar os erros das religiões, os costumes fora da Lei, além de novas instruções da mesma Verdade (segundo o Rig Veda: “A Verdade é uma só, embora os homens lhe dêem nomes diferentes”) de acordo com a evolução de cada época ou ciclo. Na própria Igreja Romana inúmeros foram os que ousaram condenar os erros de sua Igreja: Julio, o africano, que viveu no século III, não acreditava na autenticidade da Bíblia e duvidava, mesmo, da existência histórica do Cristo. Um frade do século V, negou abertamente que Jesus houvesse existido (questão de nome e das invencionices da Igreja, dizemos nós). O papa João XXIII não acreditava no próprio Deus (com certeza, o antropomorfo…). Bonifácio III afirmava que “os evangelhos maiores mentiras do que verdades; que a “prenhez da Virgem era absurda, a encarnação do Cristo, ridícula e a transubstanciação uma tolice”; acrescentando mais: que “as religiões haviam sido criadas por ambiciosos, para enganar os homens e que eram incalculáveis as somas de dinheiro que a fábula do Cristo havia produzido aos padres”. Leão X corroborava nas mesmas idéias. Porém, antes dele, Alexandre VI já havia afirmado não ser cristão, nem crer na existência de Deus. Paulo III afirmara que, “Cristo era o Sol, adorado pela seita mítrica, enquanto Deus… era o mesmíssimo Júpiter-Amom dos pagãos (Roma perante o século de Carlos von Koseritz, Os crimes dos Papas de Lachatre, La Religion de Ibarreta, etc.) O grande Frei Domingos Vieira, no seu Dicionário da língua Portuguesa, à pág. 845 – falando do termo Budismo, diz: “No Cristianismo existem vários traços do Budismo na sua formação”. Com maior clareza exprimiu toda verdade o Pe. Huc. Autor de Dans le Thibet, Dans la Chine e Dans la Tartarie (o que lhe valeu uma excomunhão e expulsão da Academia francesa, pelo manejo dos jesuítas), quando diz (à pág. 45 e seguintes do primeiro de seus livros): “Por mais superficialmente que se estude as reformas do Tsang-kapa, no culto lamaico, não se pode deixar de notar as suas semelhanças com o catolicismo: a croça, a mitra, a dalmática, a capa ou pluvial (que os grandes lamas usam em viagem, nas cerimônias fora do templo); o ofício a dois coros, a psalmodia, os exorcismos, o turíbulo ou incensório, sustentado por 5 correntes, podendo abrir e fechar à vontade; as bênçãos dadas pelos lamas, estendendo a mão direita sobre a cabeça dos fiéis. O rosário, o celibato eclesiástico, os jejuns, o culto dos santos, os retiros, as procissões, as litanias, a água benta. Nós pensávamos que fossem os missionários cristãos do século XIV, que aí estiveram, que tivessem levado aquelas inovações. Mas não encontramos, nem nas tradições, nem nos monumentos do país, uma só prova positiva dessa influência”… (O Budismo sendo anterior 645 anos ao Cristianismo, por isso mesmo, foi este que copiou do primeiro muita coisa que oferece ao mundo como seu, segundo deixa prever o mesmo Frei Domingos Vieira, no seu Dicionário da Língua Portuguesa). O famoso escritor francês Le Comte de Volney, em sua maravilhosa obra Les Ruines, tratando do Cristo, diz (pág. 63, etc): O cristianismo é o culto alegórico do Sol, debaixo dos nomes cabalísticos de Chris-an ou Cristo. E Yesus ou Jesus Cristo é uma palavra que significa “conservador”, cuja última sílaba (de Chris-an) lida cabalísticamente, dá o Chris-na, Krishtna ou Krishna indiano, donde procede o Christos, filho de Maria, no Ocidente, cujo pseudônimo Yes, significa numericamente 608 ou um dos ciclos solares. E Khrysna, dizemos nós, viveu 3.300 anos antes da chamada era cristã). Tal nome latinizado com o sufixo us, deu Yes-sus ou Jesus, nome antigo atribuído ao jovem Bachus (Osiris), filho clandestino ou noturno da Virgem Minerva. Eusébio faz remontar a Moisés, não só o nome de Jesus, mas também o do Cristo, “o Ungido ou Iluminado” (tal como significa o de “Buda”, proveniente de Bodi ou “Iluminação”), dizendo: “Moisés foi o primeiro que reconheceu o nome do Cristo ser particularmente digno de veneração e celebração”. Ele designa, com efeito, um homem com as funções de grão-sacerdote de Deus, no seu mais elevado sentido e o chamou de Cristo. Dando assim a dignidade de “sumo-sacerdote” que, na sua opinião, sobrepujava a todas as honras conferidas pelos homens, por sua glória e esplendor, ligando-lhe o nome de Cristo (COM. lev. IV, 16, onde está dito na versão grega: ho hiereus ho christos – o grande sacerdote, o ungido). O mesmo Moisés, iluminado pelo espírito de Deus, teve também uma presciência muito nítida do nome de Jesus e o distinguiu entre os demais. Com efeito, esse nome que jamais fora pronunciado entre os homens, antes da época mosaica, foi dado por Moisés, a princípio, ao único homens que ele sabia, seria depois de sua morte chamado a exercer o poder supremo sobre o povo, o que lhe daria, portanto, o tipo e o modelo de um Jes-us (ou Jesus). Foi então, seu sucessor, que antes era Nave (Num), nome pelo qual o chamavam seus pais, a quem Ele (Moisés) deu aquele título, como a jóia mais preciosa e elevada de qualquer diadema. E assim o fez, porque este Josué, filho de Nave, figurava o Salvador que, após Moisés e o estabelecimento do culto simbólico por ele firmado, deveria ser o único herdeiro do melhor e mais puro de todos os cultos. Foi assim que Moisés conferiu aos dois homens, que brilharam por suas virtudes e glória ante todo o povo, ao sumo-sacerdote e seu sucessor, ambos condutores do povo, a honra suprema de trazer o nome do Salvador Jesus-Cristo”. Nem podia falar de outro modo Eusébio; mas o fato é que tais títulos não eram de uma personalidade, e sim, uma distinção ou grau iniciático… o que aliás ele não compreendeu muito bem. E é por isso que se vê (em Hist. da Igreja, I, 3) que o nome de Jesué ou Josué, Jesus, Jasios, Jason, ou pelo menos, a sílaba Yes ou Jes, servia sempre para designar na antiguidade, um ser divino. Segundo Virgílio (Eneida III, 168) Jasius é o nome do antigo deus itálico Janus, Quirinus (pai Jasius do qual descende nossa raça). Foi daí que veio o nome da mais antiga moeda romana, de bronze, as, eis, yes, que traz em relevo o perfil de Jasius ou Janos. Segundo a Odisséia, XVIII, 433, Jasius (Jaso) era o nome de um rei poderoso na ilha de Chipre, cujo filho Dmestor é idêntico a Diomedes, nome sob o qual os Venetas reconhecem Kronos (Saturno-Janos) e festejado todos os cinco anos em Elis nas ischenias (Kronias, olímpiadas). Yshcenos, diz-se, era o amante de Coronis, mãe de Esculápio (Jasom). Yes Krishna é o nome da encarnação de Jesnu ou Vishnú, cujo atributo é um peixe (razão do Cristianismo inventar a tal história do “pescador” para Jesus e, até, que o mesmo traçara um peixe no chão, quando lhe interrogaram sobre “a mulher adúltera”, etc.), o que faz lembrar que, Josué, é o filho do peixe Num ou Nimus, cuja forma primitiva parece ter sido Nin-yes, Jes ou Yes e um dos nomes do Sol. Jesse era o nome do seus solar dos slavos do Sul. Jasny, em língua slava, designa o céu luminoso e Yas ou Jas é, ainda, em nossos dias, um nome próprio entre os povos da Criméia e do Cáucaso. Segundo Hellanicus, esta palavra reaparece nos nomes de Osíris (Yes-iris ou Hes-iris) em Hesus, nome de um deus dos celtas, em Isskander (que lembra também o de “skandhas” figurando no dos países “escandinavos”…) nome que as pessoas davam a Alexandre, o Grande, venerado como “Salvador do Mundo”; nos Yazzyges, Yesyges, Yezides ou Jesides, de um povo do sul da Itália, aparentado com os venezianos. Entre os maometanos, esse nome designa um herético. Os turcos o dão a uma tribo nômade, que eles detestam. Ela parece venerar Jesus Cristo, mas venera, efetivamente, a Yes-Krishna e se distingue, ainda, dos cristãos, como dos maometanos, por todas as particularidades de sua religião. A mãe de todas essas divindades, cujos nomes contêm a raiz “Yes”, é uma virgem Maya, Mariana, Maritala, Semiramis, Maria (idêntica a Myriam, como demonstra John M. Robertson em Christianity and Mythology, 2ª ed. 1910, pág. 993), e deve ser, segundo uma tradição parsista, a mãe do Josué mítico. Ela tem por atributo a cruz, o peixe ou o carneiro (Áries). Seu festejo é o de Huli ou Yule, da qual César recebeu a sua deificação no templo de Júpiter-Amom, o nome de Julus ou Julius. E a história dessa mulher concorda, maravilhosamente, com a de Jesus”. Mais ainda sobre o Mito de Jesus: “Hermés diz ao encadeado Prometeu: ‘Não cessará teu tormento até que um deus padeça em teu lugar e desça aos tenebrosos abismos do Tártaro’ (Esquilo: Prometeu, 102)”. Na Mitologia grega, tal deus era Héracles, o primogênito do Salvador, a quem tomaram por modelo os Padres da Igreja, e de quem diz Luciano: “Héracles não dominou as nações pela força, mas, pela persuasão e Sabedoria Divina (Teosofia). Héracles melhorou os homens, estabeleceu uma religião suave e desbaratou a doutrina da condenação eterna, expulsando do mundo inferior a Cérbero (o diabo pagão). Do mesmo modo que, se o compararmos ao Cristo bíblico, Héracles ofereceu-se voluntariamente em sacrifício pelos pecados do mundo e pôs fim aos tormentos de Prometeu (que, como se sabe, representa a própria Humanidade) descendo aos dois lugares inferiores: o Hades (o inferno entre os gregos) e o Tártaro (parte do inferno, onde eram punidos os culpados).” Nesse sentido, diz Bart: “Seu voluntário sacrifício augurou o novo nascimento etéreo dos homens… Ao libertar Prometeu e erigir altares, constituiu-se em mediador entre as crenças antigas e modernas… aboliu os sacrifícios humanos… Desceu em espectro ao sombrio reino de Plutão e ascendeu em Espírito ao Olimpo para se reunir com seu Pai”. Não está tudo isso incluído no Credo cristão?… Tão difundida estava, na antiguidade, a lenda de Héracles e com tanta fé se lhe tinha, que até os próprios hebreus, erroneamente deputados ou tidos como monoteístas a copiaram em suas alegorias, pois, do mesmo modo que se diz que aquele quis roubar o oráculo délfico, assim, segundo o Sepher Toldoth Jeschu, subtraiu Jesus do Santuário o Nome Inefável. Mais de quatro séculos antes do pretenso nascimento de Jesus Cristo, já havia escrito Aristofanes sua imortal descida de Héracles aos infernos, com o côro de bem-aventurados dos Campos Elíseos, a chegada de Héracles, em companhia de Bacho (equivalente a Yacchos, Yaho e Sabaoth) a quem recebeu com fachos acesos, emblema da Ressurreição, a nova e luminosa vida nas trevas da morte. Nada falta na aristofanesca comédia, até As rãs de quanto sobre a descida aos infernos, relata o Evangelho de Nicodemo. São dela os seguintes versos:

“Desperta, acende as tochas…

porque tu chegas, ó Yaccho

 e em tuas mãos as grandes.

Ó fosforescente do noturno rito!”

O que se assemelha, de fato, com o que diz Eurípedes, em Héracles, 807: “Héracles saiu das câmaras da terra, da subterrânea morada de Plutão”… E Virgílio, na sua Eneida, VIII, 274: “Diante de ti tremeu o lago Estigia, e atemorizou-se o porteiro do Orco. Não te pôde amedrontar nem mesmo Tifon. Salve, verdadeiro filho de Jové! Glória aos deuses!”. E no entanto, os cristãos aceitam como real a descida de Cristo aos infernos, sem advertir ou notar o amálgama dessa crença com o mito pagão injustamente ridicularizado por Aristófanes. O Evangelho de Nicodemo, com todos os seus absurdos, leu-se durante muito tempo nas igrejas, do mesmo modo que o Pastor de Hermas, posto por Ireneo nos livros autênticos das Escrituras reveladas. Antes de terminar esta já longa anotação (pois tínhamos muito ainda que dizer, inclusive sobre as profecias da vinda de todos os seres anteriores ao chamado Jesus Cristo, donde a Igreja copiou as suas), vamos transcrever o Pater Noster do Kodisch (hebreu) para que o leitor o compare com o cristão (e também auxilie algo aos espíritas, que o aceitam piamente como provindo de Jesus: “Pai nosso que estás nos céus. Santificado e louvado seja o nome do Senhor. Governe pronto e em um tempo próximo a casa de Israel. Governe o que fez o céu e a terra. Desça a vida do alto dos céus sobre nós. Recebe nossas preces com misericórdia, acolhendo as súplicas de todo Israel. O Eterno é que me envia seu auxílio nos dias de necessidade; mantém a paz entre nós e em toda Israel. Que assim seja.” O cristão é demasiadamente conhecido para ser aqui repetido. Os grifos respondem pelos comentários que deixamos de fazer. “Cristo é Tudo ou Nada”, como já dizia o grande Roso de Luna. Como determinada personalidade, não é coisa alguma. Porém, como o Verbo que se manifesta em todas as criaturas, ou antes, (segundo a Teosofia) o princípio Cristo ou Eu-Superior, Atmâ, etc. é TUDO! “Deus age em tudo e em todos! O Espírito se manifesta em cada Um. O Espírito é Aquele que dá Sabedoria, Ciência, Fé, dom de curar, dom do milagre, da profecia, discernimento dos Espíritos, dom das línguas. É um só e mesmo Espírito que opera em todas as coisas (Corinth. XII, 6, 7, 8, 9, 10 e 11).” “O Verbo está em tuda boca, em teu coração” (Romanos, X, 8) “Vossos corpos são os membros do Cristo. Glorificai a Deus em vosso corpo e em vosso Espírito” (I, Corinth. etc.)”. Vê-se, pois, que não possível admitir-se o sentido que os cristãos (desde sua separação com os Gnósticos, de Gnose “conhecimento”) dão à palavra Cristo. Tal palavra é igualmente o símbolo que exprime em todo ser, a presença de um Raio deste Espírito Universal. A afirmação de que o Cristo está no homem, é igualmente anunciada de modo evidente, na seguinte passagem de São Paulo: “Eu estou incumbido de anunciar plenamente a palavra de Deus, isto é, o mistério que tem estado oculto, em todos os séculos e que Deus manifestou agora aos seus santos, ou melhor, que O CRISTO ESTÁ EM VÓS” (Coloss. I, 25, 26 e 27). E isso dizemos nós, porque possuindo cada um o Cristo, em ânsia de salvação, poderá ser levado a efeito em qualquer religião desde que se ensine tais verdades, e não por meio de ritos e prédicas externas, ou pagando a outros que façam por nós, segundo disse o mesmo São Paulo: “Desde que tal religião se funde sobre a moral, a caridade, a Fraternidade. E isso, porque o Princípio Cristo, o Raio do Espírito Universal deve desenvolver-se no homem, até que ele tenha transformado em a natureza perfeita do Cristo” (Ephesus, IV, 13).

10 Nome esse que é até hoje conservado no órgão oficial da STB, como uma Homenagem à primeira Fase de nossa Obra, de cujo Nome nos orgulhamos como humildes operários que somos de tão suntuoso quão divinal Edifício, em prol da Felicidade Humana. Quanto à substituição daquele nome pelo atual, é assunto já muito discutido pelo Chefe da Obra, além de outras razões que não dizem respeito a profanos (segundo o Eskato Bebeloi! do Templo de Delfos…). Se bem que, prefiramos simplesmente o STB, como cabalístico dos termos: SERAPIS, TAU, e BEY, que em tradução livre, é: “O Caminho (Tau) por onde marcham os senhores (Bey) da grande Obra (de obreiros, ferreiros, “gênios subterrâneos”, etc. como significado verdadeiro do termo “Serapis”). E até: “O Caminho por onde marcham os servidores do “SENHOR”… Do mesmo modo que se chamava aos membros de Dhâranâ, de “dhâranis”, que significa “Mantrans” recitados ou cantados com o auxílio do Mental, para criar determinada coisa. Por isso mesmo, nenhum outro termo mais apropriado para os fundadores da Obra grandiosa da “7ª sub-raça”.

11 Tal saudação foi publicada no 1º número desta revista, relativa aos meses Agosto a Dezembro de 1925, ou seja, um ano depois da fundação material da Obra. –Todas as notas do autor.

RevistaDDhâranâ

Data: Dhâranâ nº 83 – Janeiro a Março de 1935 – ANO X

Redator: Henrique José de Souza

O Rei do Mundo-RENÉ GUÉNON(Tradução e Comentários de H. J. SOUZA)

O Rei do Mundo

RENÉ GUÉNON

Tradução e Comentários de H. J. SOUZA

PALAVRAS NECESSÁRIAS

“Não se deve deixar de criticar; o que se deve, porém, é saber criticar. – De um iniciado”.

Traduzindo e comentando a obra do famoso escritor ocultista René Guénon, intitulada Le roi du monde,bem longe estamos de fazer uma crítica idêntica àquela por ele empregada na sua obra Le Theosophism, quando, ridicularisando o messianismo e ocatolicismo, liberal de Besant e Leadbeater, inclui o nome de Helena Petrovna Blavatsky (princesa russa da família Fadeef), completamente estranha a essas intromissões indébitas no verdadeiro e independente espírito teosófico, o que se prova com o fato de ter a mesma adotado para a sociedade que fundou em Norte América (infelizmente transplantada depois para Adyar, Madrás, Índias Inglesas, contrariamente à marcha evolucional da Mônada no presente ciclo), o lema do Maharajá de Benarés: Satyat nâsti paro dharma (“Não há religião superior à Verdade”). Ainda mais, porque, autora das suas incomparáveis obras Doutrina Secreta e Isis sem Véu, demonstrando possuir os mais profundos conhecimentos sobre tão transcendentais assuntos não admitiria diferenças entre Ocultismo e Teosofia, representando esta o Tronco de todas as religiões, filosofias e ciências, ou tudo quanto existe e ainda há de existir no mundo. E assim também o entendeu o grande gênio de nosso século, Mário Roso de Luna: “O Teósofo não precisa afirmar que é Ocultista, por já o ser em verdade, mas este sim, porque, não sendo Teósofo, o mais que pode dizer, é que cultiva as ciências ocultas”.

Teosofia, palavra grega que quer dizer “Sabedoria Divina”, com maior propriedade,“Sabedoria dos deuses, dos super-homens, Mahatmans, Gênios ou Jinas”, também é chamada no Oriente, “Sanatána-Dharma, Gupta-Vîdya, Brahma-Vîdya, etc. com os vários significados de Iluminação, Sabedoria, Conhecimento Perfeito, etc. em resumo: Sabedoria Iniciática das Idades, pregada por todos os Iluminados sejam, Rama, Moisés, Krishna, Budha, Jesus (melhor dito“Jeoshua Bem Pandira”, “o filho do homem” em língua aramaica), Platão, Pitágoras, Amónio Sacas, Confúcio, Lao-Tsé, etc. gradualmente desvelada, de acordo com a evolução das diversas épocas do aparecimento dos referidos Seres no mundo.

Como se sabe, a Maçonaria escocesa conferiu seu mais alto grau a Helena Blavatsky,“por haver encontrado excepcionais valores esotéricos (inclusive maçônicos) em sua obra Isis sem Veu (Isis Unweilled); grau este, que se não confere a qualquer homem ilustre, quanto mais a uma mulher, por não poder ser filiada àquela Instituição.

O fato de René Guénon desconhecer os inconfundíveis valores intelectuais de Helena Blavatsky, é por ter sido ele discípulo de um grande rabino, que o encaminhou de preferência para a Cábala, esquecido que entre ele e a Teosofia não pode haver divergência. E assim, descarregou sobre a mesma todo o peso das suas iniciáticas predileções, através de uma crítica mordaz, chamando-a de“impostora”, etc., por ter se deixado levar, como alguns outros, pela conhecida traição do casal Coulomb, vendido, como se sabe, à Sociedade de Buscas Psíquicas de Londres.

Os“Judas traidores” de todos os tempos! Pois se até mesmo Jesus, com treze apóstolos apenas, encontrou um que o traísse, que dizer da referida Instituição por ela fundada e dirigida, com algumas centenas de sócios na suas fileiras? O mesmo nos acontece; o mesmo acontecerá sempre a quantas Instituições dessa natureza se apresentem no mundo.

De fato, René Guénon não soube interpretar as justas razões apresentadas por Blavatsky, contra uma grande maioria de judeus fanáticos, e não, contra a raça propriamente dita, como por exemplo, a tão mal interpretada “proibição carne de porco”, que é ciência e não religião, pois, conhecidos são os desastrosos efeitos do abuso de semelhante carne, inclusive provocando a triquinose, etc.; do mesmo modo que, a “circuncisão”, como ligeira cirurgia aplicada à fimose, anomalia esta que não sendo comum a todos os indivíduos, não há necessidade de semelhante ritual para com todas as crianças do sexo masculino, na referida raça, pouco importa a divergência dos métodos.

Moisés era um Manu e, portanto sabia muito bem como guiar e defender seu povo.

Perdoe-nos, pois, o ilustre escritor francês esta nossa teosófica, eclética ou sincretista crítica em defesa de Helena Petrovna Blavatsky, dando preferência às homenagens que lhe prestamos como autor de Le roi du monde, Autorité spirituelle er Pouvoir temporel, L’erreur Spirit, Ésoterism de Dante, L’Homme et son devenir selonla Vedanta, Introducion géneral à l’étude des Doctrines Hindouses, etc., etc., pois, em verdade, é à sua distinta e ilustre personalidade a quem se deve este nosso mais do que humilde trabalho.

No firmamento estelar do mundo ocultista, René Guénon, ao lado do Rev. Pe. Huc, autor das maravilhosas Dans le Thibet, Dans la Tartarie, Dans la Chine, valendo-lhe a primeira, “a expulsão da Igreja Romana e da Academia Francesa”, por ter afirmado coisas que certos intolerantes e despeitados ocidentais denominam de “fantasias e extravagâncias”;inclusive, ter ele mesmo constatado em todas as folhas da tradicional Árvore plantada sobre o túmulo do reformador do Budismo tibetano (ou lamaismo), à qual se deu o nome poético de “Cabeleira de Tsong-Kapa”, no Kukunur, a frase sagrada Om mani padme hum, que quer dizer: “Salve, ó Jóia Preciosa do Loto”; a seguir, o famoso escritor polaco Ferdinand Ossendowski, cuja obra principal Bêtes, Hommes er Dieux, foi traduzida em vários idiomas, tal o sucesso mundialmente alcançado, e finalmente, o grande místico francês Marquês de Riviere, hoje um Adepto no Oriente; cercado de discípulos, de cujas obras a mais assombrosa em literatura ocultista se intitula A L’Ombre des Mmonastères tibétains, diziamos, representam uma constelação de imenso fulgor, um perfeito quaternário erguido às alturas – que diz bem da sua inteligência, mais que isto, independência de linguagem, liberdade de pensamento, indiferentismo pelas críticas maledicentes, como protentosas ferramentas de que se servem os grandes Homens da História, para a construção do Edifício humano, principalmente os Filósofos.

Oquaternário é o número da força. É o ternário completado pela Unidade. É a Unidade rebelde reconciliada com a Trindade Soberana.

Vemos aí a pedra angular, a pedra cúbica, a pedra filosofal, porque todos este nomes simbólicos significam a mesma coisa, ou seja, a pedra fundamental do Templo cabalístico.

Obreiros! Construtores! Maçons! Rosacruzes! Glória ao Sup. Arc. ao mesmo tempo Uno e Trino, cujo régio lugar onde se assenta, é a pedra cúbica também, como verdadeira“quadratura do círculo” em movimento no Mundo Divino.

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Infelizmente, porém, temos que volver à pseudo-realidade do mundo terreno. E então, somos obrigado a entrar em luta com aqueles que, ao invés de trabalharem a favor do Humano Edifício, ao contrário, procuram destruí-lo. E com ele, os nossos ingentes esforços.

Sofrem, por sua vez, o choque de retorno da sua reconhecida maldade. E um por um vão caindo desfalecidos, inutilizados, no “campo de Kurukshetra”, que é o da vida, tal como acontece em todas as épocas entre solares e lunares, na razão do passado tenebroso da Mônada, repercutindo no seu evolucional presente, para ser alcançado o futuro.

São os mesmo, por exemplo, a que se refere o famoso escritor satírico inglês, Swift, ao dizer que: “Ao aparecer um gênio é fácil reconhecê-lo, pela simples razão de que todos os imbecis se unem para lhe darem combate”.

Os mesmos, também, que afirmam “a Obra em que a STB (SBE) se acha empenhada Ter sido baseada nos livros a que nos referimos anteriormente”, embora que, publicados depois de sua fundação, tal plágio ou cópia não fosse possível. Vem a calhar neste lugar, as palavras do grande Teósofo Franz Hartmann, quando diz que “a distinção entre o homem e o bruto está no direito que cabe ao primeiro, de raciocinar”. Assim sendo, tanto no caso vertente como em outros muitos, o raciocínio falhou, só restando os brutos.

São nossas as palavras que se seguem: “Eleva-se o homem na vida e se choca com a família. Se eleva um pouco mais, choca-se com o povo. Se mais ainda, com a nação. E, finalmente, com o mundo inteiro”.

E quanto à mesma Blavatsky, a quem defendemos através desta nossa despretenciosa crítica, ao chocar-se com os “teosofistas da primeira hora” como eram chamados os daquela época, também teve para com eles estas dolorosas palavras: “Amontoai pedras, Teósofos. Amontoai-as irmãos e boas irmãs, e lapidai-me até à morte, por ter eu querido com a palavra dos Mestres, vos fazer felizes”.

René Guénon, um destes incomparáveis contrutores do Edifício Humano, a que nos referimos, não podia deixar de ignorar as lutas e os sacrifícios que teve de sustentar a mulher que ele criticou de modo tão severo quanto injusto. Não leu, também, a inconfundível obra do genial polígrafo espanhol Roso de Luna, intitulada“Helena Petrovna Blavatsky ou uma mártir do século XIX” sem o que, discípulo de um grande Mestre teria agido de modo mais humano, mais condizente com a própria jerarquia.

Melhor do que ninguém, para saber que a Mão da Justiça Divina – que tanto vale pela do Karma dos indús e do Destino dos Ocidentais – cedo ou tarde se manifesta contra os deturpadores da Verdade, os inimigos da Lei, os “atirados fora do Grande Canal da Fraternidade Branca”.

 

 

 

 

Teurgia e Novo Ciclo a Luzir (Noções elementares) – Por Lusophia

Teurgia e Novo Ciclo a Luzir (Noções elementares) – Por Lusophia

Terça-feira, Out 12 2010

O QUE É A TEURGIA?

 

R. – A TEURGIA é a MAGIA DIVINA, a mesma em que eram iniciados ou formados os famosos Três Reis Magos das escrituras bíblicas que foram prestar homenagens ao Menino Deus recém-nascido, Jesus Cristo. Portanto, é a MAGIA REAL, CRÍSTICA como fórmula nouêtica do que os orientais chamam Raja-Yoga ou a “Yoga Real” por ser a da “União efectiva da Alma com o Espírito”, o que entre os ocidentais é definido como Via Cristocêntrica. O próprio significado etimológico de magia aponta o carácter sagrado e divino do termo: do grego mageia ao latim magia, o sentido é clarificado pela sua origem hindu-europeia, nomeadamente o sânscrito e o caldaico, pois que a alternância megh, mogh, magh, donde procede magia, exprime a “excelência”, o “sacerdócio”, o “conhecimento supremo”, enquanto o termo maghdim, construído sobre essa raiz, em caldaico significa “a mais elevada sabedoria”. Portanto, o sentido original de Magia é a aplicação da Sabedoria Real, Divina.

A Magia Sacerdotal é a própria TEURGIA, étimo provindo do grego theourgia, “milagre, miraculoso”, donde deriva theourgus, “o que realiza o miraculoso”, isto é, o “grande milagre” da TRANFORMAÇÃO DA VIDA-ENERGIA EM VIDA CONSCIÊNCIA tanto na Natureza como no Homem, e isto é OBRA DIVINA. Nisto tem-se Theourgia decomposta em Theos, “Deus”, e Ergon, “Obra”, o “Feito Divino” ou OBRA DE DEUS levada à prática e realização neste mundo comum a todos, donde se concluir que TEURGIA é a OBRA DO ETERNO NA FACE DA TERRA.

A MAGIA DIVINA ou TEURGIA, aliás subjacente ao Espírito Tradicional da Igreja e da Maçonaria, para o seu entendimento justo e execução perfeita não se deve descurar que assenta em três colunas exclusivas:

1.º – Vontade fixa de fazer o Bem, a todos os níveis de consciência.

2.º – Trabalho de Salvação da Humanidade.

3.º – Acção da Grande Fraternidade Branca, nos planos social e espiritual.

A procura do domínio, antes, da harmonia com as forças universais pela TEURGIA, faz-se pela CIÊNCIA, ARTE e TÉCNICA.

Ciência – Teorias constituintes do dogma da Alta Magia, constituindo a Escolástica Teúrgica. Age sobre o mental e o cérebro.

Arte – Une a teoria à prática do Teúrgico, criando a ligação psicomental, e que constitui a vivência ou Teatro da Iniciação Teúrgica.

Técnica – Produz a adequação do dogma ao ritual através de factores externos, físicos, tornando objectivos os fins em vista, realização exclusiva à Ciência e Arte juntas exercidas no espaço consagrado do Templo Teúrgico, com as suas medidas e objectos canónicos cujos símbolos têm a vida que o Ritual lhes dá pela acção motora, sentimento de devoção e intelecto iluminado dos participantes ao mesmo.

 

A COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA É UMA “ESCOLA MÁGICA”?

 

R. – Sim, mas só no sentido definido por último. A mesma reconhece a mais-valia que no Passado tiveram Grandes Iniciados como Jâmblico, Plutarco, Plotino, Clemente de Alexandria, etc., etc., mas o que valeu então está ultrapassado pelo Presente e muito mais pelo Futuro, logo, a “Escola Mágica” C.T.P. absolutamente nada tem a ver com o dogma e ritual exposto por esses insignes personagens em suas épocas. Os Tempos são outros, e com eles as novas Revelações e os novos Ritos, conforme o preconcebido e organizado pelo Professor HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA (1883-1963), fundador da SOCIEDADE TEOSÓFICA BRASILEIRA e da parte interna, esotérica ou mística da mesma: a ORDEM DO SANTO GRAAL. Esta é TEÚRGICA, aquela é TEOSÓFICA. Consequentemente, pode concluir que TODO O TEÚRGICO É ANTES DE TUDO TEÓSOFO, mas NEM TODO O TEÓSOFO É SEMPRE TEÚRGICO, tal qual na Igreja Católica onde o sacerdote também pode ser monge, mas o monge nem sempre é sacerdote… questão de contracção de votos para estes; questão de Iniciação para nós outros.

Falemos um pouco da ORDEM DO SANTO GRAAL e da sua firmação na Face da Terra no século XX. Firmada a Taça do Santo Graal em 24 de Fevereiro de 1949, posta no Templo de MAITREYA, o CRISTO UNIVERSAL, inaugurado nessa mesma data na cidade de São Lourenço no Sul de Minas Gerais, Brasil, e imposta a mesma sobre a Pedra Dhara, rósea e branca sobre a qual, diz a Tradição, o próprio Bodhisattva Jeffersus o Cristo se ajoelhou no Horto das Oliveiras, em Jerusalém, consagrado o Livro do Graal em 24 de Junho de 1950, já em 31 de Março do mesmo ano deliberou-se fundar a Guarda do Santo Graal, composta de 32 Membros seleccionados por JHS (sigla com que é reconhecido o Professor HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA entre Teúrgicos e Teósofos) e aprovados por Rigden-Djyepo, o “Rei dos Jivas”, ou seja, o Rei do Mundo. Assim, em 28 de Dezembro de 1951 procedeu-se à fundação esotérica da ORDEM DO SANTO GRAAL, e à fundação da ORDEM DAS FILHAS DE ALLAMIRAH, também pelo Venerável Mestre JHS e o Quinto Bodhisattva, Jeffersus, que por seu intermédio falou sobre as funções espirituais e humanas da ORDEM DO SANTO GRAAL.

A ORDEM DO SANTO GRAAL surgiu sobretudo para prosseguir a Obra de JHS após a sua partida deste mundo, e assim manter a parte esotérica ou mística da Instituição iniciada por ele. Isso é cumprido até hoje no Brasil e em Portugal. O ingresso a ela é feito por convite, é facto, mas, absolutamente ao contrário do que hoje em dia é propalado por certos impúberes  psico-físicos, ela é para todos e não para uns muitos «protegidos» inválidos e outros poucos «protectores» todo prepotentes soberanos de nada. Não foi isso que o Professor Henrique ensinou e estipulou em tempo algum. Onde está escrita ou gravada tamanha absurdidade? Quem tem acesso ao Templo do Graal e contempla Este fisicamente, lógica e consequentemente tem os mesmos direitos que os outros, e assim usufrui da influência espiritual na mesma medida que qualquer outro. O que é diferente, ou melhor, o que difere são as funções templárias, mas não, repito, as benesses espirituais.

Só é legitimamente ORDEM DO SANTO GRAAL toda a Representação e Templo mandatado pela Grã-Chancelaria da mesma em São Lourenço (MG), com documentação legal aprovada e assinada. Só assim há ORDEM E REGRA, oposta de toda a desordem e desregra característica própria aos despeitados e iludidos a quem só resta a fantasia e o plágio para se afirmarem. O Professor Henrique José de Souza também fundou a ORDEM DOS TRIBUTÁRIOS em 23 de Outubro de 1954, espécie de “Maçonaria” que tem o cargo espiritual e social de “cobrir” ou manter a Instituição por ele fundada e à sua própria Família (APTA), a humana e sobretudo a espiritual. Ritualisticamente, esta Ordem exerce em seu seio o RITUAL TEÚRGICO chamado “RITUAL MÁGICO DOS TRIBUTÁRIOS”, mas não tem nada a ver, repetimos, com alguma espécie de Magia Operativa invocatória do Passado, antes em trazer à Terra a Luz e a Força das duas Energias Universais chamadas FOHAT e KUNDALINI, podendo-se entender como Electricidade e Electromagnetismo Cósmico, o mesmo “Fogo Frio” e “Fogo Quente” de que se reveste DEUS PAI-MÃE. Por isso a ORDEM DOS TRIBUTÁRIOS compõe-se de senhores e senhoras, chamados Velsungos e Valquírias, o que tem a ver com a 7.ª Linha do NOVO CICLO DE EVOLUÇÃO UNIVERSAL A LUZIR, a qual é dirigida por plêiade de verdadeiros Super-Homens, Adeptos Independentes ou Mahatma chamados nas escrituras sagradas SERAPIS, isto é, “Seres Divinos”.

O NOVO CICLO, também chamado de NOVO PRAMANTHA, nome oriental com o mesmo sentido, é iluminado por SETE RAIOS DE LUZ com denotadas características do Saber Humano sintetizado num OITAVO RAIO BRANCO, síntese de todas as cores, expressivo da SABEDORIA UNIVERSAL:

1.º Raio do Sol (Laranja) – Domingo – Alquimia e Físico-Química

2.º Raio da Lua (Violeta) – 2.ª-feira – Arte e Geometria

3.º Raio de Marte (Vermelho) – 3.ª-feira – Metafísica e Política

4.º Raio de Mercúrio (Amarelo) – 4.ª-feira – Mecânica e Matemática

5.º Raio de Júpiter (Púrpura) – 5.ª-feira – Literatura e História

6.º Raio de Vénus (Azul) – 6.ª-feira – Filosofia e Astronomia

7.º Raio de Saturno (Verde) – Sábado – Medicina Teúrgica e Biologia

Por esta razão pertinente à evolução universal de todos os seres, a OBRA DO ETERNO NA FACE DA TERRA também é chamada no meio teúrgico e teosófico de MISSÃO DOS SETE RAIOS DE LUZ, e que por sua maior incidência em dois países do Globo, PORTUGAL E BRASIL, leva também o nome de MISSÃO Y, letra indicativa da Mónada ou Centelha Divina em sua peregrinação evolucional desde o Oriente profundo até ao Ocidente extremo cujo Ciclo já iniciou. Donde o lema geral da COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA: EX OCCIDENS LUX!

POR QUE O ANO 2005?

 

R. – Porque o ano 2005 é o marco astrológico da consolidação do Novo Ciclo de AQUARIUS, que como o anterior de PISCIS também haverá de ter a manifestação Divina do seu Avatara ou Messias, o Senhor dos Três Mundo Celeste, Humano e Terreno – MAITREYA – na Face da Terra, ou seja, o Espírito de Verdade descido do Céu à Terra, ao Terceiro do Segundo Logos como projecção cósmica desse mesmo CRISTO UNIVERSAL, aclamado VISHNU pelos orientais e que para todo o efeito é a mesma Essência Divina desvelada como AMOR-SABEDORIA. Promanado do Céu ou Sol do Segundo Mundo, MAITREYA, o “Senhor dos Três Mundos”, haverá de dar cumprimento à Segunda Volta de Cristo, como o Próprio prometeu nas escrituras sagradas, ou seja, a Parúsia. Para a consumação desse momento universal a COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA direcciona todas as suas forças, vocaciona toda a força do seu ideal.

 

A ERA DO AQUÁRIO JÁ ESTÁ ACONTECENDO?

 

R. – Sim. O Sol entrou no signo do Aquário às 15 horas de 4.ª-feira, dia de Mercúrio, de 28 de Setembro de 2005. Começou astronómica e astrologicamente, e falta começar iniciática e consciencialmente, para que os valores espirituais e humanos que a Nova Era traz em seu bojo frutifiquem plenamente em um e todos. Isto requer LABOR e RESPONSABILIDADE individual e grupal, para assim se constituir uma Sociedade Humana mais justa e perfeita e ficarem estabelecidas as condições psicossociais indispensáveis à realização da possibilidade de advento sobre a Terra do AVATARA DE AQUARIUS, MAITREYA, o CRISTO UNIVERSAL.

 

COMO SE PROCESSA A MANIFESTAÇÃO DUM CICLO ASTROLÓGICO?

 

R. – Tais Ciclos também são chamados de PRAMATHAS ACTIVOS, e agora é este de AQUARIUS substituindo o anterior de PISCIS. Todas as tradições autênticas vão beber o seu conhecimento à Árvore da Sabedoria das Idades e são unânimes após verificarem este facto singular desde há milénios: o do Sol nascer todos os anos 50,1 segundos atrás do ponto em que nasceu no ano anterior no equinócio da Primavera, fenómeno este ao qual se chama de precessão dos equinócios, o qual ocorre a cada 21 a 27.000 anos, o que actualmente a Astronomia oficial já comprovou. Pois que é um facto do domínio público. Se dividir-se uma circunferência em 12 partes e dado que a circunferência tem 360 graus, verifica-se que cada parte (a que corresponde um signo do Zodíaco) tem 30 graus. Como cada grau do “caminho” do Sol leva 71,85 anos a percorrer, é lógico que cada signo do Zodíaco leva 30×71,85 = 2.155,5 anos, quase 2.156 anos, e que com a passagem interciclos ou signos anterior e posterior, prolonga essa numeração à demora de 2.250 anos a percorrer uma casa e entrar inteiramente noutra.

Da mesma forma que uma época de exames no nosso ciclo terreno se processa, por exemplo, de Junho a Agosto, também o período de transição do Ciclo de Peixes para o de Aquário começou, de acordo com o Zodíaco, em 24 de Julho de 1954, data que o Professor HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA celebrou como a do início da ERA DO ESPÍRITO SANTO, e entre essa data e 2005, prolongando-se até 2016-17, está processando-se a Grande Iniciação Planetária, ou seja, a época de exames cuja aprovação será o despertar de uma NOVA CONSCIÊNCIA na Humanidade. Não significa isto que tenha de ser até 2016-17, mas sim que durante esse período estarão lançadas a terreno psicomental as sementes dessa mesma.

Isto vale pelo início da NOVA RENASCENÇA ou época de luzes espirituais, a do HOMEM INTUICIONAL, CRÍSTICO ou BÚDHICO, tanto vale por indicar o ser em quem despertou o sexto sentido que traz consigo o sétimo espiritual, em que se espelhe colectivamente o BEM, o BOM e o BELO.

 

O QUE É A COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA?

 

R. – Até aqui falámos do trabalho e dos motivos da COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA, e agora falamos da sua organização social. É um Movimento Cultural-Espiritualista que se propõe, desde a primeira hora, à divulgação e aplicação sistemática da Sabedoria Iniciática das Idades por um programa triangulado em ESCOLA – TEATRO – TEMPLO, conformando a sua sistematização à original do Professor HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA para a SOCIEDADE TEOSÓFICA BRASILEIRA que ele fundou, tendo dado continuação por esses três vértices do triângulo de SABEDORIA – VIVÊNCIA –REALIZAÇÃO, a que chamou TRANSFORMAÇÃO – SUPERAÇÃO – METÁSTASE, à consecução do projecto cultural-espiritualista da Sociedade Teosófica de Adyar, Índia, fundada por HELENA PETROVNA BLAVATSKY (HPB). Isto vale por trazer os valores espirituais do Oriente ao Ocidente.

O projecto de fundação da COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA teve três momentos charneiros, até à sua consolidação definitiva como Instituto Cultural-Espiritualista:

1.º – FUNDAÇÃO ESPIRITUAL, no Promontório de Sagres, Algarve, na noite de São João de 23 para 24 de Junho de 1978.

2.º – FUNDAÇÃO MATERIAL, na Serra de Sintra, Estremadura, no dia 1 de Janeiro de 1980.

3.º – ABERTURA SOCIAL, na cidade de Lisboa, capital de Portugal, às 20.30 horas de 23 de Novembro de 1982, com a inauguração do seu SANTUÁRIO AKDORGE (SÃO JORGE) onde se vem realizando o CULTO DO REI DO MUNDO (MELKITSEDEK, CHAKRAVARTI, ROTAN, etc.) através da ORDEM DO SANTO GRAAL. Foi a partir dessa data que se firmou definitivamente em solo nacional a COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA, desde logo e gradualmente se divulgando a Portugal e ao Mundo servindo-se, não raro, do precioso instrumento para fazer o bem público que são os órgãos de comunicação social, o que faz até hoje.

Desde a primeira hora a COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA assumiu quatro objectivos, tarefas ou pilares fundamentais, os quais a particularizam – e até distinguem de quaisquer outros institutos – e aos teúrgicos na sua Obra ou Missão de colaborar na transformação espiritual do mundo nos limites que lhe estão consignados:

A) DESENVOLVER AS TENDÊNCIAS, ATRIBUTOS E VIRTUALIDADES SUPERIORES latentes no Homem, de acordo com a tónica de Aquarius e a sua biorrítmica.

B) UM TRABALHO ESPECÍFICO SOBRE O PLANO DA ORGANIZAÇÃO, da Magia Cerimonial ou Ritualística, de acordo, aliás, com a tónica base do Novo Pramantha ou Ciclo de Evolução Universal.

C) UMA VISUALIZAÇÃO PECULIAR DA SABEDORIA INICIÁTICA DAS IDADES à luz da realidade dos MUNDOS SUBTERRÂNEOS, já que: o advento da Idade de Ouro (Satya-Yuga, marcada pelo início astrológico de Aquarius em 2005), da vinda de Maitreya (o Buda Branco ou Ocidental a advier nesta parte do Globo, e que é o mesmo Cristo de Aquarius como Avatara Síntese ou a derradeira décima manifestação do Deus VISHNU), a exteriorização à Face da Terra da Hierarquia Branca de Mestres e Iniciados, o estabelecimento de justas e fraternas relações humanas, a instauração da Sinarquia ou Concórdia Universal e a de uma Religião-Sabedoria unificada (Teosofia), bem como a de um modelo educacional completo e coerente, não poderão ser compreendidos integralmente se se não tiver em conta essa realidade.

D) PREPARAÇÃO DA VINDA DO SENHOR MAITREYA E DA EXTERIORIZAÇÃO DA HIERARQUIA ESPIRITUAL DO PLANETA. Entenda-se aqui o fenómeno da “exteriorização” no seu duplo sentido. Primeiro, o desenvolvimento das capacidades humanas as quais permitirão o reconhecimento directo dos Mestres que trabalham no seio da Hierarquia Branca ou dos “Sete Raios de Luz” como autênticos Encobertos. Segundo, o de criar as condições propícias à manifestação do Reino de AGHARTA à face da Terra, através da exteriorização concreta, com MAITREYA á sua frente, dos que aí trabalham pelo Bem da Humanidade.

 

A C.T.P. MINISTRA GRAUS DE INICIAÇÃO À SABEDORIA DIVINA?

 

R. – Sim, a COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA faculta aos seus membros uma série enorme de ensinamentos e práticas (orais e escritos) que estão organizados em um Grau Vestibular ou Preparatório e mais quatro Graus Iniciáticos que levam os nomes que o Professor HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA lhes deu: MANU – YAMA – KARUNA – ASTAROTH, expressando os 4 Senhores da Evolução Planetária (LEGISLADOR – EXECUTIVO – JUDICIÁRIO – COORDENADOR), razão porque cada Grau ou Série Iniciática demora um período de nove meses a realizar, acompanhando o ano astrológico (com início em 20/21 de Março).

 

EXISTE MAIS ALGUM ALÉM DESSES GRAUS CITADOS?

 

R. – Sim, há um Grau Interno destinado exclusivamente aos Irmãos Maiores da C.T.P. que faculta o acesso às Revelações reservadas do Professor HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA. Adiantamos que tudo quanto pareça «excesso de revelações esotéricas» por parte da C.T.P.  acerca de várias correntes tradicionalistas, é sobretudo rectificação de aspectos filosóficos e até práticos das mesmas que mercê das vicissitudes humanas chegaram ao presente poluídos ou impuros, com imprecisões ou simplesmente não se percebendo o seu sentido último, francamente espiritual. Nisto, para esclarecimento geral, entra a TEOSOFIA como Sabedoria Divina, e o que ela revela como novidade para muitos não passa de elementar para os Irmãos Maiores desta OBRA DO ETERNO NA FACE DA TERRA, pois o que é «mistério e transcendência» para muitos vem a ser coisa do passado bem concreta e nada transcendente para outros. Por esta razão, o nosso Venerável Mestre JHS afirmou que «se o Avatara se manifestasse sempre com as mesmas palavras, jamais haveria Evolução». E adiantou: «A Realidade é o Mistério. Tal a maior altura a que pode chegar a nossa Filosofia. A mim pouco importa o que sei; importa, sim, o que ainda não sei, porém, aquilo que ignorarei para sempre é o que mais me entristece e subjuga».

Noutra parte, dando Voz ao ESPÍRITO DE VERDADE, afirma JHS como resposta a todos, particularmente aos trânsfugas e outros desavisados do maior amplexo mental que traz consigo a Sabedoria do Novo Ciclo:

«Meus humildes Discípulos: vim trazer-vos um novo estado de Consciência! Deveis ser o reflexo de Mim mesmo, como único meio de Eu ser compreendido e sentido. Trago o Bastão de Mando! Sou o Amor que transforma! Se Me ignorais e quem Sou, é porque não fostes tocados pela chama do Fogo Sagrado e, assim, este Amor-Ciência fica enclausurado no orgulho que vos traz a angústia, a dúvida de tudo que vos ofereci. Se assim vos falo é porque leio o vosso âmago, e Minha Essência de Amor vós a esqueceis, como também do Amor e do Perdão entre Meus Discípulos, que se afastam da Minha Ciência. Cada um cria o seu mundo para que o Meu permaneça ignorado.

«A Vida é o Mistério! O homem é julgado não por aquilo que é, mas sim pelo que deixa de fazer para atingir a Perfeição.»

O QUE SÃO AS LOJAS TEÚRGICAS?

 

R. – A par das Casas Capitulares as Lojas Filiais são unidades-satélites da Loja Mater ou Sede-Mãe funcionando como entrepostos de contactos, entrega de material didáctico, divulgação preliminar, administração de cursos e orientação ritualística, conforme o número estipulado de membros para cada Loja. Para todo o efeito, o «cimento filosófico» de toda essa orgânica institucional vem a ser a supradita TEOSOFIA, definida pelo nosso Venerável Mestre JHS, Professor HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA, nos termos seguintes:

«A TEOSOFIA é um plano universal de Evolução, que segue três caminhos, desenvolvendo:

«– A Inteligência, pela Instrução;

«– A Emoção, pela Educação;

«– E a Vontade, pelo Trabalho.

«Reconstruir! É o Brado que nos compete.

«Sim, reconstruir o Homem, o Lar, a Escola, o Carácter, para que o cérebro se transmude ao lado do coração. No mais, um só Idioma, um só Padrão Monetário e uma só Verdade, que é a TEOSOFIA, como Sabedoria Iniciática das Idades. Só assim, a Humanidade se tornará digna do estado de Consciência que é exigido pela Nova Civilização.»

 

A COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA É INDEPENDENTE OU DEPENDENTE DE ALGUM OUTRO MOVIMENTO SEMELHANTE QUE JÁ EXISTA?

 

R. – A COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA é única, autónoma e não tem vínculo algum com quaisquer outras entidades congéneres ou aparentemente semelhantes, embora todas mereçam o maior respeito e admiração da mesma pelo trabalho que exerçam a favor da Evolução Humana. A C.T.P. também NÃO É UMA SEITA NEM UMA RELIGIÃO, E SIM UM MOVIMENTO INICIÁTICO fundado em solo PORTUGUÊS. Mesmo endereçando-se em primeiro lugar aos portugueses pelo motivo apontado, não deixa de estender-se num amplexo fraternal ao Brasil e ao mundo inteiro, motivada pela esperança de fundação da FRATERNIDADE UNIVERSAL que não conhece fronteiras, raças, castas, cores e sexos.

Caracterizada pelo vínculo muito íntimo que mantém com a tradição da chamada Fraternidade Espiritual Portuguesa (M.R.Z.) e os mistérios iniciáticos da consignada Serra Sagrada de SINTRA desde a primeira hora, tudo isso dentro dum contexto vasto de ensinamentos que não são fragmentos públicos descontextualizados como «apanhados gerais» do que a mesma C.T.P. tem proferido publicamente e que constitui verdadeiras revelações para quem nunca antes ouviu falar em tais coisas, assim mesmo a COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA leva ao conhecimento e prática dos seus afiliados os ensinamentos teosóficos revelados pelo Professor HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA mas nos moldes lusitanos que são afins à sua natureza, com a singularidade de se expressarem na língua sagrada que é a Portuguesa dignificada por esta OBRA DIVINA sobretudo em PORTUGAL E BRASIL. Isto igualmente justifica as palavras dirigidas pelo Venerável Mestre JHS aos seus Discípulos portugueses, na década de 50 do século findado:

«A TEOSOFIA (cujo exercício é TEURGIA, dizemos nós), no Brasil e em Portugal, corresponde a duas Ramas da mesma Árvore, que devem desenvolver-se em harmónico equilíbrio como os braços de uma Balança, na qual o fiel é a Grande Fraternidade Branca vibrando no peito do Monarca Universal, de cujo centro mesmo irradiam para as quatro direcções os Quatro Animais da Esfinge, expressão Ideoplástica da Suprema Hierarquia Assúrica. Eu estou em Verdade e Espírito nessas plagas (Portugal), origem da Obra, porque aí sou exaltado com Fé e Amor. Eu sempre estou onde Me amam e com aqueles que crêem em Mim!»

EMBORA SEM QUALQUER VÍNCULO FORMAL, COMO JÁ DISSE, A COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA INCLUI OU EXCLUI NO SEU “ESPÍRITO FRATERNAL” OS OUTROS MOVIMENTOS FILANTRÓPICOS E ESPIRITUALISTAS?

 

R. – Certamente que inclui. Creio ser facto reconhecido unanimemente que a C.T.P. não é caracterizada pelo fanatismo e a intolerância para com as crenças alheias, nem tampouco ser uma «fábrica de avataras, messias, gurus, iluminados, profetas, etc., etc.». Todos quantos trabalham com o melhor da sua capacidade e dando o melhor da sua vontade a favor do engrandecimento mental, moral e físico da Raça Humana, têm a nossa mais profunda admiração e respeito, tanto mais que a melhor e mais prática forma de adorar a Deus é servindo a Humanidade. A C.T.P. pauta a FRATERNIDADE e a TOLERÂNCIA, ou melhor, a ACEITAÇÃO, que deve caracterizar todo o verdadeiro Teósofo e, sobretudo, Teúrgico. Aqui, lembramos a ordem capital proferida pelo nosso Venerável Mestre JHS há largos anos atrás: «Crie-se uma FRENTE ÚNICA ESPIRITUALISTA! Espiritualistas de todos os credos e latitudes mentais: UNI-VOS! Criai uma Frente Única face ao avanço do marasmo do materialismo desolador».

 

É POSSÍVEL SER TEÚRGICO SEM SE DESLIGAR OU INCOMPATIBILIZAR COM A RELIGIÃO QUE SE PROFESSE OU PRATICA?

 

R. – Perfeitamente. Desde que essa pessoa religiosa não professe ou pratique fanaticamente a sua crença, antes procure entender a razão de ser ou o motivo espiritual que subjaze a essa mesma religião, e com as ferramentas da Sabedoria Iniciática das Idades, que é sobretudo Filosofia, Ciência e Arte, poderá até tornar-se mais e melhor religiosa do que antes. Contudo, é forçoso reconhecer, as pessoas manifestamente retrógradas fanatizadas numa qualquer crença religiosa, limitadas mental e coracionalmente tendo criado as suas próprias “prisões douradas” que as crenças impõem e os crentes auto-impõem através de fórmulas morais incompreendidas indo inibir-se até limites estreitíssimos de consciência e vivência, dificilmente ou nunca se sentirão bem entre nós, pois pautamos o exercício desinibido do livre-pensamento, isto é, livre dos grilhões dos preconceitos profanos psicossociais que afligem duramente a Sociedade Humana, mesmo não nos escusando aos limites impostos pela MORAL UNIVERSAL que separa a bestialidade da civilização, assim mesmo defendendo a integridade dos princípios de FAMÍLIA (Corpo), de PÁTRIA (Alma) e de DEUS (Espírito), entendidos estes no seu mais vasto sentido iniciático ou espiritual, e nunca, jamais no exclusivamente profano não raro ditador e xenófobo.

 

A COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA TEM, DIRECTA OU INDIRECTAMENTE, PARTICIPAÇÃO POLÍTICA?

 

R. – A C.T.P. é apolítica no que respeita a partidos políticos, tal como é irreligiosa no que respeita a religiões. Se, acaso, há afiliados da mesma com filiações a alguns partidos políticos ou religiões, esse é assunto exclusivo deles e não da C.T.P., pois que não interfere nos interesses pessoais dos mesmos. Em contrário, seria uma clara violação do livre-arbítrio que assiste a um e a todos.

Porém, a COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA não é indiferente à sorte política, económica, social, cultural e religiosa do País. A COMUNIDADE incentiva os seus membros a serem melhores cidadãos, como tal devendo participar activamente na vida comunitária PORTUGUESA, cada qual contribuindo para a edificação da SINARQUIA UNIVERSAL. Mas é PROIBIDO dentro do Colégio, em conformidade aos seus Estatutos, falar ou apoiar posicionamentos político-partidários, como igualmente polemizar perspectivas sectário-religiosas. Repudia-se, sobretudo, o uso de lideranças hierárquicas dentro da Instituição e da Obra para influenciar opiniões, pois deve-se unicamente exaltar a livre-escolha de cada um, em conformidade com o que a sua consciência lhe ditar, desde que não fira a consciência e liberdade alheias.

 

A COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA É MANTIDA POR ALGUM GRUPO ECONÓMICO?

 

R. – Não. Todo o teúrgico ganha o pão de cada dia retirado do esforço do seu ofício honesto. A C.T.P. mantém-se economicamente com as contribuições sistemáticas (quotas mensais) dos seus membros afiliados e com a venda das suas edições. Não possui outra forma de manutenção económica, depende exclusivamente de si mesma.

 

COMO SE PODE CONTACTAR A COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA?

 

R. – Enviando um e-mail através deste sítio Lusophia, ou então escrevendo ao cuidade de: Vitor Manuel Adrião. Rua Carvalho Araújo, n.º 36, 2.º esquerdo. 2720 – Damaia, Amadora, Portugal.

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Flor-de-Lis versus Realeza de Deus – Por Vitor Manuel Adrião

Flor-de-Lis versus Realeza de Deus – Por Vitor Manuel Adrião

Terça-feira, Mar 6 2012

Sintra, 2005

Desde a primeira hora que na nossa Obra Divina a Flor-de-Lis ou Liz a prefigura como símbolo principal, indo assim figurar nas Armas brasonadas da Comunidade Teúrgica Portuguesa. Mas muito antes da aparição deste Instituto em 1978, já a mesma Flor de Realeza Divina distinguia a Obra do Insigne Professor Henrique José de Souza desde, no mínimo, 1916, através do Movimento Comunhão Esotérica Samyâma, ponto de partida para a fundação de Dhâranâ – Sociedade Cultural-Espiritualista, em 1924, e da Sociedade Teosófica Brasileira, em 1928.

Ainda cheguei a conhecer alguns membros da antiga Sociedade “Dhâranâ”… Mas falarei antes do significado da Flor-de-Lis, Flor de Mistério e de Realeza Divina. Para o entendimento mais completo possível desta planta privilegiada, irei fazer uma abordagem botânica, histórica e teosófica ou iniciática sobre a mesma, cuja importância vai muito além de ser o símbolo universal do Escutismo como quis o seu fundador, Baden-Powell, um maçom que teria recolhido no seio da Maçonaria Simbólica a figura dessa flor real, com todos os arcanos e significados que carrega.

A Flor-de-Lis é simbolicamente identificada à Íris e ao Lírio, como o fez Mirande Bruce-Mitford no seu livro Signos e Símbolos, informando que Luís VII, o Jovem (1147), teria sido o primeiro dos reis de França a adoptar a íris como seu emblema e a servir-se da mesma para selar as suas cartas-patentes, e como o nome Luís se escrevia na época Loys ou Louis, esse nome teria evoluído de “fleur-de-louis” para “fleur-de-lis” (flor-de-lis), representando com as três pétalas a Fé, a Sabedoria e o Valor. A verdade, mesmo observando a grande semelhança entre os perfis da íris e da flor-de-lis, é que o monarca francês apenas adoptou o símbolo de grande antiguidade na heráldica de França, pois que ele já aparece em 496 d. C., quando um Anjo aparece a Clotilde, mulher de Clóvis, rei dos Francos, e lhe oferece um lírio, acontecimento que concorreu para a sua conversão ao Cristianismo (repercussão hagiográfica daquele episódio primaz ocorrido com a Virgem Maria, quando o Anjo da Natividade, Gabriel, lhe apareceu empunhando um lírio fazendo-lhe a anunciação de estar predestinada a Mãe do Salvador, e logo o pai terreno deste, José, também vir a ser iconografado com a flor do lírio, assinalando-o como patriarca de novel dinastia sagrada, portadora de Realeza Divina). No ano 1125 a bandeira de França apresentava o seu campo semeado de flores-de-lis, o mesmo acontecendo com o seu brasão de armas até ao reinado de Carlos V (1364), quando passaram a figurar apenas três. Conta-se que este rei teria adoptado oficialmente o símbolo para, por esse emblema, honrar a Santíssima Trindade.

Mas o lírio estilizado flor-de-lis é planta bíblica, anda associada ao pendão do rei David e igualmente à pessoa de Jesus Cristo (“olhai os lírios do campo…”); também aparece no Egipto associado à flor de lótus, e igualmente entre os assírios e os muçulmanos. Cedo se tornou símbolo de poder e soberania, de Realeza que se faz por investidura Divina o que leva a também simbolizar a pureza do corpo e da alma. Por isso, os antigos reis europeus eram divinos por sagração directa da Divindade na pessoa da Autoridade Sacerdotal, e para o serem teriam, em princípio, que ser justos e perfeitos ou puros, como o foi a Virgem Maria, “Lírio da Anunciação e Submissão” (Ecce Ancila Domine), desta maneira Orago efectivo de todo o Poder Real vinculado à Iniciação Senhorial (Cavaleiresca ou Kshatriya), Matrística ou Mariana, a mesma do Espírito Santo.

É assim que o lírio ocupa o lugar da íris, o que leva os espanhóis a traduzir “fleur-de-lis” como “flor del lírio” (flor do lírio), e é este que mais se associa simbolicamente à mesma lis. Mas na botânica a flor-de-lis não é a íris e nem o lírio. A íris (Iris germanica) é uma planta da família das Iridáceas originária do Norte da Europa. Já as espécies mais conhecidas de lírio (Lilium pumilum, Lilium speciosum, Lilium candidum) são plantas da família das Liliáceas, originárias da Ásia Menor e Central. A verdadeira flor-de-lis não pertence à família das Iridáceas, nem das Liliáceas: trata-se da Sprekelia formosissima, uma representante da família das Amarilidáceas, originária do México e da Guatemala. Conhecida noutros idiomas como lírio asteca, lírio de São Tiago, lírio de Saint James (St. James lily), lírio de Saint Jacques (lis de Saint Jaques), a Sprekelia formosissima é a única espécie do género. Esse nome foi-lhe dado pelo botânico Linaeus (Lineu), quando recebeu alguns bolbos de J. H. Van Sprekelsen, um advogado alemão. Os espanhóis introduziram a planta na Europa, trazendo bolbos do México no final do século XVI.

Mas esse símbolo já era conhecido desde muito antes pelos monarcas e príncipes de Portugal, pois que praticamente a partir de D. Afonso Henriques, e principalmente a partir dos finais do século XIII, o lírio convertido ou estilizado flor-de-lis aparece em pleno nas Armas portuguesas, com todo o simbolismo imediato e substrato inerente, e isto mercê na influência árabe que importara essa figura simbólica do Egipto levando-a para a Mauritânia (o “País dos Mouros”…), vindo impô-la na Península Ibérica praticamente desde o século VIII, quando o conquistador Tarik a invadiu.

Planta solar e de afinidade a Vénus, ela é uma bulbosa produtora de flores de cor vermelha brilhante e folhas laminares verde azuláceas que aparecem depois das flores. A sua reprodução faz-se pela divisão de bolbos, durante o período de repouso, enquanto a luz vital que lhe é propícia é o Sol pleno. Para o seu cultivo em vasos e canteiros, a mistura de solo ideal é a arenosa – uma parte de terra vegetal, uma parte de terra comum de jardim e duas partes de areia. As regas devem ser espaçadas no início do período vegetativo, intensificando para dias alternados até depois da floração, quando se deve voltar a espaçar as regas. Recomenda-se evitar o excesso de água, pois pode provocar o apodrecimento dos bolbos e o surgimento de doenças fúngicas.

É esta mesma flor, de pétalas róseas purpuradas, que se encontra no antigo jardim real cerceando o Palácio da Pena, em Sintra, mandada plantar aí por D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha no século XIX, certamente dando continuidade à Tradição afirmando que a Flor-de-Lis é tanto o símbolo de Sintra como de Lisboa (“Lis Boa” ou “Boa Lis”, no dizer de Fernão Lopes na Crónica de D. João I, expressando a Lei Divina incarnada na pessoa do Monarca e Pontífice Universal, Melki-Tsedek).

Mesmo antes de lhe ser atribuído valor simbólico, o lírio era muito apreciado e difundido como motivo artístico e ornamental no Egipto, na Grécia minóica e em Micenas. Na arte poética, a voz das cigarras e das musas é chamada de “lírica” (delicada). Segundo o mito grego, os lírios teriam nascido do leite de Hera, que gotejava sobre a Terra no momento em que surgiu a Via Láctea. Afrodite (Vénus), deusa do amor, ora odiava ora se encantava com essa flor de aspecto puro e inocente, e por esse motivo lhe inseriu o pistilo, que lembra o falo de um asno, animal simbólico da Paz (o Anhus Pacis, de certa maneira associado ao Agnus Dei) que assim se associa à Pureza do lírio. Foi deste modo que Apolo ou o Sol deu-lhe o brilho e Vénus o poder de procriar, e logo Jacinto, favorito do mesmo Apolo, o evocaria como expressivo do amor procriador, sob a forma do lírio martagão (lírio vermelho). Foi colhendo um lírio (ou um jacinto) que Perséfone foi arrastada por Hades, enamorado dela, através de uma abertura repentina no solo para o seu reino subterrâneo; neste sentido, o lírio ou lis simbolizará a Porta e o Reino dos Infernos, Inferiores ou Interiores Lugares… a Agharta mesma, e simultaneamente a Consciência Superior necessária para possuir tão alto galardão simbólico, ao mesmo tempo que real,para puder penetrar tão sacrossanto Lugar, o próprio Sanctum Sanctorum da Mãe-Terra (Mater-Rhea).

Essa é a razão do Professor Henrique José de Souza considerar «a Flor-de-Lis o Lótus Sagrado de Agharta e símbolo precioso da Consciência Universal».

Quando no século XVIII a flor-de-lis dos Bourbons de França, encabeçados por Luís XVI, quis imperar no que tem de mais inferior e caótico sobre a Flor-de-Lis Aghartina, o Governo Oculto do Mundo encarregou-se de a decepar nas pessoas de São Germano e Cagliostro, representando as duas Faces Espiritual e Temporal do Imperador Universal… acabando o rei francês sem cabeça, cumprindo-se assim a anterior Profecia de Paracelso (in Prognosticatio eximil doctoris Paracelsi, v. I, 1536, in 4.º, fig. 11):

«Aquele cujo poder faz sair do Seio da Terra a mais ilustre de todas as Flores, a tornará, dentro em breve, flor mirrada em terreno árido e podre, um simples “lírio do campo”! Amanhã, como disse o Cristo, tu serás lançada ao fogo… porque uma outra te virá substituir. Sim, porque aqueles que te tomaram por símbolo, sem direito para tanto, emigrarão, serão levados ao exílio, à prisão e à ruína… E sob tamanho aviltamento universal e sem exemplo, serás humilhada no decorrer dos anos que sucederem… Pela prudência e temor do Senhor, poderias ter concorrido para que prósperos, estáveis fossem os teus dias; mas a tua própria astúcia causou a tua ruína, obrigando uma outra a surgir do Lugar onde sempre estiveste.»

Flor de Eleição e Realeza Divina promanada do Seio da Terra à Face da mesma, incorruptível e insubstituível, ela derruba qualquer outra sua sombra adversária coadunada com a Lua, os amores proibidos e as injustiças sociais (esta a razão principal de, após Luís XVI de França, a flor-de-lis dos Bourbons ter se tornado o símbolo das prostitutas e ladrões, e quando algum malfeitor era preso marcavam-no a fogo com esse símbolo, memória maldita de uma realeza decadente, ladra do povo e prostituta da sua condição real), por isto mesmo, por seu sentido mais alto e puro, a Lis ou o Lírio faz-se símbolo da eleição, da escolha do ser amado, como diz o Cântico dos Cânticos (1, 2): «Como o lírio entre os cardos, assim a minha bem-amada entre as jovens mulheres».

A “bem-amada” é a Alma Universal, Amor puro, virginal, universal, cuja tomada de posse foi privilégio de Israel na pessoa do rei David, logo adoptando a Flor-de-Lis dourada para figurar sobre o fundo azul do seu Pendão; esse foi o privilégio de Maria entre as mulheres de Israel, e logo, como Mãe Soberana, entre as mulheres do Mundo.

Foi assim que essa planta se tornou, no Cristianismo, o símbolo do amor puro e virginal. Gabriel, o Anjo da Anunciação, repito, é representado iconograficamente com um lírio na mão, o mesmo acontecendo com o esposo José e os progenitores de Maria, Joaquim e Ana. O lírio representa também a entrega à Vontade de Deus, isto é, à Providência, que cuida das necessidades dos seus Eleitos, como assegura Jesus no Sermão da Montanha: «Vede os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam» (Mt. 6, 28). Assim, entregue sem condições entre as mãos do Eterno, o lírio está melhor protegido ou vestido que Salomão em toda a sua glória. De maneira que simboliza o abandono místico à Providência e Graça de Deus.

Ao ser-lhe acrescentado o pistilo, falo ou três pétalas inferiores, cedo o lírio, retratando a lis, se associou ao simbolismo das águas inferiores, e logo da Lua e dos sonhos, fazendo dele a flor de um amor intenso, carnal, mas que, na sua ambiguidade, pode ficar irrealizado, reprimido ou não sublimado. Mas se for realizado, sublimado como amor espiritual, penetra o sentido de Vénus e das Águas Superiores (o Akasha ou Éter), e assim o Lírio ou Lis se faz a Flor da Glória.

Nisso reside a equivalência entre o lírio, a lis e a flor de lótus que se eleva acima das águas lamacentas da concupiscência e do pecado. Por seu sentido de Eleição, dessa forma irá marcar uma Raça Eleita, de Príncipes ou Principais, sem mancha de pecado, que inaugurará um novo Ciclo de Humanidade, como se deduz das palavras premonitórias de Virgílio sobre o destino de uma Raça maravilhosa, quando é feita a oferenda de lírios à memória do jovem Marcelo, no momento da descida de Enéias aos Mundos Subterrâneos, ao Inferno – a resgatar uma Raça Divina ou Aghartina que hoje, fazendo jus ao Ex Occidens Lux, só poderá aparecer em duas bandas do Mundo como Duas Faces do mesmo Rosto do Imperador Universal, Melki-Tsedek, na pessoa do Excelso Akdorge: Portugal e Brasil, Tronos de Eleição dos Poderes Temporal e Espiritual do Mundo!

Escreve Virgílio (in Eneida, 6, 884): «Tu serás Marcelo [de Marte, regente deste 4.º Globo terrestre]. Dá lírios às mãos cheias, para que eu espalhe [semeie] flores [mónadas] deslumbrantes».

Essas “flores deslumbrantes” oferecidas ao filho adoptivo de Augusto, contribuem para reanimar o amor à sua glória futura. Valor ao mesmo tempo fúnebre e sublime do símbolo, o que integra a lis e o lírio no simbolismo popular da “pálida morte”, fazendo-a flor mortuária, por isso dizendo-se que o misterioso aparecer de um lírio anuncia a morte dum frade. Também a canção popular bretã dos “três lírios” semeados sobre o túmulo alude a esse simbolismo fúnebre, portanto, a ver com o aspecto feminino, lunar da mesma flor.

Acaso ela poderá ser prenúncio de morte iminente, mas certamente será o “santo e senha” de abertura dos Portais do Céu do Cristo Universal (2.º Logos) àquele que a visualiza na hora da morte, pois que adentrará o mesmo Céu em Inocência e Pureza de Virgem sem pecado, liberto de Karma por seus próprios esforços, assim assumido na Corte da Realeza Divina, pois que como a Flor-de-Lis também o Lírio é flor real, sobretudo por sua forma se assemelhar à de um ceptro, ou porque «as serpentes [larvas e outros miasmas astrais] fogem dos lírios, que emanam um perfume revigorante» (in G. A. Böckler, 1688, Bibl. 10).

Em relação com isso, escreveu W. H. Frh. in Hohberg, 1675, Bibl. 23: «O lírio branco com esplendor e majestade supera muitas flores, mas é de pouca duração. Assim, como ele, deve envelhecer e morrer também o homem onde não se conserva a Graça e a Protecção de Deus».

No Santoral cristão vê-se a flor-de-lis como atributo de vários santos reais, principalmente São Luís de França, mas também noutros, dentre eles: António de Lisboa e Pádua, Domingos de Gusmão, Felipe Neri, Vicente Ferrer, Catarina de Siena, Filomena, etc. Quando o símbolo não aparece formando parte dos signos de realeza do santo, resta associar a flor-de-lis com a estilização da pata de ganso (símbolo de Lusina, Lys-Ina, e dos Construtores Livres medievais que foram, afinal de contas, os constituintes da Maçonaria Operativa, também chamada de Arte Real), com a vieira do peregrino e, em geral, com o Sol Nascente ou Logos Único que expande os Três Raios de Vida, antes, Três Hipóstases como Vida, Energia e Consciência.

Quando aparece a Cruz dourada com a Rosa rubra tendo gravada no palo superior a Flor de Lis, o conjunto associa-se de imediato ao simbolismo do Pramantha Mágico a Luzir sob a direcção do Rei dos Reis, Sua Majestade Melki-Tsedek, na Terra representando ao 2.º Logos no Céu, pelo que tal símbolo se converte num dos mais preciosos do Governo Oculto do Mundo.

Acerca disso, escreveu o Professor Henrique José de Souza (in revista Dhâranâ, n.os 17 e 18, Março a Setembro de 1961):

«Um mundo de revelações está contido nessas palavras, inclusive em relação com a nossa Obra. Basta dizer que… “Ela veio do Oriente como uma Rama extensa florescer as mentes dos filhos deste País”, etc. E o seu nome, no início, tendo sido Dhâranâ, completa o que outrora tendo sido mistério hoje se aclara diante dos olhos dos homens mais dignos e cultos, que para Ela foram e continuam sendo atraídos, prova da sua indiscutível evolução na “estreita ou angustiosa Vereda da Vida”, em cujo final tremeluz o mágico Triângulo da Iniciação, que é o da própria Mónada redimida. Sim, Dhâranâ no começo, representando o Oriente, S.T.B. depois, representando o Ocidente.

«Antes, porém, devemos dizer que, naquele momento da História, a Swástika se defronta com a Sowástika, que muitos até hoje não souberam distinguir uma da outra. Quanto à Flor-de-Lis, ao Candelabro das 3 Velas, à Vina (ou Lira) de Shiva [a de três cordas de Apolo e de Orfeu, para estar de acordo com os três acordes da Criação: Dó-Mi-Sol], à letra hebraica Shin, representam uma só e mesma coisa, digamos… a Tríplice Manifestação do Logos Criador, tanto no Universo quanto no Homem. Finalmente, a sua expressão terrena: o Governo Espiritual (e Oculto) do Mundo

Por seu turno, Paulo Machado Albernaz escreveu na sua A Grande Maiá – A Realização (edição particular, São Paulo, 2003):

«É bem verdade que o sofrimento, a angústia é um atributo humano, mas o Homem-Deus, o Verbo Encarnado, o Avatara da Divindade na Terra também tem o seu lado humano, que é a face voltada para baixo, e como tal está sujeito às vicissitudes humanas, embora participe, igualmente, do que se cumpre nas alturas celestes. Esta estranha situação deu origem ao símbolo da chamada Flor-de-Lis, cujo desenho estilizado mostra três pétalas maiores voltadas para o alto, e três pétalas (à guisa de pedúnculo) menores voltadas para baixo.

«O número três é ressaltado duas vezes, representando a tríplice manifestação tanto do lado Divino (que é maior) como do lado Humano (que é menor). Tal símbolo tem sido usado largamente pelos homens, não só no campo político, como o foi pela monarquia francesa, como no social. Neste último poderemos citar a organização mundial do escutismo, cujo símbolo é muito usado até hoje.

«Os Três Sóis ou Logos também agem na estrutura interna do Homem, a grosso modo classificado como Corpo, Alma e Espírito, nos quais agem os astros que mais influenciam a nossa vida: o Sol agindo em nosso Espírito; a Lua em nossa Alma e a Terra em nosso Corpo Físico. Esta constituição interna é, igualmente, bafejada pelas Três Hipóstases do Logos, que são: Vontade, Sabedoria e Actividade, como já vimos. No entanto, já se vê que o Espírito pode abrigar, além da Vontade, a Sabedoria, se o homem a ela fizer jus. Além da Sabedoria, a Vontade poderá se abrigar na Alma que tenha condições de a sentir. Finalmente, o Corpo terá que exercer uma Actividade, um Trabalho digno de um Homem com H maiúsculo.

«Quem está, justamente, nessas condições poderá entender com facilidade as diversas manifestações avatáricas dos Seres que comandam a Terra e, consequentemente, toda a evolução do nosso Planeta. Dessa forma poderemos compreender, em toda a sua plenitude, o porque da identidade da maioria dos ensinamentos que nos foram legados pelos Grandes Mestres que pontilharam com grandezas espirituais a História da Humanidade.

«Quem busca apenas a erudição, para satisfazer o seu diletantismo, quer saber quem escreveu isso ou aquilo, em que livro está citado um preceito famoso, de que escola ou organização surgiu uma determinada doutrina. Uns chegam até a discutir em que raça surgiu ou se gerou um determinado Ser que propôs uma nova filosofia. Se atentarmos para uma certa passagem de Krishna, como uma das manifestações do Espírito de Verdade, aliás, o Avatara que a História registou sob o nome de Yeseus Krishna e que era de rara beleza, diz Ele no Bhagavad-Gïta, versículo 25, num dos discursos dedicados ao seu discípulo Arjuna:

… quem adora os Bhutas (espíritos da Natureza), vai aos Bhutas! Quem adora os Pitris (Construtores da Humanidade), vai aos Pitris! Porém, os verdadeiros adoradores vêm a Mim (o Eu Divino)!

«Por essas palavras notamos que existe uma Fonte Única da Verdadeira Sabedoria que é o Planetário da Ronda, avatarizado no Sexto Senhor, como Dirigente absoluto da nossa Terra. Tudo o que existe de Bom, de Belo e de Bem emana desse Ser Único, através dos seus múltiplos Avataras que são os seus fiéis Porta-Vozes no decorrer das Idades, dos Ciclos.

«A sua Sabedoria infinita sai da Boca dos “Anjos da Palavra” e entram pelos ouvidos humanos nos mais variados timbres e tonalidades e se aninham nos seus cérebros.»

Pois bem, graças à inserção do pedúnculo no lírio heráldico (lis) ele tomou a forma de seis pétalas, as quais podem ser identificadas com os seis raios da Roda da Vida cuja circunferência é divisível pelos seis raios do Sol sendo este o sétimo, e assim ela torna-se Flor de Glória e Fonte de Fecundidade, indo incorporar-se ao simbolismo do Hexalfa ou estrela de seis pontas,  insígnia do Sexto Senhor Akbel – criando já o 6.º Sistema de Evolução, englobando o 5.º e o 7.º – que norteia os destinos evolucionais do Género Humano através da Corte Eleita dos Mestres Justos e Perfeitos da Excelsa Fraternidade Branca, mediando entre o Luzeiro e Eles o Grande Kumara Melki-Tsedek, seja Ardha-Narisha, seja Akdorge.

Mesmo sendo a Flor-de-Lis símbolo do Governo Supremo de Agharta imperando sobre todos os governos da face da Terra, a verdade é que o nome da Cidade Santa do Mundo de Badagas sob o território português com jurisdição espiritual e temporal totais sobre toda a Europa, não se chama – como alguns têm inventado – «Lis», nem tampouco se insere num qualquer e pressuposto «triângulo místico de Fátima». Isso é apenas uma invenção caseira, ainda assim já popularizada, de quem viu ser-lhe recusado o acesso aos Mistérios Maiores desta Obra do Eterno na Face da Terra… passando a vicejar impoluto nos trigais do mundo a desfavor deste.

Estou autorizado superiormente, por quem de direito, a revelar alguns dos símbolos do Grande Senhor Akbel, aliás, assinalado na pétala central (maior) da mesma Flor-de-Lis:

AKBEL – Flor de LIX (Aghartino); em português: Angélica Branca.

ÁGUIA

TOURO

Significado: PUREZA – SABEDORIA – VONTADE.

De maneira que se tem:

Quando se fala da nobreza portadora de «sangue azul» não tem tanto a ver com o aspecto físico, pois que o seu sangue se mantêm vermelho de Tamas ou a cor da Terra, mas sim com o aspecto psicofísico e iniciático da sua ligação ao Segundo Logos, cujo tom é Rajas e a cor azul do Céu, brilhando internamente o amarelo ouro de Satva como Espírito Iluminado.

Quem tem o verdadeiro «sangue azul» da Nobreza Divina é só o Iniciado Verdadeiro que se integrou no Quinto Reino Espiritual, chame-se-lhe “Angélico”, chame-se-lhe das “Almas Salvas” ou, ainda, do “Akasha Celeste”, para todos os efeitos, o do Cristo Universal que também é, por se tratar do Segundo Trono como Andrógino Primordial, a Excelsa Mãe Divina – Rainha dos Anjos, Mãe dos Eleitos, “Lírio Santificado de Shamballah”.

Portanto, em terminologia humana, a verdadeira Monarquia de Melkitsedek é essa Divina do Segundo Trono que emancipa os Corpos, distingue as Almas e enobrece os Espíritos.

Falando de Monarquia estou referindo-me exclusivamente a “Uma Hierarquia” original de valores humanos e espirituais, ou seja, a Grande Loja Branca dos Mestres Justos e Perfeitos que são os Príncipes ou Principais da Obra Divina do Imperador do Mundo, Melkitsedek, impondo a dignidade dessa condição diáfana e doce de Amor-Sabedoria no distinto do Discípulo verdadeiro, também ele candidato sincero e dedicado ao estado de Mestre Real, de possuidor da verdadeira Flor-de-Lis, isto é, da Consciência Universal.

Ave, Lillium Sanctificatum in Terris descendiat Coelis!

Ave, Maria, Lillium, Rosa mistica in Crucis sideris,

Matrem Nostram, Mariz Nostra!

BIJAM!

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